Toque de Coragem

Toque de Coragem

Confira as fotografias!

Apenas quem enfrentou um câncer de mama sabe, de fato, o poder transformador que uma luta dessa grandeza possui. A todas as outras pessoas, cabe apenas a função de admirar e aplaudir a disponibilidade e o desprendimento que essas guerreiras demonstram em cada marca aparente, seja física ou emocional. Fotos: Lidia Muradás.

“Desde criança, sonhava ser médica, mas de repente, veio o maior obstáculo. Não sentia medo do tratamento nem da cirurgia, mas temia não conseguir me formar.”

Joyce Merlo, 26
Médica










"Quase 15 anos separam o dia do diagnóstico do câncer de mama, do dia em que tirei as fotos com a Lídia. Nunca, nesse tempo todo, permiti que outra pessoa me visse sem sutiã. Aliás, durante muito tempo, não usei nem biquíni. Estar desnuda, em frente a uma câmera, numa naturalidade que me espantou, me fez ver que além de ter superado a doença, superei qualquer trauma que ela pudesse ter me trazido.

Chris Carolo, 51
Publicitária







“Tive o diagnóstico de câncer de mama em 2009. Foi um choque saber que tinha câncer aos 39 anos! Fazia exames preventivos regulares pois minha mãe teve câncer de mama em 1998 e faleceu em 2001.  Depois do susto do diagnóstico veio o enfrentamento da doença, a busca pela cura e a percepção de que muita coisa mudaria...  Acabei desenvolvendo uma nova maneira de encarar algumas coisas da vida para ajudar a passar pelo tratamento porque, apesar de tudo, eu não me sentia doente. O fato é que eu não tinha a escolha de não fazer a cirurgia, quimioterapia e radioterapia, mas tinha a escolha de como passar por tudo isso. E foi o que fiz! Durante as minhas horas mais difíceis, por motivos práticos, eu acreditava no melhor e pensava: "tudo na vida passa e tudo tem um lado ruim e um lado bom, então onde está o lado bom disso tudo?". Pensar assim manteve minha esperança e minha paciência para aguardar dias melhores. Também decidi não lamentar, até porque o que isso me ajudaria? Respeitava o momento como quem respeita uma ordem da vida! Agora era hora de pausa para refletir e se refazer. Não conseguia planejar o futuro. Fiz isso depois da última sessão de radioterapia. Não encontro uma explicação, mas eu me sentia em paz. Durante esse período eu recebi muito amor! Principalmente do meu marido, meus filhos, família e amigos. Foi o que me fortaleceu!  Ninguém é capaz de suportar ou superar eventos avassaladores da vida sem o apoio da família, amigos e profissionais. Deixo aqui o meu agradecimento a todos os que cuidaram de mim neste período.  Para mim foi fundamental este suporte, o amparo emocional alivia angústias e o medo da doença. Você nunca mais terá a vida antiga de volta porque não dá pra simplesmente esquecer o fantasma chamado câncer, você não será mais o mesmo depois de passar por ele, porque ele te transforma de algum jeito, mas por maior que seja a dor, você retorna melhor ao dia-a-dia e percebe que sempre há chance de fazer novas escolhas e recomeçar. Não que tenha sido bom ter tido câncer, mas me ajudou a olhar que, quando se está perto da possibilidade da morte algo te faz viver a vida melhor, e eu não preciso estar doente para isso. Levo dentro de mim este aprendizado e encaro a doença como um renascimento. Meu prognóstico é bom porque a doença foi diagnosticada no início, daí a importância de não se descuidar e fazer as mamografias e ultrassons sempre! Isso faz toda a diferença! Parei de tomar o Tamoxifeno em Janeiro deste ano e para mim é uma grande vitória! Esta batalha eu venci!”

Sônia Gravine, 46
Psicóloga

“Manter a tranquilidade foi fundamental para que eu passasse pelo tratamento com serenidade. A fé, o apoio do marido, Juzuíno, e dos familiares, contribuiu muito para isso. Precisamos entender que não somos feitas somente de um órgão, mas temos outros tão ou mais importantes para cuidar, para viver. Temos qualidades múltiplas, experiências vividas e tantas outras a serem compartilhadas. Pior do que descobrir um câncer é não se cuidar!”

