Corrida a Favor da Vida, Superação, Reviravolta, determinação

Corrida a Favor da Vida

Com o esporte, Arilson Silva teve uma nova chance e hoje soma recordes mundiais na carreira


Texto: Cárila Covas


Arilson Silva ou Ariman, como é mais conhecido, é ultramaratonista e já conquistou inúmeros títulos nacionais e internacionais. Aos 49 anos, natural de Altinópolis, atualmente vive em Brodowski. De origem humilde, Ariman entrou no mundo das drogas e do álcool muito cedo, mas depois que conheceu a corrida, deu um novo sentido à vida. 

Metamorfose
O ultramaratonista foi usuário de drogas por mais de 30 anos e, nesse período, conheceu o que chama de abismo. Perdeu as contas de quantas vezes teve recaídas, foi internado em uma clínica de reabilitação e chegou até ser preso por roubar a bolsa de uma senhora para alimentar o vício. Na cadeia, Arilson tentou suicídio. “A corda arrebentou, mas e se não tivesse arrebentado?”, relata. Para sair da cadeia, ele conta que passou cinco meses sem usar drogas e que foi sincero na frente das autoridades. “Mesmo com o meu advogado me orientando a mentir, eu estava decidido a falar a verdade. Contei todo o meu passado para a juíza. Eu não era ladrão, só precisava de uma nova chance”, relembra.

Aos 45 anos, a vida de Arilson passou por uma reviravolta: foi quando descobriu o esporte e a corrida foi um grande passo para se livrar das drogas. Ariman percebeu que cada vez que ele corria, tinha menos vontade de usar drogas. Com isso, aumentou os desafios em busca de se livrar totalmente do vício. Em momento de autoconhecimento e descoberta, o ultramaratonista percebeu que tinha grande resistência para corridas de longas distâncias e que conquistou resultados expressivos em um curto período de tempo.

Ariman
Durante a luta contra o vicio, Arilson teve uma fratura múltipla no fêmur. O diagnóstico dizia que seria impossível a prática de qualquer atividade física. Arilson chegou a mancar da perna esquerda, que ganhou uma haste de titânio em cirurgia. No esporte, recebeu o apelido de Ariman pelo metal que carrega na perna e pela história heroica. 
Ariman subiu no topo mais alto do pódio do Rio Ultra Internacional, em 2019
Um passo de cada vez
Depois de tanto prometer para a mãe e para a família que mudaria, Ariman teve determinação e correu para recuperar o tempo perdido. Em uma tarde, depois de fazer a última promessa, Arilson colocou um short e saiu para andar. A ideia era esfriar a cabeça e, logo de primeira, percorreu 22km. “Eu fui pedindo a Deus um novo sentido à minha vida. Já voltei diferente”, explica. 
Com foco em participar de provas tradicionais, Ariman logo se deu conta de que podia ir além. Em quatro meses de treinos, realizou a primeira prova de 100km, depois, com oito meses, participou de uma prova de 24h e, com dez meses, uma de 48h. 

Ariman é recordista mundial de 72h em pista de atletismo com a marca de 508km, recordista Sul-Americano de 48h na Argentina, com marca de 371km, e recordista brasileiro de 48h em Passa Quatro (MG). Além disso, o atleta é vice-campeão mundial de Athenas 48h, campeão da Rio Ultra Internacional 24h e campeão Franca a Rifaina 100km.
Conquista do recorde sul-americano na Argentina
Trilhando caminhos
Além de colecionar recordes e títulos importantes, Arilson Silva tem outro propósito fora das competições. O recordista mundial é, também, palestrante e lançou o primeiro livro escrito pela jornalista e escritora Matilde Leone. “O mais importante do meu livro é poder compartilhar com as pessoas que a salvação é questão de acreditar”, afirma. Nas palestras, Ariman aborda os temas de motivação e superação, o perigo do álcool e das drogas e a importância do esporte na vida. “Conto sobre a minha trajetória, mostrando para os jovens os perigos do álcool e das drogas e busco incentivar pessoas a praticar esportes, pois foi o que mudou a minha vida”, completa. 

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