Dança Circular-crônica-Cristiane Framartino Bezerra
Dança circular
Costumo repetir que “tudo o que me acontece me favorece!” Com isto, seja bom ou ruim, apenas observo cada momento e extraio seus ensinamentos e suas lições.
Sem dúvida, o mais difícil é lidar com meus egos, melindres, com o que não sai bem do jeito que eu gostaria. Aí, paro, resmungo um pouco com Deus e sigo adiante.
Talvez por este senso de observação se desenvolvendo, aproveito tudo o que o Universo traz como dádiva.
Usufruo, celebro, agradeço e devolvo. Exatamente assim. Tudo é impermanente, transitório, tudo nesta existência tem prazo de validade.
Porém, há momentos que se eternizam.
Aquele beijo desesperadamente apaixonado, por exemplo, numa boca que tem exatamente a mesma medida de paixão que a nossa! Nunca mais sairá da tela mental. O beijo ficou num dia determinado. Mas marcou com fogo tão ardente que se registrou pra sempre!
Ou um pôr do sol avermelhado, redondo e pleno de beleza... Gradativamente, aquela “bolona” desmanchando-se lentamente no mar... Como esquecer?
Só fechar os olhos e inspirar profundamente!
Eis o beijo de volta! Eis o pôr do sol!
Assim, no meio de tantos presentes preciosos dos últimos tempos, como encontrar, pelas mãos da Roberta Galvão, “José, Maria e Jesus”, como Kalini, seu marido e Yasmin (que está pra chegar)! Tirá-los das ruas e dar vida nova está sendo uma benção mais para nós do que para eles!
Aí, veio o convite do amigo Cacildo para eu participar de um Baile em Bebedouro, de “Dança Circular”! Em poucos minutos mudei completamente a programação do sábado e fomos nos aventurar estrada afora.
Um oásis no meio da cidade! Chácara Furquim.
Uma varanda feita de amor, fitas, luzes e paz! Pessoas dançando ao redor de uma fogueira simbólica, feita com velinhas acesas, galhos de árvores dispostos harmonicamente com enfeites coloridos e vibrantes!
E dançamos! Celebramos a plantação e a colheita da generosidade, da gentileza, do amor!
Cantamos, dançamos, sorrimos, trocamos energias – recarregamos as baterias dos nossos corações e das nossas almas.
Árvores, estrelas, gente bem jovem, gente mais velha. Homens, mulheres, sem perguntas sobre credos, partidos políticos, convicções quaisquer. Apenas celebrando! E rodando!
Dança russa, grega, brasileira, sem a preocupação de dançar no passo certo, sentindo a música apenas e de repente, a roda estava perfeita, em sintonia total.
Percebi então que já estive em outras “rodas” antes. Quando as mulheres reuniam-se nas florestas e celebravam as colheitas e a vida!
...”Semente, semente, semente, semente... Se não mente, fala a verdade, de que árvore você nasceu!”...
Eu nasci da seiva da vida plena, abundante, perfeita! Que recolhe com amor tudo o que a vida traz e vai transformando devagar e sem pressa no melhor possível!
A minha árvore é grande, cheinha de galhos tortos, mas com folhas e frutos abundantes. Quem quiser descansar à sua sombra, pode ficar à vontade!
Assim, unidos à terra, ao fogo, ao ar e à água, giraremos, rodaremos num círculo, numa ciranda de amor e luz, celebrando a dádiva de estar vivo, juntando outras árvores e outros tantos momentos, que embora passem, ficam eternos na alma!
Cristiane Framartino Bezerra---Historiadora, escritora, angelóloga