Promessas Olímpicas
Atletas de Ribeirão Preto, que são promessas para as olimpíadas, terão torneios deste ano para pontuarem, manterem-se no ranking nacional e conquistarem a chance de representar o Brasil e a cidade dur
Faltam menos de 500 dias para o início dos Jogos Olímpicos do Rio, que será realizado de 5 a 21 de agosto de 2016. Para os fãs de esporte, meros espectadores, um ano e seis meses pode ser muito tempo. Porém, para os mais de 10 mil atletas, de 205 países, que tentam uma vaga para entrar no torneio, é mais uma disputa contra o relógio. Nesta competição estão os ciclistas Thiago Nardin e Antoenson Dornelles, o cavaleiro Guega Fofanoff e a judoca Sibilla Faccholi, todos atletas ribeirãopretanos, treinando duro desde o começo deste ano para fazerem parte do time de atletas que vai defender o Brasil em suas respectivas modalidades no ano que vem.
No fim de 2014, a judoca ribeirãopretana Sibilla Faccholi conquistou vaga na Seleção Brasileira de Judô. Ela terá este ano para superar seus limites e continuar pontuando para se manter entre os primeiros nomes no ranking nacional. Sibilla ainda aguarda uma convocação para representar o Brasil em julho, nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá.
A judoca já está pré-selecionada para os Jogos Olímpicos de 2016 e disputa com outras duas atletas a vaga de titular na Seleção Brasileira. Para isso, começou o ano treinando pesado. “Começamos os treinamentos há duas semanas e acho que o ritmo vai aumentar. Eles estão investindo bastante, querem resultado”, conta. A atleta revela já ter conhecido o ginásio onde parte dos jogos será realizada. “Já vi como serão os Jogos Olímpicos e cada momento é especial. Eu fico muito mais empolgada, com muito mais vontade de chegar”, completa Sibilla.
Contratada pela equipe de judô do Palmeiras, Sibilla começou com o técnico ribeirãopretano Cléber do Carmo e, embora more em São Paulo, faz pré-temporada e vários outros treinamentos em Ribeirão Preto. Para o técnico, a atleta é uma revelação desde o Sub-18, quando também conquistou vaga na Seleção Brasileira de Judô. No primeiro ano em que passou a disputar na categoria Sub-21, também entrou como titular. 
Cléber acredita que pela idade de Sibilla – completará 21 anos em abril –, a judoca terá, no mínimo, mais três Olimpíadas para disputar. Ele conta que, por ela ter entrado tão jovem no circuito pré-olímpico, passará por um grande aprendizado. “Nós confiamos no potencial da Sibilla. Acredito que ela se sairá bem no circuito mundial e chegará ao ranking nacional com o maior número de pontos. É uma disputa dura, mas só depende dela e sabemos que ela tem condições de chegar”, afirma o treinador.
A equipe de ciclismo de Ribeirão Preto (São Francisco Saúde/Biosev/SME) é uma colecionadora de títulos e também celeiro de talentos. Thiago Nardin, atleta de elite da equipe, radicado em Ribeirão Preto, está na Seleção Brasileira de Ciclismo desde 2009 e revela que disputar as Olimpíadas no Brasil é um sonho que ele tem como atleta. Medalhista pan-americano e com mais de 20 convocações internacionais, Nardin tem chances reais de representar a cidade durante as Olimpíadas. “Venho crescendo junto com a Seleção, obtendo marcas e recordes inéditos. Teremos os Jogos Pan-americanos de Toronto, em julho, e será nossa principal disputa do inicio do segundo semestre. Essa prova por equipes no velódromo será uma chance de estarmos a um passo das Olimpíadas” projeta Nardin.
O atleta acredita que o ciclismo brasileiro evoluiu muito nas provas de pista, modalidade que ele atua e acredita ter mais chance de vaga olímpica. Com a rotina de treinos intensificada para 2015, Nardin iniciou o ano com vitória pela equipe ribeirãopretana. No dia 25 de janeiro, venceu o Granfondo de Verão, em São Carlos.
Outro destaque do ciclismo de Ribeirão Preto é Antoelson Dornelles. O atleta de 28 anos encerrou a temporada 2014 em primeiro lugar no ranking nacional da modalidade individual de estrada. Dornelles quer ocupar uma das três vagas da Seleção Brasileira de Ciclismo para 2016, mas, antes disso, o ciclista terá que pontuar nas provas que serão disputadas até lá. 
Entre as principais, Dornelles destaca duas competições que serão realizadas no primeiro semestre deste ano: a Volta Internacional do Rio Grande do Sul, em abril, e o Campeonato Pan-Americano. “Essas são as provas-chave. Se conseguir andar bem, a chance de conquista é maior. Porém, primeiro tenho que ser convocado e isso envolve muito trabalho. Ingressando na Seleção, vou tentando me manter”, explica o atleta que prevê uma concorrência pesada pela vaga olímpica.
