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Por que não cuidar da saúde antes que vire doença?

No mês de Novembro é realizada a campanha de conscientização sobre o câncer de próstata, conhecida como Novembro Azul. Sabe-se que campanhas como esta representam um momento no ano para reforçar a importância do autocuidado e da realização de consultas e exames preventivos, que são essenciais para o diagnóstico precoce de doenças como o câncer.

Isso parece algo já muito falado e discutido em nossa sociedade, mas você sabia que um estudo realizado este ano pela Sociedade Brasileira de Urologia mostrou que 51% dos homens nunca consultou um urologista? Além disso, o câncer de próstata é a doença mais prevalente nos homens, correspondendo a uma estimativa de 69 mil casos novos ao ano. Esse número assusta, não é mesmo? Isso me faz pensar no quanto o preconceito ainda está presente no universo masculino. Muito desse preconceito tem se diluído, mas ainda vejo uma sociedade muito crítica e preconceituosa em determinados aspectos. Um levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo mostra que 70% das pessoas do sexo masculino que procuram um consultório médico tiveram a influência da mulher ou de filhos. O estudo também revela que mais da metade desses pacientes adiaram a ida ao médico e quando foram já estavam com doenças em estágio avançado.

Portanto, há ainda um entrave em relação as cuidados com a saúde e, principalmente, em termos de promoção de saúde e prevenção de doenças, pois depois que a patologia já está instalada os homens até procuram um profissional de saúde, mas e antes de chegar a esse ponto, o que o serviço de saúde pode oferecer para a população?

Posso dizer um pouco da minha experiência na Residência Multiprofissional, em que vivenciei na prática por dois anos ações de promoção de saúde na comunidade. Esta experiência ajudou a ampliar ainda mais meu olhar sobre a importância de trabalhar com promoção de saúde.  Em relação aos homens, posso dizer que ainda há menor adesão às ações individuais e coletivas quando comparado às mulheres, no entanto tive o privilégio de vivenciar, no núcleo de saúde em que trabalhava, um grupo exclusivo para homens que tinha um grande número de usuários, os quais aderiam de forma satisfatória às ações da equipe de saúde.

Pude perceber com eles que homens que participam dessas ações, mesmo que não frequentem sempre os grupos, possuem maior qualidade de vida, maior proximidade com a comunidade, visto que vários moradores do bairro participam das atividades propostas e também maior participação social, pois recebem informações e orientações sobre políticas, direitos e deveres, que antes não sabiam que existiam.

Portanto, hoje, gostaria de chamar a atenção não só para a importância dos homens realizarem exames e consultas regulares, mas para toda população refletir sobre a inversão que vem acontecendo em nosso sistema de saúde. Ao invés de buscar o médico para realizar uma consulta preventiva, a maioria busca já com algum tipo de adoecimento instalado e que muitas vezes não tem a mesma possibilidade de sucesso no tratamento caso tivesse sido diagnosticado mais cedo.

Para finalizar, vale reforçar que a noção de saúde é muito mais ampla do que se imagina, pois não é a mera ausência de doenças, mas sim o bem-estar físico, mental e social. Lembrando disso e buscando nas ações do dia a dia este cuidado e ímpeto para viver aumenta-se consideravelmente a chance de ser ter uma vida com maior qualidade, autonomia e bem-estar.

Vamos tentar mudar esse padrão? Por uma sociedade que se cuide mais e que lembre da saúde não apenas no momento da doença!

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Roberta Rodrigues de Almeida
Por Roberta Rodrigues de Almeida Psicóloga , e-mail:[email protected]
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