Avanço pequeno

Avanço pequeno

Ainda não foi desta vez que a representação das mulheres aumentou significativamente, levando-se em conta o resultado das eleições municipais de 2024. Embora formem a maioria, 52,7% do eleitorado, o avanço foi pequeno. Na eleição do primeiro turno, no país inteiro, as mulheres ganharam apenas 15,5% das prefeituras e no Legislativo as candidaturas femininas vitoriosas representam 18,2% do total. Em relação a 2020, de acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de vereadoras cresceu 13%. Em Ribeirão Preto, não havia nenhuma mulher entre os cinco candidatos a prefeito. Na disputa por uma vaga na Câmara de Vereadores, entre os 22 parlamentares eleitos para a próxima legislatura apenas três são mulheres. Coincidentemente, as três representantes locais eleitas são do Partido dos Trabalhadores (PT). Duda Hidalgo, a terceira mais votada, recebeu 8.651 votos, Judeti Zilli se elegeu pelo coletivo popular com 2.756 votos e Perla Muller somou 3.266 votos. Duda e Judeti se reelegeram. Já a vereadora Gláucia Berenice (Republicanos), que buscava o quinto mandato, não se reelegeu.

A primeira mulher que se elegeu vereadora em Ribeirão Preto foi Evangelina Carvalho Passig, em 1955, que hoje dá nome ao terminal de ônibus em frente à Estação Rodoviária.  Depois que o mandato da pioneira se encerrou, a cidade ficou 37 anos sem eleger uma representante feminina para a Câmara de Vereadores. Essa falta de representação só foi quebrada em 1992, quando se elegeram Delvita Pereira Alves (PSDB), Joana Leal Garcia (PT) e Darcy Vera (PDS). De lá para cá, as mulheres nunca tiveram mais do que três representantes na Câmara Municipal, o que representa 14% do número total de vereadores. Esses números mostram que as mulheres já avançaram em muitas questões, como a igualdade de direitos e as oportunidades no mercado de trabalho, mas a política ainda permanece como um reduto majoritariamente masculino.


A análise do resultado da eleição no Estado de São Paulo ou no Brasil inteiro revela a mesma tendência, uma distorção estrutural. Em 465 das 645 cidades paulistas foram eleitas no máximo duas mulheres para as câmaras locais. Como o cargo de vereador(a) é a porta da entrada para a política, o menor número de vereadoras reflete na eleição dos prefeitos(as). Das 610 cidades paulistas que elegeram prefeitos em primeiro turno, 543 (89,02%) escolheram homens e apenas 67 (10,98%) mulheres foram eleitas. Outro dado que revela a discrepância entre as representações masculina e feminina aparece na quantidade de mulheres eleitas para as capitais em primeiro turno: nenhuma mulher foi eleita. A única certeza que uma mulher vai administrar uma capital é Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, cidade em que duas mulheres disputam o segundo turno. Na Câmara dos Deputados as mulheres são 18% e no Senado Federal 4%.
 

Em Ribeirão Preto, havia candidaturas femininas competitivas em quase todos os partidos. No MDB, por exemplo, partido que conquistou a maior bancada com 5 vereadores eleitos, dos 23 candidatos da chapa, 15 eram homens e oito eram mulheres. Se havia opções, chega-se à conclusão que o eleitorado, masculino e feminino, leva em consideração outras características do candidato, mas não considera o gênero decisivo para a definição do voto.  A equidade de gênero, com a visão crítica feminina, é importante para o empoderamento da mulher e ainda possui implicações econômicas e sociais, principalmente, na elaboração das políticas públicas que podem promover a autonomia financeira, a redução da violência e a igualdade de direitos. Não há democracia plena se a maioria não estiver representada, principalmente nas instâncias do poder político.

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