Entidades de Ribeirão Preto realizam manifestação em defesa da Justiça do Trabalho
Extinção da instância jurídica foi cogitada pelo presidente da república

Entidades de Ribeirão Preto realizam manifestação em defesa da Justiça do Trabalho

O ato ocorrerá na próxima terça-feira, 5 de fevereiro, às 14h, em frente ao Fórum Trabalhista do município

Sindicatos e entidades da sociedade civil de Ribeirão Preto farão uma manifestação em defesa da Justiça do Trabalho na próxima terça-feira, 5 de fevereiro, às 14h, em frente ao Fórum Trabalhista, localizado na Rua Afonso Taranto, 105, na Nova Ribeirânia.

Além da manifestação, as associações também divulgaram uma carta aberta à população nesta sexta-feira, 1º de fevereiro, contra a extinção dessa instância e do poder jurídico, que foi tema de uma declaração recente do presidente Jair Bolsonaro.

O advogado Juarez Melo, presidente da Associação dos Advogados de Ribeirão Preto (AARP), que integra o movimento, argumenta que, apesar da proposta não ter prosperado nas instâncias legais, é necessário que a sociedade seja alertada dos riscos que ela representa.

 “A justiça é uma instância de mediação de conflitos. Neste caso, aqueles que envolvem trabalhadores e empregadores, de todos os tamanhos e origens. Esse é um direito, tanto de quem presta um serviço remunerado de acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho, quanto daqueles que usufruem dessa mão de obra. Não é possível admitirmos a usurpação de um direito conquistado há tantos anos”, argumenta.

Confira a carta aberta do Movimento em defesa da Justiça do Trabalho:

"A Justiça do Trabalho existe no Brasil desde 1941. Sua criação foi um dos primeiros passos do então Presidente Getúlio Vargas no sentido de proporcionar direitos aos trabalhadores no Brasil, criando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Em 1988, com as mudanças da sociedade brasileira, foi reafirmada a importância da Justiça do Trabalho, sendo a ela delegada, pela Constituição Federal, a missão de pacificar os conflitos do sistema laboral.

As portas da Justiça do Trabalho estão abertas à população brasileira. Trata-se de uma instância moderna, a exemplo de países como a Alemanha, que colabora com o desenvolvimento do Brasil ao atender de forma equânime trabalhadores, pequenos empresários e grandes empresas.

Segundo o relatório “Justiça em Números – 2018” do Conselho Nacional de Justiça, em 2017 o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-15) registrou a média de 2 mil novos processos por 100 mil habitantes, o que demonstra a efetiva necessidade da Justiça do Trabalho diante das demandas da população. O mesmo relatório também aponta que, quando comparada às demais instâncias do judiciário, a produtividade e a celeridade são destaques da Justiça do Trabalho.

Apesar da evidente necessidade da manutenção e, no que for possível, aprimoramento da Justiça do Trabalho, a Presidência da República, tendo como argumento que essa instância não gera lucro aos cofres públicos e que os direitos postulados são de pequeno valor, tornando inviável a sua manutenção, cogitou a possibilidade de extingui-la, anexando-a à Justiça Federal.

Ocorre que as argumentações não se sustentam.

A função do Poder Judiciário não é a de gerar lucros, mas pacificar a convivência dos cidadãos brasileiros, o que acontece de maneira mais efetiva quando há uma instância especializada, como a do Trabalho. Sua extinção não significaria qualquer avanço para o Brasil. Ao contrário, representaria prejuízos aos trabalhadores, aos pequenos e grandes empresários.

A advocacia, a magistratura, as entidades, movimentos sociais e sindicatos, diante das incertezas da agenda política brasileira, posicionam-se na defesa intransigente da Justiça do Trabalho, para que esse tema tão importante não seja discutido apenas nos gabinetes do Congresso, sem a colaboração da sociedade.

O processo democrático é composto também – e principalmente – pelo diálogo, com o qual se deve ouvir e expressar posição.

O movimento em defesa da Justiça do Trabalho em Ribeirão Preto tem como objetivo travar um franco debate com a população da nossa cidade a respeito dos prejuízos do eventual fechamento dessa instância. Também, e não menos importante, temos o objetivo de demonstrar nossa posição em um grande ato público dia 5 de fevereiro de 2019, às 14h, em frente ao Fórum da Justiça do Trabalho de Ribeirão Preto.

Convidamos todos e todas a contribuírem e participarem de nosso ato, inclusive das futuras ações do Movimento que aqui se inicia".


Foto: Pixabay

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