Aprendizado desafiador

Aprendizado desafiador

A secretária municipal da Educação, Luciana Andrade Rodrigues prioriza as formações integral, dos alunos, e continuada, dos docentes, além de defender o uso da tecnologia como instrumento de ensino

“O processo de ensino e de aprendizagem também está ligado a uma formação mais humana”, reforça LucianaEquilibrar as questões relativas ao acesso a creches, pré-escolas e instituições dedicadas ao Ensino Fundamental, ofertando qualidade e estrutura adequada ao ensino, está entre os principais desafios de Luciana Andrade Rodrigues. Depois de mais de 26 anos dedicados ao Magistério, a atual secretária municipal da Educação tem a missão de comandar uma estrutura com 109 escolas municipais e 20 entidades conveniadas para atendimento de Educação Infantil, que somam 45.317 alunos matriculados. Para atender à demanda, conta com 3.147 professores. 

A rede municipal de ensino oferece educação integral em 35 Centros de Educação Infantil (CEIs) e quatro Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs), além de outras 20 EMEIs com atendimento integral e parcial. Orçamento estimado em R$ 510.773.814,00 para 2018, déficit de vagas e de profissionais para determinados cargos e estrutura precária em algumas unidades de ensino são alguns dos problemas encontrados pela secretária ao assumir o cargo, no dia 4 de dezembro de 2017. 

Graduada em Pedagogia, Luciana tem especialização em Didática e Metodologia do Ensino Superior e mestrado em Distúrbios do Desenvolvimento. Professora concursada da rede municipal de ensino, atua junto a alunos com deficiência auditiva desde 1991. Foi coordenadora do Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS), graças a uma parceria do Ministério da Educação com a Secretaria Municipal da Educação, durante seis anos. 

Em 2017, dirigiu o Centro de Educação Especial e Ensino Fundamental (CEEEF) Egydio Pedreschi. Com experiência na área e ênfase em educação inclusiva, a secretária já atuou em diversas frentes, como educação, formação de professores, inclusão, educação especial, libras, tecnologia assistiva e comunicação alternativa. 

Revide: Depois de mais de 26 anos dedicados à educação municipal, como se sente do outro lado da mesa?
Luciana:
Estar à frente da Secretaria Municipal da Educação de uma cidade do porte de Ribeirão Preto é uma grande responsabilidade para qualquer profissional, pois a função exige mais do que conhecimento em educação. É preciso ter uma macrovisão da cidade, de seus desafios e das políticas públicas a serem implementadas. Para mim, que dediquei quase 27 anos de trabalho à rede municipal como professora, é também uma grande motivação. Trata-se de um aprendizado constante e desafiador, com o apoio de uma equipe dedicada e comprometida com a melhoria da rede municipal. 

Quais os principais desafios e metas da Secretaria para 2018?
Temos como objetivo conquistar três medalhas na pasta, sendo elas a formação integral dos alunos, a formação continuada dos docentes e o uso de tecnologias como instrumento de educação. Para alcançar a primeira, pensamos não somente em educação, mas também na importância do esporte e da cultura e, nesse processo, estamos estabelecendo parceiras com as respectivas secretarias municipais. Com relação à formação dos docentes, temos a atuação da Comissão de Acompanhamento em Avaliação e Formação Docente (CAAF), que objetiva estruturar e acompanhar, em articulação com as unidades escolares, as políticas de formação continuada dos professores. Quanto ao uso de recursos tecnológicos, priorizaremos a recuperação dos laboratórios de informática das escolas municipais e colocá-los em funcionamento em curto espaço de tempo.

A educação infantil e a melhora dos indicadores de formação dos professores é o foco da sua gestão?
Sem dúvida! Nossa meta é justamente, a conquista das três medalhas acima mencionadas.

Em relação aos indicadores do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), como reverter a situação, que mostra estagnação?
Em primeiro lugar, devemos voltar o olhar para a alfabetização e o letramento. Além disso, é preciso entender que o processo de ensino e aprendizagem também está ligado a outras questões, como o oferecimento de uma formação humana aos alunos, e não apenas de conteúdos educacionais. A reversão deste quadro passa, ainda, pela estrutura física das escolas, pela formação dos docentes, pela gestão escolar, pela leitura que se faz do ambiente externo e pela busca de alternativas dentro da própria escola para ajudar os alunos no entendimento de sua relação com a educação. 

