Para além da nostalgia

Para além da nostalgia

Por Daniel Ferreira Bueno, Advogado da Área Cível do Pereira Advogados

Minha história com o centro de Ribeirão Preto começa antes mesmo do meu nascimento, em 1978. Quando criança, minha mãe morou no Edifício Diederichsen, inaugurado em 1937, foi o primeiro edifício vertical da cidade e considerado um dos primeiros arranha-céus do interior paulista, com meu avô, Valter Ferreira, que mais tarde seria homenageado dando nome a uma escola ribeirão-pretana.

 

Eu também cresci ali. Morava no Edifício Virginia Lousada, estudava no Guimarães Júnior, jogava bola na Praça da Catedral e andava de bicicleta na Praça Camões. A adolescência foi bem vivida na Recreativa. O centro não era só um endereço, era quintal, escola e ponto de encontro de uma geração inteira.

 

Por isso, defender a revitalização do centro não é nostalgia. É reconhecer que ali está a memória coletiva da cidade, em seus prédios, praças e histórias, e que esse patrimônio precisa voltar a ser vivido. Neste ano, visitei centros históricos de cidades europeias e vi como a preservação pode caminhar ao lado da modernidade: fachadas restauradas, calçadas acolhedoras, comércio ativo, cultura na rua e, sobretudo, gente desfrutando do centro. Lá, o antigo não é obstáculo, é o maior atrativo.

 

Ribeirão Preto pode seguir esse caminho. Revitalizar é incentivar a existência, recuperar imóveis históricos, qualificar os espaços públicos, garantir segurança e estimular o comércio e a vida cultural, inclusive à noite. Centro ocupado é centro seguro e, quando bem cuidado, devolve à população o orgulho de pertencer à sua história.

 

Na foto  com minha mãe e meus avós paternos. Meu bisavô, José da Silva Bueno, que deu nome ao MIS, foi o fundador da PRA7, primeira rádio do interior do Brasil, fundada em 1920, mais um laço da minha família com a história da cidade. Cuidar do centro é cuidar de quem fomos e de quem ainda podemos ser.

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