Izilda da Silva, 57
Atendente de serviços






“Tudo começou  há dois anos, quando estava com 45 anos. Havia feito exames clínicos em dezembro de 2012, com ginecologista e mastologista, sem nenhum problema encontrado. Após uma mamografia de rotina e uma “área densa a investigar”, em fevereiro de 2013, minha mama começou a inchar e a doer. Por isso, fui ao consultório do mastologista novamente, para que ele me receitasse um anti-inflamatório, pois achava que o aparelho de diagnóstico havia me machucado. Já no exame clínico, o especialista constatou um tumor de 8 cm. Fui internada dois dias depois para uma biópsia cirúrgica, pois, segundo o médico, não tínhamos tempo a perder. Neste momento, minha vida começava a mudar e não saber o que eu iria viver era a maior angústia. Perdi o chão e senti muito medo,  mas decidi que iria enfrentar o que viesse da melhor maneira possível, pois meus filhos — Felipe, com 22 anos, e Guilherme, com 17 — eram meu maior motivo pra isso. Senti que não tinha outra opção, pois me desesperar não tornaria nada mais fácil. Foi com muita fé em Deus que levantei a cabeça e fui em frente.

Em 10 dias iniciei o tratamento. Foram seis meses de quimioterapia (de março a agosto) após a mastectomia bilateral e, depois, radioterapia. Perder os cabelos foi um outro assunto que me abalou por um tempo, pois mexe com a autoestima. Para minha surpresa, meus filhos e meu sobrinho Rafael, decidiram me apoiar e rasparam a cabeça no mesmo dia que eu. Foi um momento emocionante, uma homenagem especial que me transmitiu uma força inexplicável. Nesta hora, tive a certeza de que estava no caminho certo. O carinho dos amigos, a força da família durante todo o tratamento, o apoio e a presença forte das pessoas que estavam ao meu lado me fizeram enfrentar tudo com a certeza de que daria certo. Respondi 100% à quimioterapia, o que foi uma vitória.

Aprendi com o câncer, que devemos mudar nosso olhar e valorizar o que realmente importa na vida. Fases difíceis existem, mas nossa postura diante delas é que irá determinar o resultado. Hoje, faço exames de controle de 6 em 6 meses, e farei tratamento com Tamoxefeno por 10 anos, mas minha vida já voltou à rotina normal. No entanto, procuro sempre compartilhar a experiência de vida que o câncer me proporcionou.” 

Elaine Orlandini, 47
Psicóloga e gestora de RH


“Sou feliz, positiva. É preciso mudar o olhar, reforçando as coisas boas da vida porque ela é maravilhosa e deve ser vivida em sua plenitude.”

Ivonice Neves Gonçalves, 61
Professora










“Lidei naturalmente com a doença e isso me fortaleceu. Hoje, sou mais positiva, alegre, humana e tolerante. Sinto alegria nas pequenas coisas.”

Adriana Coselli Marcondes, 48
Empresária










“Há quase um ano descobri um câncer de mama. “Mas, como assim? Você é tão nova!”. Muitos me diziam após confirmado o diagnóstico quando tinha apenas 27 anos. Até eu mesma me assustei, nunca havia pensado nisso, até porque estava ocupada demais com doutorado, com a pós-graduação, aulas. “Mas, eu nem casei ainda! Nem tive meus filhos!”, eu pensava. Não sabia que mulheres antes dos 30 poderiam ter câncer de mama e descobri que apesar de raro, pode acontecer! E aconteceu comigo!

Foi uma montanha russa de emoções, com direito a passaporte a locais e experiências nunca antes vividos e com muita, mas muita adrenalina. Fui submetida à mastectomia radical, além de quimioterapia e radioterapia, e ainda congelei meus óvulos, porque poderia ficar infértil após a quimioterapia.

Acredito que todos temos uma força interior que desconhecemos, até ela ser requisitada para nossa própria sobrevivência. É assim quando uma mãe vê um filho em perigo, ou ainda no meu caso, perante uma doença grave. Desde o início, o meu sentimento era de que essa batalha já estava vencida. E uma frase do Chico Xavier me inspirou nesse processo: “Não vamos dramatizar a dor! A prova, seja ela qual for, não vem para esmagar, mas para induzir a crescer. A pedra de tropeço pode ser transformada em degrau. Está no próprio homem escolher ser abismo ou ponte! ”.