Além dos ciclistas que se destacam no Brasil, o ribeirãopretano cita os atletas profissionais que competem na Europa, acostumados com outros panoramas, outros níveis, e que também concorrem pela vaga. Mesmo assim, segue confiante e esperançoso de ter um representante da cidade nos jogos. “Estar nas Olimpíadas seria a melhor conquista que poderia me acontecer como atleta. Iria coroar tudo o que fiz desde o inicio da minha carreira: representar meu país, fazer minha parte como cidadão brasileiro e mostrar que o Brasil não é um país só de futebol” ressalta Dornelles.
Serguei Fofanoff, o Guega, quando participou das Olimpíadas de Londres, em 2012, chegou a cogitar uma aposentaria da competição naquele ano. Contudo, o anúncio de que o Brasil sediaria a edição seguinte dos jogos fez o cavaleiro deixar de lado a ideia e continuar a treinar para estar no Rio de Janeiro em agosto do ano que vem. “Eu disse que pararia, mas é difícil deixar de disputar quando a competição será no meu país”, explica Guega, que revela a intenção de se aposentar das competições olímpicas após os jogos do ano que vem.
No final de 2014, o atleta, juntamente com a Seleção Brasileira de Concurso Completo de Equitação (CCE), conquistou o campeonato sul-americano da modalidade em Barretos. A conquista carimbou o passaporte da equipe para Toronto, onde competirão nos Jogos Pan-Americanos do Canadá. Antes disso, no final de março, Guega disputará, em Colina, o Concurso Internacional Combinado. Essas competições são importantes para os atletas que pretendem representar a categoria durante os jogos do Rio de Janeiro.
Aos 46 anos, Guega afirma estar em pleno vigor físico. Assim como os outros atletas que poderão disputar os jogos olímpicos. “Muita gente acredita que neste esporte o atleta é o cavalo, mas não é assim. Precisamos sempre buscar a nossa melhor forma”, diz o cavaleiro que mais representou o país em competições internacionais. Cotado para a sua quinta participação olímpica, Guega assume que ainda se sente ansioso às vésperas de todos os jogos. “É sempre como se fosse a minha primeira vez”, conta. 
Sobre a evolução da equitação brasileira, Guega credita a Mark Todd, neozelandês que há dois anos comanda a equipe brasileira, como um dos pontos fortes da equipe. “Todd é o considerado o cavaleiro do século. É muito experiente e tem nos ajudado bastante”, ressalta. Além de técnico da equipe, Todd, que está com 58 anos, também é atleta e, segundo Guega, possivelmente competirá pela Nova Zelândia em 2016 e depois se aposentará. O treinador da equipe brasileira revela que o Brasil tem dez atletas em condições de disputar o Pan-Americano em julho, no entanto, o anúncio da equipe será feita um mês antes das competições. “Alguns atletas estão treinando no Brasil e outros na Inglaterra. Quero ver os resultados das competições e depois anunciarei a equipe”, disse o treinador em entrevista à Associação Brasileira dos Cavaleiros de Hipismo Rural, em fevereiro.
Despedida
Enquanto alguns atletas tentam uma estreia nos Jogos Olímpicos de 2016, outros, assim como Guega, têm a sua data de despedida marcada para o encerramento do evento. Confira alguns grandes medalhistas da história que anunciaram a aposentadoria:
O jamaicano Usain Bolt, campeão olímpico em Pequim 2008 e Londres 2012, completará 30 anos no encerramento dos jogos do Rio. O atleta anunciou que pretende se aposentar no fim da temporada de 2016, mas antes quer fazer história no Brasil.
Outra lenda do esporte que pretende fazer bonito pela última vez nos Jogos é a atual recordista em número de medalhas de ouro olímpicas. Com quatro no total, a norte-americana Serena Williams também anunciou que deve deixar as quadras depois dos Jogos de 2016.
Dono de duas medalhas Olímpicas — prata em Sydney 2000 e bronze em Pequim 2008 —, o judoca Tiago Camilo é outro atleta que espera conquistar o tão sonhado ouro diante da torcida brasileira, antes de aposentar o quimono.
Referência da ginástica nacional, Daniele Hypólito se prepara para disputar a última edição dos Jogos Olímpicos de sua carreira. A atleta completa 31 anos em setembro e vibra com a possibilidade de encerrar a carreira diante do público brasileiro.
Uma das esperanças de medalha para o Brasil no salto com vara, Fabiana Murer também vai dar adeus às competições, em casa, durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.
O Brasil também perderá alguns atletas depois de 2016. Robert Scheidt, velejador de 41 anos, é o maior medalhista Olímpico do Brasil. Com dois ouros, duas pratas e um bronze na vela, ele anunciou que fará a sua despedida das Olimpíadas nas águas da Baía de Guanabara.