Lei “Orelha e Otto” proíbe fogos com estampido em Ribeirão Preto

Lei “Orelha e Otto” proíbe fogos com estampido em Ribeirão Preto

Nova legislação prevê multas e amplia medidas de proteção aos animais; moradores destacam importância da fiscalização

A utilização e a soltura de fogos de artifício com estampido passam a ser proibidas em Ribeirão Preto. A medida está prevista na Lei nº 15.199/2026, conhecida como Lei Orelha e Otto, sancionada nesta semana e voltada à proteção e ao bem-estar dos animais no município. A partir da nova norma, ficam permitidos apenas fogos de efeito visual silencioso.

 

Além da proteção aos animais, a restrição busca reduzir impactos do barulho em pessoas com transtorno do espectro autista, idosos e pacientes hospitalizados, grupos que podem ser mais sensíveis ao ruído provocado pelos artefatos pirotécnicos.

 

Ao comentar a medida, o prefeito Ricardo Silva afirmou que a legislação representa um avanço na proteção animal e no cuidado com a população. “Estamos avançando para uma cidade mais consciente e responsável, que também se preocupa com os impactos do barulho dos fogos em animais e pessoas com maior sensibilidade auditiva”, declarou.

 

Quem descumprir a regra estará sujeito a penalidades. Para pessoas físicas, as multas variam de R$ 1.500 a R$ 10 mil. Já para pessoas jurídicas, os valores vão de R$ 5 mil a R$ 20 mil, podendo haver suspensão do alvará em caso de reincidência.

 

Estabelecimentos comerciais também deverão afixar avisos visíveis ao público informando sobre a proibição da venda e do uso de fogos com estampido.

 

Lei também amplia medidas contra maus-tratos

 

Além da restrição aos fogos barulhentos, a Lei Orelha e Otto estabelece normas voltadas à prevenção e punição de maus-tratos aos animais, além de prever ações educativas sobre guarda responsável.

 

Entre as condutas consideradas maus-tratos estão abandono, violência, manutenção de animais em condições inadequadas, exploração em atividades que provoquem sofrimento e participação em lutas entre animais.

 

As penalidades podem incluir:

- Multas de R$ 2 mil a R$ 50 mil por animal envolvido;

- Apreensão do animal;

- Proibição temporária ou definitiva da guarda;

- Interdição de estabelecimentos;

- Inclusão do infrator em cadastro público.

 

As novas regras já estão em vigor e deverão ser regulamentadas pelo Executivo municipal em até 90 dias.

 

Em situações que envolvam menores de idade, os responsáveis legais poderão ser comunicados e encaminhados a ações educativas ou programas de conscientização sobre proteção animal, além de eventual comunicação ao Conselho Tutelar.

 

Moradores defendem fiscalização efetiva

 

Para moradores e pessoas envolvidas com a causa animal, a nova legislação representa um avanço, mas ainda depende de fiscalização para surtir efeito.

 

Juliana Oliveira, responsável pelo projeto Amigo Cãociente, que atualmente abriga mais de 30 animais, afirma que a medida é importante, mas precisa sair do papel. “Como alguém que vive essa realidade todos os dias, muitas vezes me sinto frustrada e desamparada. A causa animal precisa de ações concretas e fiscalização, porque promessas não salvam vidas — atitudes sim”, afirma.

 

Ela relata que, em períodos de jogos, festas religiosas e comemorações de fim de ano, o barulho costuma causar grande sofrimento aos animais. Juliana lembra ainda que já existe uma lei estadual que proíbe fogos com estampido em todo o estado de São Paulo, mas que a prática ainda é observada na cidade.

 

A moradora Lucia Grano Leça, que convive com cinco cães em uma área rural do município, também relata dificuldades durante períodos de comemoração. Segundo ela, uma das cadelas sofre bastante com o barulho dos fogos. “Nessas épocas, ela fica muito mal, então preciso permanecer com ela o tempo todo”, conta.

 

Para Lucia, a legislação é positiva, mas precisa ser divulgada. “Tem que haver conscientização da população em toda a cidade. Só multar ajuda, mas não resolve o problema sozinho”, avalia.

 

Aglair Rodrigues dos Santos também apoia a proibição. “Tenho animais que ficam aterrorizados com o barulho. Imagino que a sensação seja semelhante para idosos e pessoas doentes. Se a lei pune quem causa esse sofrimento, já é um passo importante”, diz.

 

Ela destaca ainda a expectativa de que os recursos das multas sejam destinados à proteção animal. “Isso pode ajudar no cuidado de animais em situação de vulnerabilidade. Espero que a lei funcione na prática”, conclui.


Foto: Canva

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