O Davi de Chapecó

O Davi de Chapecó

Na sua curta existência, a Chapecoense virou um case que deixa lições para o esporte, para a vida e para a política. O primeiro ensinamento demonstra que o dinheiro continua sendo importante, mas não resolve tudo. Com o orçamento modesto, a equipe de Chapecó, pequena cidade do oeste catarinense com 200 mil habitantes, nos últimos anos, conseguiu montar equipes que suplantaram os grandes clubes brasileiros e seus orçamentos milionários. Praticamente todos os times grandes foram batizados pela equipe de Santa Catarina. A segunda lição comprova que a união ainda faz a força. Há 10 anos, o Clube estava endividado, em divisões inferiores do futebol brasileiro. Um grupo sério de pessoas assumiu a gestão e o time foi subindo até chegar à Série A do Brasileiro, onde está há três anos sem correr risco de rebaixamento. A união que começou dentro do clube contagiou a cidade que passou a torcer pelo time com paixão e orgulho. A terceira lição comprova que a experiência ainda tem vez no mundo. Jogadores considerados “velhos” para o futebol como Bruno Rangel e Cleber Santana demonstraram que se pode jogar em alto nível bem acima dos 30 anos. A mesma regra também pode ser aplicada para o mundo corporativo. O quarto ensinamento transmitido pela Chapecoense comprova que os sonhos não podem ser limitados por metas rasas. Ao contrário de muitos clubes que entram em campeonatos montando times “para não cair”, a Chapecoense sempre foi ousada. Depois de se consolidar no Brasileiro, focou em voos mais altos, mais precisamente em um título internacional. Entrou para ganhar a Sul-Americana, desbancou times tradicionais da argentina e estava prestes a colocar a mão na taça quando a tragédia aconteceu. Uma história tão épica, semelhante à de Davi contra Golias, sempre tem um herói. Embora o time inteiro mereça destaque, o competente goleiro Danilo, morto no acidente, com suas salvadoras defesas, encarnava o espírito guerreiro que transformou a Chapecoense em um time simpático, surpreendente, desafiador e bem-sucedido, um caso raro no combalido futebol brasileiro.

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