Patriotada

Patriotada

O técnico Luiz Felipe Scolari tem fama de sargentão e de autoritário. Fora do campo, o treinador tem posições conservadoras e reacionárias. A última foi em relação ao jogador Diego Costa, do Atlético de Madri, que abriu mão de jogar pela Seleção Brasileira e vai atuar pela Seleção Espanhola. O jogador deve ter seus motivos e fez a sua opção. As declarações de Felipão puseram o atleta contra a opinião pública. Só a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pode usar e abusar dos jogadores que são chamados por um ou dois jogos e depois são dispensados para sempre sem nenhuma explicação? Por acaso são traidores da pátria os cinco milhões de brasileiros que foram viver em outros países por falta de oportunidades no país? A pátria amada a que Felipão se refere é a que está gastando bilhões de reais em estádios de futebol, enquanto milhares de pessoas morrem por falta de estrutura dos hospitais? A CBF, sobre a qual pesam inúmeras acusações de corrupção, tem moral para cobrar o patriotismo de alguém? Idem para o presidente José Maria Marin envolvido com a tortura na época da ditadura militar. Não há motivo para polêmica e nem para perseguição do jogador paraibano que foi sincero. Não quer jogar, chama o próximo da lista e deixa o ambíguo conceito de patriotismo de lado. Não existe uma pátria única que precisa ser defendida a qualquer preço. Depende da situação, se é uma guerra ou só os jogos da Seleção.

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