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Virtual e confiável

A Blockchain, tecnologia de registro usada para as transações com Bitcoins, pode ser usada para levar mais segurança e transparência aos registros públicos e privados

Os Bitcoins surgiram em 2008 e chamaram a atenção pela característica descentralizada e anônima. Atualmente, o mercado se desenvolveu e já existem outras moedas criptografadas. Especulações sobre valores e ações à parte, algo relacionado a elas vem sendo notado pelas utilidades variadas que podem proporcionar: a Blockchain.
O professor Rodrigo Faccioli explica o funcionamento da Blockchain e porque ela seria útil fora do mundo das criptomoedas
O sistema utilizado para registro de transações de moedas como o Bitcoin, nada mais é do que uma tecnologia de registro distribuído que visa à descentralização como medida de segurança. “Em suma, pode-se dizer que a Blockchain funciona como um livro-razão. Todavia, este livro permite trabalhar de forma pública, compartilhada e universal. Com isso, tem-se o consenso e a confiança na comunicação direta entre duas partes. Vale destacar que não há necessidade de empregar terceiros para validar a comunicação”, expõe o professor e doutor em Ciência da Computação Rodrigo Faccioli. 

Segundo ele, esse livro-razão cresce constantemente à medida que novos blocos completos são adicionados a ela por um novo conjunto de registros. “Tais blocos são adicionados à Blockchain de modo linear e cronológico. A validação do bloco é feita por cada computador (ou nó) que esteja conectado a essa rede”, completa Rodrigo. 
Gabriela Zanelatto realizou estudos acerca da utilidade da Blockchain para a promoção da transparência em instituições públicas e privadas
A segurança proporcionada pela ferramenta chamou a atenção de Gabriela Zanelatto quando estava prestes a se formar em Direito. O assunto foi tema de seu trabalho de conclusão de curso. “Eu me interessei pelo assunto e a professora Marília Ostini Ayello me abriu as portas para a ferramenta”, conta Gabriela. Segundo ela, a Blockchain seria um meio mais eficaz e seguro para a transparência. “Ela iria auxiliar na publicidade digital, ou seja, todo os membros da enorme cadeia pública conseguiriam, seja a instituição pública ou privada, passar a atuar sem qualquer tipo de dúvida, desconfiança ou receio com a mesma informação, tudo ao mesmo tempo”, analisa Gabriela. “Essa transparência em tempo real acaba permitindo que o cidadão que deseja ter acesso ao que é disponibilizado para todos tenha mais confiança no que é colocado à disposição nas vias web. Essa ferramenta é inovadora e é um grande auxílio para a maior efetivação da Lei de Acesso à Informação”, pontua.

Gabriela destaca que o uso da Blockchain nos sistemas de administração públicos brasileiros já é algo viável e está sendo implantado em capitais como Teresina, no Piauí. “Será a primeira cidade do país a utilizar a tecnologia direcionada ao transporte público. A Prefeitura da cidade tem como principal objetivo tornar a acessibilidade ao sistema mais atrativa para os munícipes, sendo, assim, mais interessante para o cidadão utilizar o transporte público em vez do próprio veículo. Isso torna a ideia uma forma inovadora e inteligente de diminuir carros e a emissão de gases poluentes”, explica. 

No estudo, Gabriela também identificou que há a possibilidade de implementar a Blockchain na saúde pública e outros setores. “A ferramenta pode facilitar alguns sistemas, como o de registros, para poder autenticar documentos e até reconhecer algumas assinaturas. A Blockchain também pode ser utilizada para manter guardados no sistema dados como tipos sanguíneos ou cirurgias já realizadas, medicamentos e alergias. Isso faz com que o paciente seja atendido em qualquer lugar do país e até do mundo com mais segurança e precisão”, frisa ela. Como desafio, Gabriela aponta que falta interesse por parte dos órgãos públicos na ferramenta. Já Rodrigo Faccioli afirma que alguns pontos fracos da ferramenta, como tempo de transações, grande consumo de energia, questões de integração e custo de implementação, podem ser empecilhos. 

Prós e contras
Rodrigo Faccioli aponta vantagens e desafios a respeito da Blockchain.

Vantagens
• Confiança entre as partes
Duas partes são capazes de fazer uma troca sem a supervisão ou intermediação de uma terceira parte. 
• Qualidade de dados
Os dados disponíveis na Blockchain são completos, consistentes, datados, precisos e amplamente compartilhados.
• Segurança
Em virtude de as redes da Blockchain serem descentralizadas, não há um ponto central (servidor) de falha e, também, é mais resistente a ataques cibernéticos.
• Integridade de processo
Usuários podem confiar que suas transações serão executadas exatamente conforme o protocolo estabelecido. • Transparência e imutabilidade
A transparência é criada uma vez que todas as transações são assistidas publicamente pela rede. Além disso, tais transações são imutáveis, ou seja, elas não podem ser alteradas ou deletadas.
• Menor custo por transação
Com a não necessidade de um terceiro para validar a transação e despesas gerais, as blockchains têm o potencial de reduzir significativamente taxas de transações.

Desafios
• Tempo das Transações
Para realizar uma transação na Blockchain, há o processo de validação. É um procedimento demorado, visto que os algoritmos de consenso necessitam realizar diversas operações, o que acarreta em aumento de tempo para completar a transação.
• Grande consumo de energia
Por usar vários computadores nas transações, é necessário um grande gasto de energia
• Questões de integração
A Blockchain oferece soluções que exigem mudanças significativas, ou a substituição completa de sistemas existentes. A fim de realizar a troca, as empresas precisam desenvolver uma estratégia de transição.
• Custo
Oferece grande economia em preço e tempo por transação. Porém, tem altos custos de capital inicial.

Texto: Tainá Colafemina.

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