Causa e efeito

Causa e efeito

A tragédia no Rio Grande do Sul vai permanecer no noticiário por um bom tempo e estará presente nas próximas eleições municipais, principalmente em Porto Alegre. Assim como ocorreu na pandemia, nas eleições presidenciais e em outras discussões importantes para o país, a polarização ideológica mina o debate racional com a disseminação de informações falsas ou a rala exploração política da tragédia. 


Não se trata de esconder ou omitir responsabilidades, mas de esperar as águas baixarem, os mortos serem enterrados, em respeito às vítimas da tragédia. O tempo apropriado chegará, mas devido à persistência das chuvas, neste momento, a melhor alternativa é somar esforços para minimizar os estragos. Vendo essa avalanche de imagens e vídeos que as redes sociais e os veículos de comunicação divulgam dá para começar reflexão sobre causas, consequências e o que precisa ser feito. Por qual razão as tragédias ambientais se tornaram tão frequentes e destruidoras? Qual a relação que existe entre a destruição do meio ambiente e as catástrofes climáticas que se espalham pelo mundo inteiro? O aquecimento global tem a ver com a devastação sem precedentes que aconteceu no Rio Grande do Sul?


Embora a resposta salte aos olhos e uma minoria insista em não querer ver o óbvio, essas perguntas complexas precisam ser respondidas pela ciência. Na verdade, a ciência já respondeu, pois os alertas começaram há mais de 50 anos. Nos anos 70, Porto alegre teve um dos primeiros ambientalisas do país. José Lutzenberger ia sozinho, de bicicleta, comprava a briga quando alguém queria cortar uma árvore da cidade. Por triste ironia do destino, recentemente, a Assembleia Legislativa gaúcha aprovou um pacote que “flexibiliza” a exploração de áreas ambientais. No Congresso Nacional tramitam projetos de lei e emendas à constituição que desmontam a legislação ambiental. Nesse cenário de destruição, ainda há uma lógica perversa. Os mais pobres pagam primeiro a conta do aquecimento global, mas que ninguém se iluda: mais dia, menos dia, a fatura climática chegará para todos.      

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