Desde o dia 6 de junho de 2014, data que recebi a confirmação do câncer de mama, escolhi ser PONTE! Escolhi ver o câncer como uma ponte para o meu crescimento pessoal e espiritual. Não encarei o câncer como uma sentença de morte, ou com desespero e revolta. Tenho plena consciência de que é uma fase difícil, mas que com paciência, coragem e sorriso, essa jornada se torna mais leve e menos sofrida.

Realmente, não é fácil. Mas, lidar com o câncer de uma forma divertida, tem facilitado para mim esse processo de cura! No meu blog “É câncer de mama! E agora?” escrevi um post com a lista das 10 vantagens de estar careca. Uma forma de ver o copo meio cheio neste momento em que meu cabelo começou a cair.

Sigo com esse pensamento de que essa guerra eu já venci, porque acredito que já estou curada e sinto isso dentro de mim. Espero que outras mulheres com esse mesmo diagnóstico pensem também dessa forma, pois quando acreditamos com firmeza em nossa cura, ela se torna real dentro de nós mesmos!

O câncer parecia muito distante e não tinha nem um motivo especial para pensar que isso poderia acontecer comigo. E quando lembramos que a morte não é uma possibilidade, nem uma opção, mas uma certeza, começamos a ver a vida com um novo olhar. Antes do câncer, com a correria habitual do trabalho, escola, trânsito, havia me esquecido que somos mortais. O câncer me fez lembrar isso!

Costumo dizer que existe uma Lívia a.C (Antes do Câncer) e outra Lívia d.C (Depois do Câncer). Isso porque havia esquecido que a vida é muito curta para brigar mentalmente com pessoas desconhecidas no trânsito. Que era breve o bastante para passar horas remoendo aquelas palavras frias e duras direcionadas a mim. Que a vida era preciosa demais para perder a paciência e permanecer irritada o dia inteiro devido um congestionamento ou uma fila no banco ou qualquer outra coisa. Que a morte se aproximava sorrateira a medida que me distanciava de mim mesma, e pensava em agradar mais aos outros esquecendo de agradar primeiramente a mim.

Victor Hugo diz que “Morrer não é morrer, mas apenas mudar-se”. Enquanto a morte não chega e me leva para a outra vida, vou continuar vivendo, existindo e transcendendo essa vida, mas agora…com um novo olhar.”

Livia Cristina Hernandes, 28
Farmacêutica

“Descobri o câncer com 35 anos e fiz o tratamento completo em Ribeirão Preto. Com 39, descobri que ainda estava com câncer, pois a minha axila não havia sido esvaziada. Com isso, fiz o tratamento todo novamente, mas, desta vez, no Hospital do Câncer de Barretos. Hoje, aos 40 anos, quero recomeçar.

Depois de tudo isso, e passando por todo o tratamento oncológico, passamos a dar ainda mais valor às coisas simples do dia a dia, com o um abraço, um sorriso, um tempo com os amigos e com a família. Observar uma árvore florida no caminho, assim como o céu azul, ou dizer ‘eu te amo’ são ações que ganham outro peso. Aprendemos a enxergar o que realmente tem valor e passamos a ignorar as vaidades e os egos que encontramos no caminho. Aprendemos que temos uma força interior tão grande que nem sabíamos que existia. E, acima de tudo, descobrimos o quanto é importante ter fé, acreditar que é só uma fase que tudo vai dar certo. Quem encara um tratamento oncológico, encara qualquer desafio.”

Karen Pustiglione, 40
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“Descobri a doença através do Mamamóvel que esteve no bairro em julho de 2007. Fiz quatro cirurgias até fazer a mastectomia, em dezembro de 2007, foram seis sessões de quimioterapia, não foi necessária a radioterapia. O momento mais difícil foi quando tive que falar para a família, não sabia como fazer. Superei a doença vivendo um dia por vez, sem me preocupar e com a certeza  que tudo daria certo, a força veio da fé, orações e também de muito apoio de todos da família e amigos.”

