Especialista dá dicas para Recuperação Judicial
Segundo Danielle Moro, gerente de Desenvolvimento Organizacional da Exame Auditores Independentes, organização interna é essencial para alcançar êxito na Recuperação Judicial
Danielle Moro, gerente de Desenvolvimento Organizacional da Exame Auditores Independentes alerta que, mais do que analisar com prudência os sinais da crise interna, os empresários devem voltar suas atenções para o planejamento de requisitos fundamentais para contornar as dificuldades e readequar sua estrutura.
Uma das ferramentas judiciais que promove a retomada produtiva das empresas é a Recuperação Judicial, instituída pela Nova Lei de Falências e substitui a Concordata. “O sucesso da recuperação está vinculado à adoção de práticas que interfiram na organização de equipes e no gerenciamento do negócio, além da comunicação clara e didática da fase pela qual a empresa passará”, alerta a consultora.
As competências e experiências absorvidas pelos membros das equipes devem ser conhecidas e gerenciadas para que possam ser direcionadas para setores ou atividades de maior aproveitamento, sobretudo em um momento de crise aguda.
“O remanejamento é necessário para garantir o desempenho mínimo da empresa e garantir que atividades necessárias ao bom funcionamento da empresa possam ocorrer sem novos investimentos”, explica.
A especialista vê a organização como uma engrenagem complexa que demanda análises precisas e contundentes, principalmente em momentos de crise. “É possível adotar novas práticas, renegociar hábitos e padrões de comportamento”, explica.
Além disso, é importante rever a intensidade e o nível de controles internos, a eficácia dos sistemas tecnológicos de gestão, a qualidade e eficiência da entrada e saída de produtos, tudo para dar credibilidade e segurança ao negócio.
Danielle indica algumas posturas que podem minimizar impactos ou preparar e estrutura para os momentos de maior dificuldade:
– Conhecimento da rentabilidade de produtos, linhas, áreas e do custo para a manutenção do negócio.
“Em momentos que antecedem as crises - ou já dentro delas - os gestores precisam tomar decisões baseadas em números internos concretos, confiáveis e atuais. Para isso a base tecnológica precisa estar implantada com um software de gestão consistente e com regras de controle bem definidas”.
– Conhecer limites internos de competência.
“Empresários levam em consideração que a confiança de uma equipe madura é capaz de replicar estruturas para outras linhas ou unidades. Por vezes, mesclar competências já adquiridas com novos cargos e profissionais de mercado, quando bem direcionados, pode melhorar a dinâmica interna. É necessário definir os objetivos de cada área”.
– Conhecer integralmente os processos, pontos chaves, riscos, falhas e possibilidades de melhoria.
“Há empresas que têm processos seguros. Porém, as equipes são muito operacionais e a empresa acumula gigantes gargalos de análises. Hoje, com sistemas de gestão bem implantados e o conhecimento de seus processos, as equipes internas precisam ganhar poder analítico para garantir agilidade na tomada de decisão e melhoria em resultados com foco em dados concretos”.
– Reter talentos
“O mercado sempre oferece oportunidades para muitos profissionais. Hoje, cabe também à empresa o papel de conquistar o profissional, uma vez que a questão não é restrita à remuneração, mas também à condição interna de qualidade de trabalho, desenvolvimento e compartilhamento de conhecimento, relacionamento entre equipes, qualidade da liderança e as condições de domínio de estresse e de percepção de trabalho focado em desempenho”.
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Foto: Divulgação