O RH precisa auxiliar os endividados
Segundo uma pesquisa encomendada pelo Serasa, 78% dos inadimplentes têm surtos de pensamentos negativos por causa de compromissos que já passaram do vencimento; 61% têm crises de ansiedade ao pensar nas dívidas; e 74% relatam dificuldade de concentração para realizar tarefas diárias – principalmente as atividades relacionadas ao trabalho. E isso, claro, é um transtorno para o profissional, mas também para a empresa.
Um estudo britânico de 2021 apontou os riscos para a organização de ter um profissional sempre com a cabeça nas contas. Ele tem uma queda de 29 dias de produtividade no ano (é como se passasse um mês sem trabalhar para a empresa, porque está ocupado lidando com seus problemas financeiros). Essa pessoa também está sempre de olho em empregos que paguem mais, para melhorar sua situação, o que aumenta o turnover e os custos do negócio com recrutamento. Mais recrutamento, mais gente nova, mais custos também com treinamento.
Esse endividado acaba sendo um problema para seu gestor e para o ambiente corporativo. Ele tem uma probabilidade 7,5 vezes maior de perder qualidade nos trabalhos diários, e 8,7 vezes maior de nem conseguir terminar as tarefas pelas quais é responsável. Ou seja, ele se torna um profissional pior. E acaba contaminando o ambiente também.
Ainda segundo o mesmo estudo, uma pessoa preocupada com suas dívidas tem um risco 6,5 vezes maior de ter conflitos de relacionamento com colegas e gestores. Esse comportamento está ligado a um conjunto de emoções chamado “tensão financeira”. Envolve culpa, vergonha, sensações de inadequação e fracasso. Sentimentos que afetam negativamente a autoconfiança e a autoestima do profissional. E ele pode querer descontar essa negatividade na empresa. Ou no chefe, ou no colega mais próximo.
Todos esses sentimentos negativos vão se acumulando e derivam para problemas de saúde física e mental. Transtornos que vão afetar seu prazer de viver e sua alegria com o trabalho – e que não podem ser ignorados pela empresa.
Portanto, diante desse cenário catastrófico, segundo Alexandre Carvalho, em matéria para a Você RH, é responsabilidade do RH e das lideranças das empresas identificar os casos mais críticos e apoiá-los. Paralelamente, também podem promover uma série de iniciativas que tanto ajudem as pessoas a sair dessa areia movediça quanto evitem que elas entrem na bola de neve. Ações que terão um impacto positivo em tanta gente desesperada.
Para o coletivo da empresa, o mais indicado é promover a educação financeira entre os funcionários. Uma iniciativa que precisa ter constância e contar com a adesão dos líderes. “O RH também pode procurar uma assessoria que ajude os interessados, orientando-os individualmente sobre como lidar com as dívidas. Esse profissional lhes mostraria quais débitos pagar primeiro, que programas do governo podem ajudá-los a melhorar a situação, como trocar empréstimos de juros altos por opções de juros menores”, comenta Carvalho.
A chave é que os colaboradores percebam, de fato, que seus problemas financeiros têm impacto em sua performance no trabalho – a não ser que eles os encarem de frente. Quando a empresa os ajuda a sair dessa situação, promove uma transformação completa na vida do indivíduo, que vai da sua saúde física e mental à sua felicidade no dia a dia. “Além de tirar esses profissionais do poço em que se meteram, a empresa garantirá melhores condições para uma conquista preciosa: recuperar o melhor das suas habilidades profissionais”, finaliza Carvalho.