Elivanete Barbi
Minha Vivência na Revide
Tive o prazer e a honra de participar da criação da Revide, cuja ideia e primeiras discussões aconteceram nas salas de aula e laboratórios do curso de Jornalismo da Unaerp. Na época, a então aluna do curso, Bel Farias, uma colega que seria sua sócia e um grupo de estudantes se empenharam em criar uma revista que fosse um revide jornalístico, com posicionamento crítico e matérias de abordagem em profundidade sobre temas importantes da cidade e região.

Ali nasceu o projeto Revide, cuja editora e uma das mentoras do projeto foi minha amiga Adriana Canova Simionato, brilhante intelectual, jornalista e, também, professora do curso.
Participei da primeira edição como uma espécie de assistente. Nas edições seguintes, tornei-me editora, pois a Adriana optou por não permanecer na função, já que seu objetivo era somente auxiliar na formatação e produção inaugural.
Logo na primeira edição, a Revide saiu com uma matéria de capa que causou imenso impacto. A pauta não estava prevista. Foi factual. Em meio à produção do primeiro número da revista, um casarão histórico que havia na esquina das ruas Américo Brasiliense e Visconde de Inhaúma foi derrubado na calada da noite, antecipando-se a um possível tombamento e burlando a proibição de demolição. O fato gerou a pauta da primeira capa.
A Revide nasceu revidando e cobrando atuação do poder público na preservação do patrimônio arquitetônico da cidade. A demolição daquela mansão havia revelado a face cruel do desenvolvimento urbano da cidade. Ali não se preservou nada. Nem a escadaria de madeira maciça, lustres de cristal importados da Europa, vidros, janelas e toda a história contida entre aquelas paredes e portas cerradas que, por anos, guardavam um ar de mistério. A capa da Revide trouxe fotos do casarão destruído e outros patrimônios que estavam abandonados ou eram derrubados para se erigir os altos prédios comerciais ou de apartamentos que, rapidamente, iam modificando a paisagem urbana de Ribeirão Preto.
Aquele casarão marrom, com muros baixos, embora muito velho, era mantido limpo por um funcionário carrancudo, até mesmo assustador, que vez ou outra aparecia no jardim ou na varanda. O lugar e seu zelador geravam lendas sobre assombrações. Especialmente à noite, muitos pedestres até atravessavam a rua, com medo de se deparar com fantasmas de antigos moradores da casa cujos espíritos, diziam, insistiam em continuar habitando a casa.
Conto esse “causo”, pois a Revide, há 34 anos e suas 1.000 edições, registra o cotidiano de Ribeirão Preto, sua pujança econômica, os perfis dos políticos e empresários que conduzem a cidade, os profissionais que se destacam e alastram a fama de cidade próspera para todo o país.
Outras tantas matérias e capas geraram debates e polêmicas e a Revide foi, assim, fazendo seus registros e se adequando aos novos tempos, às novas tecnologias. Uma história própria, cruzada com a história de Ribeirão Preto. Uma história da qual tenho orgulho de ter feito parte.