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Mercado em expansão

Em 2012, o setor cresceu 15,62% e o faturamento deve chegar a R$ 50 bilhões em 2015


Quando o assunto é desenvolvimento tecnológico, diversificação e qualidade dos produtos, a indústria da higiene pessoal e da beleza faz jus aos números crescentes, colocando o Brasil em 3º lugar entre os países que mais consomem produtos no mundo. De acordo com estudos divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), não só a indústria está em franca expansão, mas também as vendas. Em 2012, o setor cresceu 15,62%, contra os habituais 10% alcançados, em média, nos últimos anos. A Associação aponta ainda que o faturamento do setor foi de mais de R$ 27 bilhões em 2010 e deve chegar a R$ 50 bilhões em 2015.

Estimativa da Pyxis Consumo, ferramenta do Ibope Inteligência, o gasto do brasileiro, este ano, com produtos e serviços relacionados à beleza e ao bem estar, está sendo projetado em torno de R$ 36,24 bilhões. Isso graças ao aumento da renda das classes C e D, responsáveis por aproximadamente 42,6% dos gastos, sendo que a maior concentração de consumo no Brasil está na Região Sudeste com cerca de 50% do total no país.

No cenário regional, Ribeirão Preto se destaca como polo produtor, comercial e de serviços, na área da beleza e da higiene pessoal, com uma projeção de crescimento nas vendas para este ano, superior aos 12% registrados em 2012, de acordo com estimativas da regional da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). Além do aumento do poder aquisitivo da população, os investimentos em mídia, a exigência do mercado de trabalho com a aparência, o aumento da expectativa de vida, além das inovações tecnológicas, contribuem para melhorar as estatísticas do segmento.

Para o gerente regional da Fiesp/Ciesp, de Ribeirão Preto, José Eduardo Silva Molina, ao contrário de outros setores produtivos, no Brasil, o setor da beleza aparece descolado da crise, como demonstram os números da Abihpec. Para atender essa demanda, a região de Ribeirão Preto conta com mais de 60 pequenas e médias indústrias de perfumaria, cosmética e beleza, sendo que esse número aumenta se forem incluídas as farmácias de manipulação que atuam com a fabricação de dermocosméticos mediante receita.

Segundo Molina, esse é um setor que está crescendo na região com foco, principalmente, em beleza. “Acreditamos que há um espaço enorme para o desenvolvimento das atuais e de novas indústrias desse setor com produtos de grande sofisticação e de dermocosméticos”, estima o gerente. Ele aponta ainda que, esse potencial de desenvolvimento, resulta principalmente da existência de mão de obra qualificada, formada nos cursos de graduação e pós-graduação das universidades que pesquisam e trabalham com produtos cosméticos, perfumaria e beleza.

Outro ponto positivo é a forte interação também com as especializações em Dermatologia dos cursos de Medicina, um segmento onde há importantes avanços tecnológicos, particularmente no uso de nanotecnologia e na pesquisa de ingredientes naturais. Outro fator que contribui para os números positivos desse mercado são as vendas porta a porta, que se utilizam desta estratégia para oferecer comodidade aos consumidores e aumentar sensivelmente as vendas.

Exemplo de investimentos em tecnologia, a Gota Dourada de Brodowski, indústria especializada na área de cosméticos, estima superar a marca de crescimento na produção, entorno de 6%, de 2011 para 2012. Instalada em um moderno parque industrial, com mais de 20.000 m², conta com uma infraestrutura completa e uma equipe de profissionais especializados. Com cerca de 200 funcionários diretos, a empresa possui frota própria de caminhões e de carretas, realizando a distribuição dos produtos para todo território nacional, e exportações para diversos países europeus e africanos.

Com uma produção média estimada em dois milhões de frascos por mês, Flávia Neix Mosca, diretora comercial da empresa, revela que o público alvo são as mulheres, mas também oferecem produtos que servem ao público masculino, como uma linha de produtos para combater caspa e queda de cabelos, criada especialmente para os homens. A diretora observa ainda que a cosmética no Brasil acompanha o ritmo internacional de segmentação das linhas de produto. A empresa atua como especialista em cabelos, beleza, higiene e tratamento capilar, oferecendo produtos que auxiliam no crescimento natural dos cabelos. “Novos projetos são feitos duas vezes ao ano, acompanhando as tendências do mercado nacional e internacional”, anuncia Flávia, lembrando que novos investimentos estão previstos para 2014.

