Irmãos disputam competições de arco e flecha

Irmãos disputam competições de arco e flecha

Casal de Sertãozinho está acostumado a vencer disputas nacionais e internacionais

Imagine estar andando pelas ruas de sua cidade e caminhar próximo a um dos melhores arqueiros do Brasil. Só do Brasil não, do mundo. Imagine que não é apenas um atleta assim que possa estar perto de você, mas dois, e ainda por cima irmãos.

É o caso de qualquer habitante de Sertãozinho, onde mora o casal de irmãos Ingrid e Arthur França, de 15 e 17 anos, respectivamente. Em 2013, a garota foi a segunda colocada no ranking mundial da modalidade de tiro com arco indoor, no qual as competições acontecem dentro de ginásios esportivos, na categoria infantil.

Ela também conquistou os campeonatos brasileiro e paulista da mesma modalidade, além de ter ficado entre os três primeiros colocados na Copa Brasil e no campeonato nacional de tiro com arco outdoor, onde as competições acontecem em campo aberto, foram uma segunda e terceira posição, nesse mesmo ano.

Em 2014, veio o título do campeonato nacional de tiro com arco field, que tem as competições realizadas dentro de bosques e florestas, com alvos imitando a forma de animais, esta já na categoria cadete.

O jovem não ficou muito atrás de irmã, já que também em 2013 alcançou a terceira colocação do ranking mundial da modalidade indoor, na categoria cadete, e foi o quarto colocado no campeonato paulista da modalidade, e um ano depois, fez dobradinha com Ingrid no topo do pódio do Campeonato Brasileiro de tiro com arco field, ambos na categoria cadete.

Tudo isso em menos de três anos praticando o esporte, mais conhecido por arco e flecha, difundido pelas histórias do folclore britânico, com Robin Hood, e mais recentemente na cultura pop, com os filmes da franquia Jogos Vorazes e da série Arrow, que retrata o herói de histórias em quadrinhos Arqueiro Verde.

Com resultados tão expressivos, os irmãos sonham com horizontes mais imponentes, como os Jogos Olímpicos, mas para eles, antes tem que vir melhoras contínuas graças aos treinamentos. “A Olimpíada é o sonho de todo atleta, mas é necessário passar por muitas conquistas e buscar a cada dia melhorar para que se possa atingir este objetivo”, afirma Ingrid.

Dedicação para atingir o alvo rapidamente

Eles conheceram o esporte em 2012, em uma excursão de escoteiros organizada pelos pais à cidade de Brotas, na região de São Carlos. E a paixão pelo esporte se intensificou quando começaram realizar as primeiras aulas na academia da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), em Ribeirão Preto, sob o comando do pentacampeão nacional de tiro com arco, Ronaldo Necaxe.

Os dois jovens apontam a “dedicação aos treinos e orientações do treinador Ronaldo Nacaxe” como fatores decisivos ao sucesso rápido, além da concentração, que Ingrid busca ouvindo música antes das competições, de preferência o heavy metal do Slipknot, enquanto Arthur que prefere o contrário, o silêncio absoluto.

“Uma boa base e foco, conquistada com os treinos, no qual se pratica por um ano, às vezes sem participar de nenhuma competição, e também o apoio familiar”, completa Arthur.

Perda e foco nos treinos

Por problemas de saúde, Necaxe teve que se afastar dos treinamentos dos adolescentes, e quem assumiu a função foi o pai deles, Ernesto, que conheceu o esporte junto com os filhos.

“Foi uma grande perda não ter o Ronaldo nos orientando na linha de tiro e não foi fácil lidar com a ausência do treinador”, diz Ingrid, que se inspira nos títulos do antigo comandante para seguir nas competições, que de acordo com Arthur tem sido mais difíceis.

“Ele regulava o equipamento, e muitas vezes fingia que regulava, e mesmo assim conseguíamos um tiro perfeito. Por isso, a ausência do Ronaldo na linha de tiro nos faz muita falta e as primeiras provas não foram nada fáceis”, conta o garoto.

Ernesto aponta que busca seguir as mesmas orientações e rotinas que Ronaldo aplicava, já que sempre acompanhou os filhos nos treinamentos, que pelo mesmo motivo do afastamento do técnico, teve de ser transferidos para um clube de São Carlos.

“Todos os finais de semana viajamos para lá, rpara ealizar os treinos, apesar de ser uma viagem curta acaba sendo desgastante”, revela o pai, que fica preocupado com a presença constante dele, e da esposa, Andreia, nas atividades com os filhos, já que para alguns atletas isso se revela um peso a mais e os competidores acabam sentindo pressão.

“Já conversamos diversas vezes com o Arthur e a Ingrid sobre este assunto, se nossa presença atrapalhava e a resposta que tivemos todas as vezes foi que nossa presença motivava. Durante as provas eles nos buscam com o olhar para sentirem que estamos próximos”, conta Ernesto, que assim como Andreia, faz parte do quadro de árbitros da Federação Paulista de Arco e Flecha (FPAF).

Para evitar lesões

O tiro com arco costuma acarretar lesões nos membros superiores dos praticantes deste esporte, devido a movimentos repetitivos, que são resultado de algum agravamento de fadigas musculares, que podem atrapalhar na execução dos movimentos para atirar a flecha.

Por isso, o casal de irmãos mantém um acompanhamento com fisioterapeutas para evitar que essas lesões ocorram com mais frequência. Também é aplicado uma bandagem na região de ombros e braços, que auxilia no fortalecimento muscular e na correção de posicionamento inapropriados evitando o estiramento muscular.

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Leonardo Santos (colaborador)
Fotos: Divulgação / Arquivo pessoal

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