Furacão em Nova Iorque.

Furacão em Nova Iorque.

Peço licença aos leitores deste espaço para narrar alguns fatos que presenciei na última semana, quando a passeio pela cidade de Nova Iorque.

Sim, o furacão aconteceu e foi nefasto em algumas regiões. Talvez não tenha acontecido com a intensidade que as autoridades previam - felizmente, mas aconteceu.

Como espectador daquilo tudo, confesso, fiquei confuso e, claro, apreensivo. Como assim, um furacão? Depois de dez dias curtindo as maravilhas da cidade, a ultima coisa que poderia imaginar é que testemunharia uma fúria da natureza.

Nos hotéis, nos noticiários televisivos locais, as recomendações eram sempre muito severas: não saiam de casa! Fechem tudo! Protejam-se em lugares seguros! Evacuem as áreas de risco!

A partir da noite de domingo (28), até a terça-feira (30), aquela megalópole que nunca dorme ficou paralisada. Times Square, de tanto agito e milhares de pessoas por minuto, se reduziu a presença de poucos curiosos que, como nós, turistas, buscavam compreender a dimensão daquilo tudo.

As linhas de metrôs foram paralisadas, assim como as de ônibus. Locais públicos, tal qual o belíssimo Central Park, foram fechados pelas autoridades, da mesma forma que os três aeroportos internacionais que servem à cidade: o JFK, o LaGuardia e o Newark. Até a Bolsa de Valores suspendeu suas atividades, dando a dimensão exata da preocupação, mesmo ante os possíveis milionários prejuízos financeiros.

Com a paralisação dos serviços públicos, consequentemente, todos os demais serviços restaram diretamente prejudicados. Escritórios, bancos, lojas e restaurantes fechados e até os famosos espetáculos da Broadway foram suspensos. Enfim, o cenário era assustador.

O que se noticiava era uma tormenta de grandes proporções, a maior dos últimos 30 anos na cidade. Felizmente, não foi tudo isso e de "hurricane" passou a se falar em "superstrorm". Menos mal.

Impressionou a velocidade e as estruturas montadas. Em poucas horas, imensos ginásios e escolas foram transformados em locais equipados para receber possíveis desabrigados. Equipes inteiras de voluntários e paramédicos convocados e a postos. Exemplo de organização estatal e respeito à cidadania.

O fato é que tanto a população como o Governo americano levam muito a serio - como tem que ser, afinal - a possibilidade de grandes desastres naturais. A segurança da população sempre esteve em primeiro lugar e disso, em que pesem alguns transtornos que isso possa causar, tem que ser louvado.

Também louvável o direito a informação. A defesa civil de prontidão atendia em linha direta e com velocidade impressionante. Mesmos os turistas tiveram a seu dispor acesso a toda informação, inclusive no contato com aeroportos e companhias aéreas, assim como informações nos lobbys dos hotéis. A televisão transmitia a evolução da tormenta 24hs, sem apelo sensacionalista.

Mas nós, turistas, insistíamos em não acreditar muito naquilo tudo. Muito em decorrência do pouco efeito verificado em Manhattan, centro de concentração turística.

Alias, em Manhattan, especialmente na região de Times Square, pouco ou quase nada se viu. Chuva fina, com algum vento um pouco mais violento e só. Nenhuma tempestade, nenhum ciclone ou coisa que o valha. Houve sim alguma inundação em algumas ruas e estações de metrô em áreas mais próximas à costa, mas nada catastrófico.

A única ocorrência visualizada foi a quebra de um guindaste no alto do 80º andar de um edifício em construção que virou, na quarta-feira, ponto turístico para fotos e aglomeração de pessoas, tal como tudo que acontece em Nova Iorque.

Bastante diferente do que se viu ao redor de Manhattan onde, de verdade, houve destruição e até mortes. Sim, fora do grande centro turístico e financeiro, regiões foram devastadas, houve falta de energia e de abastecimento de água.

Também lá, assim como ocorre por aqui, analistas divagavam sobre a possibilidade do uso político do episódio como forma de angariar votos ao candidato e atual Presidente Barack Obama. Afinal, estão os Estados Unidos em meio a um equilibrado processo eleitoral e poderia - segundo alguns analistas - ter o Governo exagerado nas ações até como forma de confrontar as medidas de seu antecessor, o republicano Bush, tão criticado por ocasião da passagem do furacão Katrina no ano de 2005, que duramente atingiu a cidade de Nova Orleans, deixando uma vasta área de destruição e mortes.

Na quarta-feira (31) Manhattan amanheceu já como antes, dinâmica, austera, a duzentos quilômetros por hora e linda! A vida voltava ao seu ritmo normal, mesmo com alguma deficiência no transporte público ainda funcionando parcialmente.

Felizmente pra nós, tudo se resolveu da melhor forma e em segurança. Os vôos foram remarcados e cá estamos, no portão de embarque 14 do aeroporto JFK escrevendo essas poucas linhas, olhando, do lado de fora, um dia claro de céu azul. Hora de voltar pra casa! 

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