Como enfrentar, financeiramente e emocionalmente, a perda do emprego

Como enfrentar, financeiramente e emocionalmente, a perda do emprego

Seja de um trabalho fixo, seja de um emprego temporário, logo após a demissão é natural surgirem muitas incertezas financeiras. Nesse momento, segundo Bruna Beluco, em matéria para o UOL, o ideal é tentar manter a calma e começar a se planejar, para viver com tranquilidade até a recolocação no mercado de trabalho.

Para começar, é importante analisar e listar todos seus ganhos e gastos mensais. "Isso significa mapear quanto dinheiro existe disponível ou você ainda irá receber — como rescisão, FGTS, seguro-desemprego e reservas — e comparar com o custo mensal de vida", explica Diego Endrigo, planejador financeiro certificado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro.

Segundo Endrigo, se a pessoa possui R$ 60 mil disponíveis e um custo mensal de R$ 5 mil, ela possui cerca de 12 meses de fôlego financeiro. Esse cálculo é fundamental para orientar todas as decisões seguintes.

Em seguida, a pessoa deve buscar cortar despesas que não são essenciais. A ideia é manter uma estratégia simples: reduzir gastos e ganhar tempo durante a procura por um novo trabalho.

A seguir, são fornecidas cinco dicas elaboradas pelo UOL para a pessoa não passar por tantas dificuldades depois de uma demissão:

1) Saiba quais são seus gastos essenciais: Dívidas como aluguel ou financiamento de imóvel, gastos com alimentação e contas básicas (luz, água e internet) são prioridade e não podem ser deixadas de lado. Nessa categoria entram também gastos com saúde, como remédios de uso regular, e o valor necessário para o transporte essencial;

"Durante esse período sem renda, é fundamental reduzir despesas e adequar o padrão de vida, já que não há entrada de dinheiro", explica Myrian Lund, planejadora financeira e professora da FGV. Como não se sabe quanto tempo será necessário viver com a reserva de emergência, o controle financeiro precisa ser rigoroso.

2) Preste atenção em contas "invisíveis": Na hora de calcular todas as despesas, muitas pessoas esquecem de incluir contas como: IPTU, IPVA, seguros, valores de manutenções de carro ou imóvel, despesas escolares dos filhos além da mensalidade (material didático, rematrícula, festa de fim de ano) e assinaturas anuais de streaming, por exemplo. Esses custos esquecidos podem comprometer o planejamento, ainda mais no começo de ano, em que as contas aumentam e se acumulam.

3) Rescisão não é renda extra: Na rescisão de um contrato, é de responsabilidade das empresas depositar ao colaborador os valores correspondentes aos benefícios da carteira assinada. Com isso, e sem o salário, o trabalhador precisa se organizar para administrar os valores recebidos até uma nova contratação. "Para quem está no início da carreira, a recolocação tende a ser mais rápida. Já quem ocupa cargos de chefia ou posições mais altas pode levar mais tempo para conseguir um novo emprego", explica a professora de finanças. Por conta disso, os valores recebidos após o acerto de contas precisam ser administrados para te dar suporte durante todo o período de procura por emprego e não podem ser comparados a bônus salariais.

Usar a rescisão como se fosse 'dinheiro extra' e tomar decisões impulsivas, como resgatar investimentos sem planejamento, estão entre os erros mais comuns cometidos por quem acabou de ser demitido, comenta Endrigo.

4) Não faça novas dívidas: Após a demissão, mais importante do que cortar gastos é evitar criar novas dívidas. Além disso, faturas com juros altos, como as de cartões de crédito, precisam ser pagas com urgência. Já as dívidas com juros baixos podem ser renegociadas. A orientação é nunca recorrer a empréstimos, cheque especial ou crédito fácil, explica Myrian Lund, professora de finanças da FGV.

Bancos e credores costumam oferecer melhores condições, alongar prazos e reduzir juros. Nesses casos, ajustar o pagamento das parcelas ou quitá-las pode ajudar a preservar a sua reserva financeira.

5) Busque uma renda extra: É sempre uma boa ideia tentar buscar novas formas de renda, mesmo que temporárias. Até a recontratação, trabalhar como autônomo pode garantir o pagamento das faturas essenciais e aliviar as contas no fim do mês sem mexer na reserva de emergência. Nesses casos, é possível prestar serviços dentro da sua área de atuação ou experimentar uma nova carreira.

Outro ponto primordial durante esse período difícil é cuidar da saúde mental.  Essa atitude é fundamental para preservar o equilíbrio emocional e a autoconfiança diante das incertezas. Esse momento pode gerar ansiedade, insegurança e até sentimentos de incapacidade, mas cuidar da mente ajuda a enfrentar os desafios com mais clareza e resiliência.

Estabelecer uma rotina, praticar atividades físicas e manter conexões sociais são atitudes que contribuem para reduzir o estresse e fortalecer o ânimo. Além disso, investir em aprendizado e desenvolvimento pessoal mantém a motivação ativa e amplia as oportunidades futuras. Buscar apoio da família, amigos ou até de profissionais também é um passo importante para não enfrentar esse período sozinho. Cuidar da saúde mental não apenas melhora o bem-estar no presente, mas também prepara a pessoa para retornar ao mercado de trabalho com mais confiança e equilíbrio.

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