Em relação à formação do professor, de quais ferramentas a Secretaria dispõe?
A pasta disponibiliza formação on-line para professores municipais, ambiente virtual de aprendizagem que está funcionando desde 1º de março. A ferramenta foi desenvolvida na plataforma Moodle (Modular Object Oriented Distance Learning), um software livre e, portanto, sem custos, de apoio à aprendizagem. Os professores poderão usar o sistema para a prática do Trabalho Docente Coletivo (TDC) Formação, uma das quatro modalidades oferecidas aos profissionais da rede municipal. Além da parte didática, os professores poderão utilizar outras funcionalidades da plataforma, como a biblioteca e as notícias sobre a rede municipal de ensino, além de acessar com mais facilidade as legislações que regem a Educação. Outra iniciativa é a criação do Centro de Acompanhamento em Avaliação e Formação Docente (CAAF), que tem como principal objetivo estruturar e acompanhar, em articulação com as unidades escolares, as políticas de formação continuada de docentes, a avaliação e o acompanhamento pedagógico e curricular da rede municipal de ensino de Ribeirão Preto.

A questão dos uniformes já foi resolvida? De que forma?
As bermudas estão sendo entregues nas unidades escolares desde janeiro e a entrega das camisetas começou no dia 19 de fevereiro, com previsão de conclusão no dia 15 de março. Os alunos receberão duas bermudas e quatro camisetas cada. A Secretaria da Educação investiu R$ 1.617.999,16 na aquisição dos uniformes. O planejamento para 2019 já está sendo feito para evitar novos atrasos na entrega.

Cada aluno da rede receberá duas bermudas e quatro camisetas No início do ano, quase 300 alunos do Ensino Fundamental e cerca de 100 do infantil (pré-escola) estavam fora da sala de aula por falta de matrícula. Além disso, outras 3,5 mil crianças aguardam por uma vaga em creche. Como fica esta situação em 2018?
O atendimento do Ensino Fundamental é compartilhado entre as redes municipal e estadual de ensino, o que permite o atendimento total da demanda. Na pré-escola, o atendimento é feito pela rede municipal e também deve ser universalizado, com garantia de vaga à demanda manifesta. Com relação ao atendimento de creche, a Secretaria Municipal da Educação vai avançar com novas construções, como uma unidade no Jardim Marchesi, que já está em licitação. A nova creche terá capacidade para atender a 140 crianças de até três anos de idade e ocupará um terreno de 2.444,03 m², com área construída de 1.316,88 m². A unidade terá salas de atividade com solário, berçários, lactário, sala de banho para bebês, biblioteca, brinquedoteca, sala de sono, cozinha, refeitório, almoxarifado, pátio interno, área administrativa, sala de professores, sanitários para alunos, professores e funcionários e área externa para parquinho. Também ampliaremos o atendimento por meio das entidades conveniadas, que prestam um serviço muito importante e de qualidade ao município, com supervisão da Secretaria da Educação.

Como pretende otimizar o atendimento de vagas?
A Secretaria trabalha para integrar as ações das escolas municipais e do serviço de gestão de vagas instalado no Poupatempo, justamente, para otimizar o gerenciamento e melhorar o atendimento às famílias que buscam vagas na rede municipal de ensino. Na reunião realizada no dia 28 de fevereiro com os diretores de todas as escolas municipais e a equipe de gestão de vagas, reforcei a necessidade de estabelecermos novos protocolos para dar maior eficiência e qualidade ao atendimento oferecido à população.

Como melhorar a qualidade do ensino municipal em detrimento à alta demanda?
Essa melhora na qualidade do ensino público não deve impedir a ampliação do atendimento. São dois desafios que devem ser enfrentados com a mesma coragem e seriedade. A qualidade passa pela melhoria da estrutura física das escolas, pela formação do corpo docente, pela preparação integral dos alunos, pela participação das famílias na vida escolar dos filhos e no dia a dia das escolas. Para ampliar é preciso construir e buscar parceiras. Posso afirmar que estamos trabalhando firme nesses dois sentidos.

