Mico estatístico

Mico estatístico

A onda de más notícias na conjuntura nacional parece não ter fim. A última veio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que outrora fornecia relevantes informações ao país. Jogando no saco sem fundo da crise, o IBGE suspendeu o censo populacional que estava previsto para 2016, alegando o alto custo de R$ 2,6 bilhões para fazer o censo populacional. Contudo, a contagem do IBGE não serve apenas para confirmar que a população brasileira está aumentando. O levantamento também é uma ferramenta fundamental para a formulação de políticas públicas e a distribuição de verbas per capita para estados e municípios. Portanto, configura um instrumento de justiça social. Também serve para detectar fenômenos populacionais, correntes migratórias entre regiões e outras mudanças no perfil populacional com implicações econômicas. Além do mais, qualquer cidadão minimamente informado conhece a precariedade das estatísticas brasileiras em que as margens de erro, às vezes, alcançam a casa dos milhões. Sem estatísticas precisas, o planejamento estratégico de um país pode virar peça de ficção. Decisões equivocadas podem consumir mais recursos que a pretensa economia do censo. Sem dados confiáveis, o país dá mais um passo na direção dos subdesenvolvidos e, certamente, será olhado com desdém pela opinião pública mundial. A última contagem populacional aconteceu em 2010 e, pelo andar da carruagem, a próxima deve ocorrer em 2020. Nos tempos atuais, de mudanças rápidas, o período de 10 anos é o que se pode chamar de uma eternidade.

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