O jornalismo em revista

O jornalismo em revista

O jornalismo surgiu junto com o começo do mundo. Quando Eva contou para Adão a indecorosa proposta que a serpente havia feito, ela transmitiu uma notícia tendenciosa que influenciou para sempre os destinos do paraíso. A metáfora da mordida da maçã talvez tenha sido a primeira fake news da história. Ainda na editoria da religião, a fé cristã, por exemplo, tem entre os seus pilares os relatos jornalísticos que os quatro apóstolos do novo testamento fizeram sobre a passagem de Jesus Cristo pela Terra. Quando inventou a prensa no Século XV, o alemão Johannes Gutemberg não tinha ideia da transformação que a sua criação provocaria na humanidade. A partir da descoberta dos tipos móveis, o conhecimento não ficou mais restrito ao clero e à nobreza. Espalhou-se pelo mundo. Estava aberto o caminho para a disseminação das informações e da consolidação do jornalismo como parte essencial da vida humana. A arte de contar histórias virou algo tão relevante como o ar que se respira. Por isso, em países democráticos, a proibição da censura e a livre manifestação são direitos garantidos pela própria Constituição.

Através dos séculos, o jornalismo adquiriu múltiplas faces. Se propaga pelas ondas da TV e do rádio, fica marcado nas páginas dos jornais e das revistas e recentemente ganhou a sua versão moderna na internet. Embora possam ser mídias concorrentes na busca pela audiência, elas não são excludentes. O universo da informação e do conhecimento tem alcance ilimitado. O que muda de uma mídia para outra é a forma de transmitir a informação. Não se pode afirmar que há uma mídia melhor ou mais eficiente do que a outra, mas tem aquela que melhor se adapta ao interesse do ouvinte, do espectador, do leitor ou internauta. 

Entre as diversas formas de comunicação, sem diminuir a importância das demais, a arte de escrever ocupa um papel destacado na formação do conhecimento. À mídia impressa cabe um papel reflexivo, analítico, com função de esmiuçar a vida humana em seus detalhes e na sua imensa complexidade. Ao contrário de outros meios mais rápidos e instantâneos, tem o poder de contar e até de interpretar a história. Ao se reportar aos fatos do cotidiano vai se entrelaçando com personagens indistintos que cruzam os caminhos das notícias e das matérias. Por possuir um ávido interesse pela novidade interessante com relevância pública, o jornalismo se alimenta de uma ânsia insaciável pela busca de informações que possam  modificar a realidade.

Algumas vezes consegue e até muda os rumos dos acontecimentos. Outras vezes passa batido, mas mesmo assim, na sua concepção criativa, fica pelo menos o registro para a história. 

Há mais de três décadas, a Revide nasceu com essa chama que pulsa no coração de muitos jornalistas: a de contar boas histórias com a verve e o requinte que só a mídia impressa tem. À medida que o tempo foi passando surgiu a ambição de ser uma referência de comunicação para a cidade e a região. Trinta e quatro anos depois com tiragens semanais de 55 mil exemplares, distribuição regional gratuita e uma cobertura de temas diversificados, da política à economia, da saúde à gastronomia, do esporte aos problemas urbanos, essa missão foi cumprida. Nas 1.000 edições alcançadas com este exemplar, a revista publicou cerca de 100 mil páginas de conteúdos na própria Revide, em livros e outras publicações segmentadas como as revistas de saúde, moda e decoração. Foram incontáveis entrevistas, reportagens, artigos para apresentar aos leitores um recorte do universo regional.

Por trás desse contato semanal que se consolidou há mais de três décadas,  existe uma extensa cadeia produtiva que envolve fornecedores, agências de comunicação, anunciantes, entidades públicas e privadas, jornalistas, designers, fotógrafos, contatos publicitários, bancas, entregadores, distribuidores. Toda semana essa produção gira a partir de uma pauta, de uma ideia que ganha forma em uma reportagem que vai para nas páginas da revista até chegar às mãos dos leitores. A partir deste ponto, o conteúdo foi entregue e ninguém sabe ao certo até aonde vai o poder transformador do jornalismo de revista. O que dá para afirmar com certeza é que em mil edições a região de Ribeirão Preto foi passada em revista nas páginas da Revide. 

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