Defasagem salarial
Na administração pública municipal, até o que poderia ser simples acaba se tornando uma grande complicação. Ao não reajustar o próprio salário, que serve de teto para o funcionalismo municipal, a prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera, complicou a vida de 100 arquitetos, advogados, engenheiros, fiscais fazendários, procuradores, secretários e do vice-prefeito que estão sem correção salarial desde 2009. Pode ser que a prefeita não necessite de aumento, mas os salários dos demais servidores precisam ser reajustados, um direito de qualquer trabalhador assegurado pela lei. Para atrair gente qualificada em todas as áreas e melhorar o nível da administração, a Prefeitura precisa remunerar os servidores de acordo com as exigências de cada cargo e a receita orçamentária de um município do porte de Ribeirão Preto. O salário bruto de R$ 7.000,00 está defasado para quem ocupa, por exemplo, o cargo de secretário da Saúde ou da Fazenda. A solução é bastante simples e passa pelo reajuste anual dos salários de acordo com os índices de inflação. Evitaria esse desgaste desnecessário de mobilização dos servidores, sessões na Câmara de Vereadores, articulações de bastidores, divulgações de informações distorcidas, uma interminável perda de tempo. Além do mais, amanhã, os servidores que se sentirem prejudicados poderão ingressar na Justiça e, se ganharem a ação, geram a famosa bomba dos direitos retroativos. Por sinal, a atual administração vive reclamando do pagamento de uma dívida trabalhista criada em um governo anterior, que compromete as finanças municipais.