BIG BROTHER NAS ESCOLAS--SUELY BURIASCO

BIG BROTHER NAS ESCOLAS: Não há como negar que as conversas sobre o Big Brother Brasil acendem o ânimo da garotada e não é para menos, afinal, são tantos atrativos, como a casa (a cada versão mais bonita), o clima competitivo e o apelo sensual. Tudo muito ao gosto juvenil, entretanto, pouco saudável e é nisso a que se atém a preocupação de pais e educadores.

 

Alguns pais optam por proibir que seus filhos assistam ao programa em casa, mas é preciso lembrar que isso não impede que eles acompanhem os acontecimentos por meio da internet e de conversas com os amigos. Penso que pela proporção que o programa atinge nossos jovens, a escola também deve estar preparada para agir no sentido de abrandar possíveis influências negativas na formação do caráter de seus alunos.

 

Segundo Paulo Freire, “a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. É assim que a escola, como uma unidade da sociedade, não pode educar ignorando a realidade que cerca o mundo de seus pupilos. Sendo o Big Brother o assunto do momento, por que não transformar o jogo em âncora de um projeto pedagógico? Penso num trabalho pelo qual assuntos tais como ética, moral, comportamento e competitividade pudessem ser discutidos, não como lição, muito menos como imposição de ideias; mas, sobretudo como formação de pensamento. Para tanto, o professor deve se retirar do papel de fonte informadora, tornando-se acessível às opiniões e aos comentários dos alunos. Num caminho inverso, o educador deve buscar tirar deles as informações e ouvir com muita atenção no sentido de compreender o que precisa ser trabalhado junto a eles. Quando o professor se aproxima de seus alunos através de interesses em comum, estabelece uma linha nítida e eficaz de comunicação e, dessa forma, consegue traçar objetivos precisos a serem atingidos no processo educacional.

 

Assim, longe de censurar essa ou aquela atitude dos participantes do programa, o papel do educador é o de levantar hipóteses e questões que façam o educando pensar com maior maturidade sobre o assunto. Se só criticar, não será levado em consideração; mas se usar da situação para levantar um debate construtivo, terá todas as possibilidades de ter a atenção de seus alunos. Uma conversa informal, na qual o respeito às opiniões seja privilegiado, pode ser muito mais proveitosa do que uma aula ou mesmo um conteúdo disciplinar.

 

Penso que é por meio da educação que o indivíduo constrói sua consciência crítica frente ao mundo e isso só será alcançado plenamente se o educador se dispuser a organizar os conteúdos coletados na própria sociedade de forma a despertar o interesse dos alunos.

 

Autora: Suely Buriasco é mediadora de conflitos e educadora.

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Renata Carone Sborgia
Por Renata Carone Sborgia Graduada em Direito e Letras, mestra USP, especialista em Língua Portuguesa e Educadora , e-mail:[email protected]
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