Alta rentabilidade
Um reflexo positivo deste panorama em Ribeirão Preto é a alta gradativa dos ganhos médios de empresários e empregados do setor. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2011, os salários médios dos funcionários de salões de cabeleireiros e de outras empresas, que atuam na área de tratamento de beleza, giravam entorno de R$ 827,83. “Outro fator importante no segmento são os lucros das empresas da área. Os ganhos podem chegar a R$ 34 mil por mês”, estima Fred Guimarães, economista da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP).

O aumento crescente no número de salões abertos na cidade é um reflexo direto, segundo o economista, da alta do poder aquisitivo da classe trabalhadora que está consumindo mais e investindo nos cuidados pessoais. A desoneração tributária e a desburocratização para formalizar o microempreendedor contribuem para o crescimento ou ampliação destas empresas. Até abril deste ano, a cidade contava com 935 salões, 162 a mais do que em 2012, ou seja, em média, um salão de beleza para cada 650 moradores. Há cinco anos, o setor oferecia um salão para 4.800 habitantes.

Fred lembra ainda que as novidades constantes em produtos com tecnologias avançadas e técnicas para tratamentos de beleza ajudam a impulsionar as vendas. O economista lembra ainda que a característica empreendedora da mulher é fator decisivo para o aumento de quase 600% no número de salões de beleza nos últimos cinco anos. “Essa vocação natural da mulher para se cuidar favorece os investimentos em segmentos que já conhece ou tem maior intimidade, como o da beleza. Vaidade atrai rentabilidade”, reforça o economista, ressaltando que esses números se referem apenas aos microempreendedores que atuam no mercado formal.

Consumidor final abastecido
“Estimamos crescer cerca de 10% este ano”, anuncia GustavoCriada em 1984, a Cibele Perfumaria conta hoje com oito lojas, sendo sete em Ribeirão Preto e uma em Sertãozinho, oferecendo uma gama diversificada de produtos no setor da beleza e da moda. A expansão é um reflexo de investimento na qualidade dos produtos e dos serviços oferecidos. O patamar de crescimento está estimado, para 2013, entre 7% e 10%. “Em 2012, tivemos um crescimento maior, da ordem de 32%, devido à aquisição das lojas no período”, explica o empresário Gustavo Uahib, acrescentando que, ampliar o número de lojas na cidade ou na região é praticamente uma exigência do mercado.

Para acompanhar o dinamismo do segmento, que está constantemente se reinventando, as empresas precisam acompanhar as tendências de mercado para oferecer as clientes, em primeira mão, os lançamentos do setor de beleza. “A abertura de novas lojas da rede, em pontos estratégicos, é essencial para ficar mais próximo dos consumidores, com total diversidade de produtos e de qualidade de atendimento”, revela Gustavo.

Com sete lojas próprias e dois centros técnicos, a Ramavi Cosméticos é outro destaque no setor regional, apresentando um crescimento gradativo, nas lojas físicas, um serviço de televendas, além de um centro de distribuição, responsável por abastecer toda a rede. “Como o segmento em que atua está evoluindo, a empresa estima um crescimento de 15% a 20% para 2013, comparado a 2012, sendo, provavelmente, novas lojas serão abertas”, antecipa o empresário João Luiz Bignardi.

Outro diferencial da rede é a atenção com os profissionais da beleza oferecendo um grande mix de produtos. Nos centros técnicos, os profissionais encontram cursos de aperfeiçoamento e novas técnicas nas diversas áreas da beleza. “O centro também funciona como um termômetro do mercado, pois ele demonstra a preocupação do profissional da beleza com a qualidade dos serviços, aumentando e atualizando os conhecimentos, as tendências, as  técnicas e os produtos para facilitar o trabalho no dia a dia”, conclui João.

No trabalho,Viviane encontra tempo para um retoque na maquiagemProdução diária
Vaidosa, a empresária Viviane Pontes não revela seu maior prazer: estar bem produzida a qualquer hora do dia. Para isso, a atenção com a aparência é diária em casa, incluindo uma visita semanal ao salão de beleza. Na lista dos cuidados indispensáveis, entram cabelo, hidratação da pele, manicure, maquiagem, depilação, entre outros tratos indispensáveis, segundo ela. Preferindo os importados, a linha de produtos é extensa e exige investimentos permanentes no orçamento mensal. “Meus gastos médios com produtos de higiene e de beleza giram em torno de R$ 1 mil por mês”, estima Viviane. Jovem e atuante no comércio ribeirãopretano, para Viviane a imagem pessoal é o principal cartão de visitas da pessoa. Manter a boa aparência é essencial e exige cuidados e um tempo de dedicação. Para isso, a lista de produtos é grande e inclui desde os tradicionais cremes hidratantes corporais e os faciais, a shampoos, condicionadores, esmaltes, perfumes, maquiagens, filtro solar, entre outros itens.