Como investir em melhores condições de trabalho para professores e funcionários diante de um orçamento apertado?
Estamos buscando recursos que possam custear esse tipo de investimento.

Como preparar o professor para também melhorar a inclusão social em sala?
A premissa de todo educador é a diversidade da sala de aula. Nesse sentido, a Secretaria Municipal da Educação pode e deve pensar em estratégias para ampliar este debate.

Quais ações pretende adotar para melhorar o número de vagas na rede pública e a oferta de escolas em tempo integral? 
A ampliação do número de vagas passa pela construção de novas unidades e pela busca de parcerias, como é feito com as entidades conveniadas. Com relação à escola de tempo integral, é importante entendermos que ela deve oferecer um modelo diferente ao aluno. Por isso, fazemos parcerias com as secretarias de Esporte e da Cultura, buscando atividades que façam o aluno ter prazer de ficar na escola no contraturno regular.

Como está o projeto de lei que estabelece a eleição para a escolha de diretores de escola? Como isso pode influenciar na qualidade do ensino no município?
A questão da seleção dos diretores já está sendo discutida. Acreditamos que ela deva ser pautada na participação democrática, na avaliação de critérios técnicos, na apresentação de um projeto de gestão, na formação acadêmica e, também, em uma política educacional de rede com a participação da Secretaria da Educação, para que possamos trabalhar com diretrizes educacionais. 

A coordenadoria seccional de Educação do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto (SSM/RP) denunciou alguns problemas da pasta. Entre eles, falta de segurança, de cozinheiras e de funcionários para os berçários I e II. Como pretende sanar essas questões e qual a linha de prioridades?
Em relação à segurança nas escolas, estamos estudando a implantação de um sistema de monitoramento eletrônico, com cobertura de seguro, nas unidades escolares. Quanto às contratações, foram chamados 22 cozinheiros no ano passado e oito em 2018. Além disso, também analisamos o chamamento de supervisores de ensino e coordenadores pedagógicos, sendo estes últimos para atendimento da Educação Infantil. No entanto, é preciso lembrar que toda contratação gera impacto na folha de pagamento e que temos limites a cumprir.

O Sindicato calcula um déficit de 300 servidores para a Educação. Qual a real necessidade e quando começam as contratações?
Estamos fazendo um levantamento do número de funcionários efetivos e terceirizados nas escolas para verificar a real necessidade. Mais uma vez reforçamos que a contratação precisa ser analisada, devido aos impactos financeiros e aos limites a serem cumpridos.

A Lei nº 11.769, de 2008, tornou obrigatório o ensino de música no Ensino Fundamental e Médio, estipulando um prazo de três anos para que as escolas se adaptassem e implantassem a matéria. Como está a situação nas unidades da rede municipal? 
O tema será discutido com a coordenação de Arte da rede municipal de ensino para ampliação das ações desenvolvidas, visto que muitas escolas já trabalham a musicalização com os alunos, tanto na Educação Infantil, quanto no Ensino Fundamental.

Reunião com diretores das escolas municipais no início do ano letivo

No fim de fevereiro, o Ministério Público recomendou que a Secretaria deve, imediatamente, garantir o efetivo funcionamento dos conselhos de classe nos termos do que dispõe a Resolução SME nº 13/2009. De que forma a Secretaria está resolvendo o impasse para que os conselhos sejam reorganizados com a participação de pais e alunos?

Informamos que as denúncias são anteriores à atual gestão. A Secretaria Municipal da Educação está trabalhando para encaminhar uma reformulação das diretrizes do ensino municipal e encontra-se à disposição do Ministério Público para prestar os esclarecimentos necessários sobre os temas citados.

Como dar maior transparência às ações da pasta?
Mantendo abertos os canais de comunicação e de diálogo da rede municipal de ensino com a sociedade ribeirãopretana, sempre mostrando o que é possível ser realizado em curto, em médio e em longo prazo. 




Texto: Rose Rubini
Fotos: Julio Sian, FL Piton e Divulgação 

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