O pico do caos

O pico do caos

A situação que parecia inimaginável está ocorrendo. Para tocar a vida para frente, todos precisam de uma dose de otimismo, achar que no futuro as coisas vão melhorar. Infelizmente, não foi isso que ocorreu. Depois de um ano de pandemia, a sensação era de que o pior já havia passado e que a vida se encaminhava à normalidade. Por brigas políticas, falta de planejamento do governo federal e de interesse em antecipar a compra de vacinas, a pandemia saiu de controle e o país mergulha no caos sanitário. Apesar das negativas governamentais, até mesmo em São Paulo, o Estado mais rico do país, pessoas começam a morrer à espera de um leito de terapia intensiva. Em vários estados a situação é dramática com hospitais lotados e profissionais esgotados física e mentalmente. A vacinação anda a passos lentos e corre o risco de ser interrompida por falta de doses. Em Ribeirão Preto, menos de 10% do público alvo foi vacinado.

Não foi por falta de aviso. Desde fevereiro de 2020, a esmagadora maioria dos infectologistas, médicos e profissionais sérios e responsáveis de saúde alertou para o risco que o país corria, caso não fossem tomadas as providências que a gravidade da situação exigia. O rumo escolhido foi justamente o contrário com o mais alto mandatário do país menosprezando os efeitos da Covid 19, troca de ministros, falta de transparência nas ações, culminando com a escolha de um militar sem experiência na área para o Ministério da Saúde. Certamente o Brasil não passaria incólume por uma epidemia tão devastadora e não haveria como evitar as perdas de milhares de vidas. Contudo, se ações governamentais tivessem sido mais eficientes e as pessoas mais responsáveis com a própria saúde hoje o país não estaria se encaminhando para os 300 mil óbitos.

A culpa e as responsabilidades também precisam ser divididas. Enganada por mensagens falsas divulgadas na internet, vídeos de WhatsApp e “curas” sem comprovação científica, uma parcela expressiva da população não se sensibilizou com os apelos dos profissionais da saúde para manter as regras de isolamento e o distanciamento social. Trilhou o caminho da indiferença com exposições desnecessárias ao risco. Além do trágico saldo do número de mortes, a pandemia demonstrou que falta solidariedade, conhecimento e empatia tanto na esfera pública quanto na privada. São lições que estamos aprendendo a um custo alto demais.

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