Chute para fora

Chute para fora

Está cada vez mais difícil acompanhar as transmissões esportivas por conta dos comentários inapropriados feitos por narradores e comentaristas que depois de tantas horas de transmissão deveriam fazer uma leitura melhor das partidas. Paixões à parte, no primeiro jogo da Copa Libertadores, entre Corinthians e São Paulo, o jogador Elias, com a colaboração eficaz de mais três companheiros, fez um gol antológico. Em seis passes rápidos, objetivos, com direito a uma deixada de bola, um toque de primeira por cobertura e um arremate sem deixar a bola cair, os jogadores do Corinthians envolveram toda a defesa do São Paulo. Em vez de reconhecerem a beleza plástica do gol, o narrador, Cleber Machado, e os comentaristas, Caio e Casagrande, passaram o resto do jogo tentando encontrar um culpado pelo gol no time do São Paulo. Insistiram tanto nessa miopia esportiva que, no intervalo do jogo, o repórter Bruno Laurence saiu em busca do culpado. O suposto vilão foi o jogador Maicon do São Paulo que deu uma resposta à altura à tentativa de responsabilizá-lo pelo lance. “— Vocês estão de brincadeira comigo. Eu sou culpado por um gol desses?” A leitura distorcida do trio reflete uma postura muito em voga nos dias de hoje: em vez de se reconhecer as virtudes, gasta-se um tempo enorme tentando encontrar defeitos ou falhas, muitas vezes, onde eles nem existem.

Compartilhar: