Cadeirada na democracia
Faz tempo que o nível da política brasileira desce ladeira abaixo. A eleição presidencial de 2022 já foi um divisor de águas negativo com as fake news, muita agressividade, chegando às agressões e aos casos de morte, como ocorreu em Foz do Iguaçu. Agora, a opinião pública acompanha estarrecida a eleição para a Prefeitura de São Paulo, a maior cidade da América Latina. Desde o início da campanha, os debates nas emissoras de televisão se transformaram num festival de ofensas, acusações e baixarias que culminaram com as provocações do candidato Pablo Marçal (PRTB) e a agressão cometida por parte do candidato José Luis Datena (PSDB).
São Paulo é uma cidade com 12 milhões de habitantes e um orçamento anual de R$ 200 bilhões, o terceiro maior do país. Tem problemas gigantescos como a violência, o trânsito, a saúde, habitação e o meio ambiente para citar só cinco. Mesmo quem não é eleitor da capital, acompanha a disputa. A cidade é uma vitrine importante para o país e merecia um debate de nível mais alto. Em vez de temas urbanos, a tônica tem sido questões pessoais e uma infindável troca de acusações. Outra distorção grave das discussões é o retorno da “ameaça comunista”, a mesma justificativa utilizada para aplicar o golpe militar de 1964. Os partidos comunistas no Brasil são legalizados, mas têm baixa representatividade no Congresso Nacional. Não há estados ou cidades importantes governadas por comunistas e um dos únicos países do mundo que se autodeclara comunista é distante e isolada Coreia do Norte. A China pratica um sistema misto com a presença do Estado e da iniciativa privada na economia.
O princípio que faz a ponte entre as realidades políticas de Ribeirão Preto e São Paulo é que qualquer cidade que pretenda ser democrática e bem administrada deve seguir os princípios republicanos. A apresentação de propostas e o convencimento do eleitor fazem parte do processo eleitoral para que a escolha da maioria seja a melhor possível. As novas regras eleitorais reduziram o tempo de campanha e há pouco tempo para amadurecer a escolha. Não se pode perder tempo com discussões de baixo nível. Apenas duas emissoras de TV farão debates em Ribeirão Preto. A duas semanas das eleições, uma parte expressiva do eleitorado ainda não se definiu e conhece pouco os candidatos. Hora de refletir com atenção para definir o voto.