Linha profissional
Linha de produtos diversificada para atender o consumidorEspecializada em produtos para abastecer o mercado profissional da beleza, a Dalie Cosméticos de Cravinhos ampliou o portfólio com o lançamento de uma linha de maquiagens e de perfumes para deixar mulheres e também os homens ainda mais charmosos e de bem com a vida. Resultado da união de sonhos das famílias Olivito e Al Garibi, a empresa, fundada em 1999, produz mais de 200 produtos diferenciados entre si, com tecnologia e modernidade. “Com matérias-primas vindas do mundo inteiro, os produtos profissionais trazem essências personalizadas que dão um toque especial em cada linha”, revela a sócia-fundadora da indústria, Daniela de Oliveira Olivito Al Garibi. Comprometidos com o resultado final e a satisfação dos consumidores, Daniela revela que, inicialmente, a produção era focada para o tratamento capilar, mas para atender a demanda da carteira de clientes, investiram em pesquisa para ampliar o parque fabril e a linha de produção. Hoje, além da linha Coiffer Turquia, criaram a Las Vegas com diversidade em maquiagens e perfumes, que abastecem os salões de beleza do Brasil inteiro, mas também da Colômbia e Portugal. “A mulher estrangeira simplesmente adora os produtos e as novidades das empresas brasileiras”, enfatiza a empresária. Depois do setor de maquiagens, com a fabricação de sombras, lápis delineador, e as colônias masculina e feminina, a Daile criou um setor específico para a produção de lip gloss nas mais variadas cores. Daniela credita a parceria junto às cabelereiras e também às blogueiras, suas linhas de frente no controle de qualidade dos produtos da marca. “Ouvimos todas as sugestões e já chegamos a mudar e até a criar novas fórmulas para atender as sugestões das profissionais e das blogueiras, pois o retorno delas, ao experimentar nossas linhas é essencial para mantermos o padrão de qualidade de nossos produtos”, frisa Daniela.

“Nos último três anos tivemos um crescimento médio de 30% ao ano”, revela SirlenePortfólio ilimitado
Cremoso, cintilante, opacos, neon, extra-brilho, com gliter ou texturas, em gel, quando o assunto é esmalte, o setor produtivo é ilimitado na criação de produtos para atender ao exigente gosto feminino. Segundo a consultoria Euromonitor, as novas cores, cada vez mais irreverentes, simplesmente parecem não terem fim e impulsionam o setor, colocando o Brasil em segundo lugar do mundo onde mais se vende esmalte, atrás apenas dos Estados Unidos. De acordo com dados do Instituto Nielsen, em 2011, o mercado movimentou R$ 511 milhões no país, um aumento de 13,2% em relação a 2010 (R$ 452 milhões). Foram quase 211 milhões de unidades vendidas no país. Apesar dos números divulgados, nas prateleiras das lojas especializadas, dá para constatar que os negócios vão muito bem. Muito mais que completar o visual das mulheres, os esmaltes viram mania nacional, impulsionada principalmente pelas mídias sociais e pelas colecionadoras das cores e dos tipos de esmaltes que combinam com roupas e acessórios. Nessa criação, vale ousar nos tons e trocar de esmaltes regularmente. Com isso, o mercado de esmaltes cresceu e o Brasil se mantém em segundo lugar também no consumo. A última pesquisa do Nielsen aponta que este mercado cresceu 17% só no primeiro semestre de 2012. Para suprir a demanda por novidades e surpreender as expectativas femininas, as empresas investem fortemente na linha e complementos dos esmaltes, criando texturas e efeitos holográficos, flocados ou craquelados. Outro fator de atração imediata são os preços com opções que atendem as mais variadas camadas sociais. Para atender a este exigente mercado, empresas como a Esmaltes Priscila, de Ribeirão Preto, investem em linhas de produção, inovando a cada coleção. Dos oito tipos de esmaltes fabricados e, 1990, hoje a empresa produz 83 tipos, que vão desde os tradicionais cremosos, perolados, aos hipoalergêncios, ou antialérgicos, aos específicos para carimbos, óleos secantes, extrabrilho, entre outros itens, essenciais para manter as unhas fortes, saudáveis e bonitas. A empresa, criada em 1990, coloca os produtos nas prateleiras de lojas especializadas do Brasil e de 16 países. “Nos últimos três anos, registramos um crescimento médio da ordem de 30% ao ano”, aponta a empresária Sirlene Lopes Rezende, que já prepara novidades para as coleções exportação e alto verão 2013/2014.

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