 

Eliana Druzian, 56
Secretária

“Sou um desses casos de diagnóstico tardio. Apesar de ser médica, de frequentar periodicamente os consultórios dos colegas para cuidar de minha saúde e de receber deles a melhor das atenções e cuidados, houve um lapso de um ano e sete meses entre a minha percepção de uma alteração mamária e o diagnóstico de câncer. Costumo dizer que até para ter câncer é preciso ter sorte. No meu caso, o que dificultou o diagnóstico foi a concomitância de muitas alterações benignas associadas, que mascaravam a lesão mais grave. O diagnóstico tardio foi um grande abalo e, devido à demora, esperei um futuro desfavorável. Vi a morte de perto e senti a grande tristeza que seria perder toda aquela alegria em que vivia.
Um dos colegas que me tratou comentou: ‘Agora você vai perguntar: Por que eu?’. Mas minha resposta foi: ‘Por que não eu?’
Meu trabalho como patologista é fazer o diagnóstico de lesões, benignas ou malignas das pessoas. Assim é que convivo pessoalmente com o sofrimento destas pessoas, mesmo atrás do microscópio. Após o choque, com uma expectativa pouco alentadora, enfrentei o tratamento: cirurgia, quimioterapia, radioterapia. Este ano comemoro 20 anos de sobrevida. Continuo trabalhando, vi casar os filhos, recebi a felicidade de ver os netos. Sinto-me uma privilegiada por ter passado por esta experiência dolorosa, mas enriquecedora. Rezei muito. Fiz meditação. Procurei o lado bom da vida. Contei e conto com o contínuo apoio do marido, dos filhos, dos colegas, dos amigos.
Depois de alguns anos, em boa saúde, incomodava-me a perda da minha figura física. Até que um dia meu marido me presenteou com um pequeno colar de pérolas, todas eram assimétricas. A mensagem era: ‘Também existe beleza na assimetria’. Hoje me digo pertencente à tribo das Amazonas, a lenda grega de mulheres guerreiras que cortam a mama para aumentar a coragem e melhor manejar o arco.
Para terminar, gostaria de comentar que, ao relatar o meu caso a vários colegas americanos e europeus, responsáveis pelos programas de câncer de mama em seus países, eles me respondem que fui muito bem tratada aqui, na nossa cidade.”

Margarida Maria Fernandes da Silva Moraes, 73
Patologista

“Após um exame de rotina veio o diagnóstico: carcinoma. Mesmo sabendo da seriedade do problema me mantive confiante. Sou muito católica, então entreguei minha saúde nas mãos de Deus e com o cuidado da minha família segui alegre e me sentindo linda. Meu tratamento terminou em janeiro e hoje digo: com o diagnóstico precoce, as chances de cura são imensas.”

Rosângela Cabral Saiki, 55
Assistente administrativa







 

 

  

“Agradeço a Deus, ao amparo da equipe médica e ao apoio familiar. Hoje, sou mais espiritualizada. Aprendi a ver a vida com outros olhos.”

Renata Catalani Molezim Cavoli, 41
Musicoterapeuta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Continuo com muita fé em Deus, pois acredito que nada nessa vida acontece por acaso.
Sou teimosa, sou guerreira e vou vencer.”

Mara Rubia, 50
Funcionária pública estadual

 

 

 

 

 

 “Realizava exames de rotina e isso ajudou a descobrir a doença no começo, o que favoreceu o tratamento. Sempre tive fé e a certeza de que alcançaria a cura”.

Rita Lellis Pizzi, 55
Assistente social

 

 

 

 

 

 

 

“Ao receber a notícia de que eu estava com câncer de mama, me lembrei do comentário de uma grande amiga que dizia: -A questão não é: Por que comigo?!?? E sim: POR QUE NÃO COMIGO? Pensando nisso, ficou tudo mais claro e fácil. Passo seguinte: Vamos em frente! O mais importante foi a aceitação tranquila.O apoio total da família e dos amigos, fizeram toda a diferença. Engraçado que para escrever esse depoimento, o que me vem à mente, são os momentos ao redor da mesa com os filhos, a comida gostosa do marido, o bate papo e as risadas. A conversa todos os dias com as amigas. Momentos de dor, medo e cansaço foram muitos, mas os de carinho foram muito mais. Se eu mudei? Acho que sim. O que ficou? A vontade de levar a vida do jeito mais feliz possível!”

