Carlos Eduardo Leal
Tinha sobre os ombros o peso do esquecimento dos fatos. Viver também pesa. Às vezes mais do que a morte. Da última vez que morri carreguei todas as palavras que conhecia e as deixei nas areias de uma praia que não lembro o nome. Já disse: o esquecimento é uma palavra desnecessária para quem deve inventar novas palavras. Agora vou sair para dançar como fazem os índios quando querem chuva. Eu preciso de palavras. Eu preciso de uma chuva delas. Pode ser uma tormenta: assim também é a vida. Transbordo de palavras na ventania de nosso entardecer. Eu vou...
Carlos Eduardo Leal
Psicanalista, escritor e artista plástico