O custo financeiro de ser mulher
Segundo Gabriel Riva, em matéria para o UOL, quando indagados, a maioria dos homens tende a afirmar que as mulheres ao seu redor, sejam elas esposas, amigas ou familiares, têm uma tendência a gastar mais. Mas você já parou para refletir sobre a realidade por trás dessa percepção e os tabus que a envolvem?
“Ao explorar mais a fundo esse tema, descobre-se que a questão não é tão simples quanto parece. Sim, em uma análise superficial, pode parecer que mulheres gastam mais, mas quando consideramos o contexto mais amplo, uma narrativa diferente começa a surgir”, afirma Riva.
Remuneração: em primeiro lugar, é crucial reconhecer que a desigualdade de gênero ainda é presente em nossa sociedade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a remuneração recebida pelas mulheres representa, em média, 78% do rendimento dos homens, isto é, uma diferença de mais de 20%. Essa é uma realidade incontestável que afeta sua capacidade econômica global.
Gastos: um rímel por 50 reais, corretivo por mais 30 reais e blush por outros 50. Um creme anti-idade por 100. Fora o batom, as roupas, os sapatos, os acessórios, os óleos corporais e faciais, os gastos semanais com manicure, cremes para cabelo etc. Ser mulher custa caro. E, segundo o site da Contee, ignorar os padrões de beleza pode custar ainda mais caro para a vida profissional.
Não é mito. Pesquisas mostram que mulheres precisam se preocupar bem mais com as roupas e a aparência para ir ao trabalho do que homens. Uma empresa australiana perguntou a 2 mil mulheres sobre sua relação com chefes e 28% delas já escutaram que “mudanças na aparência seriam boas para a empresa”, 20% sentiram que seus chefes repararam em sua aparência mais do que fazem com funcionários homens e outras 8% já foram aconselhadas a usar mais maquiagem para parecerem mais bonitas.
“Ainda há muito sexismo dentro do ambiente de trabalho. Entre as frases mais sexistas que as mulheres escutam está ‘se arruma amanhã que tem reunião com o cliente’”, conta Carolina Sandler, fundadora do site Finanças Femininas. “Nós precisamos gastar mais com roupas, com manicure. Blush, rímel não são coisas supérfluas, servem para conseguir crescer no emprego nessa cultura que valoriza tanto o corpo e a beleza”, conclui.
Pink Tax (Tributo Rosa): segundo o site Meu Bolso em Dia, a expressão pink tax é usada para quando pagamos mais caro por produtos destinados à mulheres e meninas. O termo ganhou força e passou a ser mais usado a partir de 2014, em uma campanha francesa liderada por Georgette Sand, que postava em seu blog flagrantes de produtos com usos idênticos, mas que eram mais caros na versão tida como feminina.
O debate que começou na França rapidamente se espalhou para outros países e ganhou ainda mais destaque quando o Departamento dos Consumidores da cidade de Nova York divulgou um estudo em 2015, mostrando que os produtos femininos custavam, em média, 7% a mais do que os produtos masculinos similares.
Além disso, é fundamental compreender um equívoco comum que transcende gêneros: a ideia de que o consumismo é uma característica exclusivamente feminina. Essa noção, além de ser uma generalização injusta, ignora as complexidades do comportamento humano em relação ao consumo. “O consumismo, definido como a tendência a adquirir bens e serviços em excesso, é uma questão que pode afetar qualquer pessoa, independentemente do gênero”, conclui Riva.