A espetacularização da tragédia 

A espetacularização da tragédia 

A morte do ator Domingos Montagner foi uma tragédia que ganhou grande destaque com direito a transmissão ao vivo pela TV Globo. Por razões óbvias, a morte de um anônimo não repercute da mesma forma que a de uma pessoa famosa, mas o que chama a atenção é o planejamento jornalístico que a tragédia recebe para que possa render pontos de audiência. O ator morreu numa quinta-feira à tarde, mas a aparição da principal testemunha do afogamento, a atriz Camila Pitanga, não ocorreu no mesmo dia ou no dia seguinte como seria de se esperar.

O depoimento da atriz foi estrategicamente guardado para o horário nobre, mais precisamente para o último bloco do Fantástico. No longo depoimento que concedeu, além de contar os detalhes, Camila Pitanga usou e abusou dos recursos cênicos que só um bom ator possui para tornar narrativa envolvente e emocionante. Para que o Ibope “bombe” um pouco mais, no dia seguinte, todos os telejornais de menor audiência exibem novamente trechos do mesmo depoimento. Dessa forma, ampliando a repercussão da fatalidade, a emissora veicula material exclusivo e ganha pontos preciosos no Ibope, mesmo que para isso seja preciso escarafunchar exageradamente a tragédia de um colega de profissão e de trabalho.

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