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Gastronomia e tradição

O Palacete 1922 – restaurante e café – mantém até hoje tradições na gastronomia e na arquitetura vindas da época neocolonial de Ribeirão Preto

Fundado em 1922, ano que dá origem ao nome da casa, o Palacete foi construído pelo engenheiro Jorge Lobato, onde morou com sua esposa Ana Junqueira – filha do Coronel Joaquim da Cunha Diniz Junqueira – e seu filho Luís até o ano de seu falecimento, em 1965. Após esse período, o Palacete foi herdado por Luís, que residiu no local até 1991. A partir disso, a casa ficou fechada por anos, sendo tombada em 2008 como Patrimônio Histórico.
Os irmãos Ingrid Sominami Lopes – arquiteta – e Hector Sominami Lopes – engenheiro civil – adquiriram a propriedade dos herdeiros e tiveram a iniciativa de restaurar o lugar. O processo começou em 2015 e foi finalizado após dois anos e meio. Ingrid conta que, durante o período de reforma, foram analisadas atividades que tivessem a capacidade de manter a casa viva e com autonomia financeira. “Então, surgiu a ideia de abrir um restaurante, pois assim, contaríamos a história de Ribeirão Preto através da gastronomia, juntamente com a história do Palacete”, explica.
Para manter os costumes e as tradições da época, muitos estudos foram feitos para definir o que seria servido no restaurante. Ingrid relata que a montagem do cardápio foi feita por uma professora de gastronomia, um professor de história e pelo Chef do Palacete. “O menu levou cerca de um ano para ficar pronto devido as pesquisas realizadas. Ele foi montado usando os alimentos que se comiam na década de 20, transformados em pratos contemporâneos. Por isso, não temos frutos do mar, por exemplo, já que na época a refrigeração era muito cara e esses alimentos acabavam não vindo para a nossa região”, comenta a arquiteta.
Somado a isso, a proprietária do local afirma que a maioria dos produtos utilizados na fabricação dos alimentos são adquiridos na região e que os pratos do restaurante são servidos à la carte, com preço médio de R$ 65,00. “Temos também nossa própria horta, onde cultivamos hortaliças, temperos e flores comestíveis. O nosso vinagre e o nosso licor são feitos das jabuticabas do Palacete. Produzimos nossas massas, pães e molhos, e nosso ketchup é feito de goiaba”, detalha.

Arquitetura
Oriundo do estilo neocolonial, o Palacete tem referências da arquitetura do barroco brasileiro nos detalhes da fachada, no telhado com beiral e nas linhas mais limpas. Segundo Ingrid, isso se dá pelo “resultado do movimento de se fazer uma arquitetura nacional, não copiando mais a arquitetura europeia”, frisa. Além disso, ainda de acordo com a proprietária, o Palacete foi uma das primeiras construções a romper com o modelo de cômodos interligados, característico das famílias patriarcais. Possui uma arquitetura mais moderna, com a separação da área íntima e da área social. Existem, também, dois banheiros, o que era raridade na época.
Para Ingrid, foi uma experiência gratificante dar início ao processo de restauração. “Foi uma alegria muito grande! Eu, como arquiteta, sou suspeita para falar. É a realização de um sonho ter participado desse processo de restauro e da montagem do restaurante. Fico realizada quando as pessoas vêm tirar fotos, saber da história da casa e da família que nela viveu, fazendo esse passeio gastronômico e cultural”, comemora a arquiteta.

Na pandemia
Como todo e qualquer outro estabelecimento, o Palacete 1922 teve prejuízos devido a pandemia da Covid-19. Com as restrições, o restaurante ficou fechado durante meses. A proprietária conta que tiveram perdas de março de 2020 até maio de 2021, sem contar com a saída de alguns colaboradores do restaurante após os investimentos feitos em treinamentos e capacitação. Ingrid relata que todo o processo para retomar os atendimentos foi abalado. “A reabertura foi muito dolorida, tanto no aspecto emocional, pelas angústias e incertezas relacionadas à pandemia, quanto no aspecto administrativo e econômico, por causa das muitas idas e vindas do processo”, confessa. No entanto, ela ressalta que a casa teve muito amparo e confiança do público. “Muitas pessoas mandaram mensagem de estímulo para que não desistíssemos desse projeto tão importante para a comunidade de Ribeirão Preto. E graças ao apoio dessas pessoas, a casa continua viva e, em 2022, completará 100 anos! Se depender de nós, o Palacete continuará contando as suas histórias”, finaliza.

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