 Rita Biagi, 61
Artista plástica

 

 

 “Claro que a gente nunca espera uma notícia dessas, ainda mais quando se vem de um tempo no qual o câncer era tratado como ‘aquela doença’ e soava como a chegada da morte. Porém, eu nunca tive medo de morrer. Sabia que se Deus estava me colocando mais esse desafio era porque eu tinha forças para superar. Em todo o processo, o que mais marcou foi a desconfiança de erro médico, pois eu precisei passar por duas cirurgias em dois meses, sendo mastectomizada na última delas.”

Rosalina Martho de Castro, 87
Aposentada

 

 

 

 

 

 

 

 

 “A gente nunca mais volta a ser igual.Os valores mudam, a forma de ver o mundo é outra. Na verdade, a gente zera tudo, física e emocionalmente.”

Silvia Borelli, 60
Fotógrafa

 

 

 

 

 

“Há um ano, após um exame de ultrassonografia nas mamas, recebi o diagnóstico de câncer de mama. No momento da notícia, senti como se perdesse o chão: só enxergava as paredes do consultório médico girando e uma falta de ar inexplicável, seguida de um sentimento de medo, insegurança e tristeza. Eu só chorava e perguntava ao mastologista como poderia ter câncer se só tinha 30 anos. Descobri que não só era possível, como também se tratava de um caso complexo, pois, sendo jovem, as chances de recidivas são maiores, logo, o tratamento seria mais agressivo. Nos dias entre o diagnóstico e a cirurgia li muito sobre o tema e conversei com mulheres que estavam passando pelo tratamento ou que já o tinham finalizado, o que foi de fundamental importância, pois me deu coragem para enfrentar e me mostrou que, apesar do susto e de todo o processo, as chances de cura são altas quando o diagnóstico é feito precocemente. Em todas as etapas, tive o apoio da minha família, do meu noivo e de muitos amigos e, aos poucos, fui superando a tristeza do diagnóstico e me enchendo de força para enfrentar as etapas de cura: primeiro veio a mastectomia, quando, em uma decisão conjunta com meu médico, resolvemos tirar ambas as mamas; depois vieram as temidas quimioterapias, quando, então, caem os cabelos e todos os pelos do corpo que, embora todos me dissessem que perder o cabelo era pouco diante do processo, para mim, foi o momento mais difícil — nunca vou me esquecer do barulho da máquina zero e do tremor que senti enquanto o cabelo caia; na sequência, veio a radioterapia, e, hoje, faz três meses que acabei o tratamento.
Preciso destacar que passar pelo tratamento de um câncer, qualquer que seja, não é fácil. São muitos os momentos de insegurança, medo e desânimo, sem contar as visitas intermináveis ao hospital, as picadinhas na veia e toda a medicação envolvida. Nesses momentos, ter ao lado aqueles que amamos  nos traz ânimo para acreditar que tudo irá se resolver. E mais, durante o tratamento é possível, sim, continuar fazendo aquilo que se gosta, como sair, ir ao cinema, visitar amigos, conhecer novos amigos. Um recado que dou para aquelas pessoas que estão em tratamento é que não devem se isolar durante o processo, é saudável manter bons hábitos durante a busca pela cura, porque motiva a enfrentar os momentos difíceis.”

Virgínia Puti de Souza, 31
Analista de promotoria

 

“Recebi o diagnóstico do câncer aos 24 anos, quando o médico me perguntou o que queria fazer respondi sem hesitar: lutar. Com o apoio da família, meu noivo e da equipe médica fiz a mastectomia, o esvaziamento axilar e quimioterapia. Continuo em acompanhamento médico, mas sempre com fé em Deus. Posso dizer que venci e meu maior presente são as duas filhas que tive após tudo isso”.

 

Tatiane Biazibeti, 31
Analista de sistemas

 

 

 

 

 

 

“Descobrir que existe um câncer em seu corpo, após ter perdido a mãe para ele, é dolorido e depende de um caminho árduo a ser percorrido. Casei-me em setembro de 2002 e ela se foi em março de 2004. Demorei a voltar para o mundo sem ela, mas me reergui. Retomei minha vida, minha carreira profissional e estava, em 2011, em uma fase fantástica. Acabara de realizar o sonho de colocar as próteses mamárias, estava de bem com meu corpo, com tudo em mim e com tudo que estava ao meu redor.
Em 2013, comecei a sentir um nódulo que me incomodava bastante por doer e também por senti-lo a todo instante. Marquei consulta com minha ginecologista, que pediu vários exames, e, um deles, revelou um Fibroadenoma (tumor benigno das mamas). Como eu tinha chances de ter o mesmo câncer da minha mãe, fui em busca de mais esclarecimentos. Procurei o meu mastologista, que também é oncologista e o diagnóstico se confirmou, em fase inicial. Meu chão caiu de novo.
No dia 4 de novembro de 2013, fiz a Adenomastectomia (procedimento que esvazia as mamas completamente, preservando o tecido externo). Com a cirurgia tive 97% da cura do câncer — os 100% viriam com seis sessões de Quimioterapia e um tratamento adjuvante chamado de Hormonioterapia. Meus cabelos eram longos e lindos, estava com o corpo na medida certa e sabia que eu mudaria muito com tudo que viria pela frente. Fiz  a primeira sessão dia 13 de dezembro de 2013 e todas as vezes que penteava os cabelos, imaginava que logo eles não estariam mais lá. Fiquei careca na segunda semana. Mesmo sem forças, eu me arrumava todos os dias, lenços, maquiagem, etc. A minha última quimio foi em 11 de abril de 2014, dia do meu aniversário, uma festa.
O mais difícil, além de ter tido uma anorexia involuntária e perdido bastante peso, foi a vontade de ter tudo que eu tinha novamente. Sabia que demoraria muito para que os cabelos voltassem a crescer, as sobrancelhas, os cílios, minhas forças, minha vida de volta. Chorei por meses, mas depois comecei a perceber quantas pessoas precisavam de apoio. Criei o grupo Laços e Abraços e começamos a ajudar outras pessoas. O Dia da Beleza, por exemplo, virou um evento esperado pelas pacientes do Hospital do Câncer de Ribeirão Preto; nosso grupo conseguiu atender também a Ala Oncológica do HC – GAAC, com brinquedos, palhaços, brincadeiras e muito, muito  amor. O Grupo arrecada lenços, toucas, presentes, brinquedos para distribuir nos dias em que podemos fazer pessoas mais felizes. Esse grupo, além de imortalizar minha mãe, me faz sentir o quão forte eu sou por tudo que passei. Faz me sentir especial pelo fato de conseguir doar amor, assim como eu recebi. Faz me sentir mulher de novo. Meu esposo e minhas pequenas de quatro patinhas foram chaves para que eu conseguisse superar os obstáculos, pois lutei pela vida por eles, com eles e para eles. Com o câncer, tudo o que temos de mais bonito enquanto mulheres é tirado e a autoestima acaba ficando baixa demais. Só Deus é capaz de nos fortalecer para encararmos com fé e esperança tudo que passamos.” 

Elaine Menezes Machado, 40
Coordenadora de Marketing

 

 

“O meu caso começou, no finalzinho de 2013, quando fiz uma mamografia que apontou grave suspeita para câncer. Era dezembro e eu estava com um cruzeiro marcado com meu marido. Fui, mas a viagem parecia não terminar nunca, pois na volta eu confirmaria (ou não) as suspeitas. Em janeiro, o diagnóstico positivo estava concluído. Parece clichê, mas 'meu mundo caiu'. Não é fácil escutar isso e não sentir medo, insegurança, etc. A gente fica frágil, dá vontade chorar, de pedir colo, mas, de repente, surge uma força tamanha que nos impulsiona pra vida novamente. O médico optou por tirar o quadrante da mama direita e fazer radioterapia e eu, na mesma hora, disse: 'Vamos tirar as duas mamas’. Tive o apoio da minha família e não me arrependo de nada. Fizemos tudo a toque de caixa, logo depois dos exames e da parte burocrática e no início de março, em um sábado de carnaval — e feliz, diga-se de passagem. Na minha cabeça e no meu coração, estava lá para me curar. Foi assim que eu enfrentei e superei um câncer de mama. Na medida que posso, conto  esse capítulo importante da minha história, que tinha que ser, e que me ensinou muito, para quem está passando por isso.”

Teresa Cristina Alliprandini Riul, 55
Jornalista

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