O desenvolvimento da Zona Sul de Ribeirão Preto

O desenvolvimento da Zona Sul de Ribeirão Preto

A região que mais valoriza na cidade teve um crescimento expressivo nas duas últimas décadas, segundo o arquiteto e urbanista José Roberto Geraldine Júnior

O crescimento da Zona Sul de Ribeirão Preto impressiona. Nos últimos 20 anos, diversos condomínios residenciais e comerciais foram construídos na região, além de shoppings, parques e hospitais, trazendo mais valorização ao local.

De acordo com o arquiteto e urbanista José Roberto Geraldine Júnior, doutor em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado de São Paulo (CAU-SP), a busca por regiões mais atrativas em termos de qualidade de vida e segurança colaborou para o desenvolvimento expressivo do eixo das avenidas Presidente Vargas e João Fiúsa. Com o metro quadrado mais valorizado da cidade e o maior número de lançamentos imobiliários, o especialista abordou os motivos que levaram a Zona Sul a ser o principal palco de investimentos por parte do setor privado e por que a região atrai cada vez mais a atenção dos ribeirãopretanos.

Um dos motivos, segundo ele, foi o esvaziamento de investimento em outras regiões da cidade, como o Centro, por exemplo. O desinteresse nessas áreas, aliado à busca por regiões mais atrativas e seguras, impulsionou o crescimento da Zona Sul de Ribeirão Preto.

A Zona Sul de Ribeirão Preto cresceu muito nos últimos anos. Quais são os principais vetores de crescimento da região?

A Zona Sul de Ribeirão Preto teve um crescimento expressivo últimas duas décadas. Em parte, por causa da falta de investimentos do setor público e privado nas regiões mais centrais e, por outro lado, pela busca de regiões mais atrativas em termos de qualidade de vida e segurança no eixo das avenidas Presidente Vargas e João Fiúsa, em direção a Bonfim Paulista. O principal vetor de crescimento na última década foi o eixo da Avenida Presidente Vargas em direção a Bonfim, com dezenas de novos empreendimentos imobiliários, condomínios horizontais e verticais.

O desenvolvimento urbano da Zona Sul aconteceu de forma planejada?

Podemos dizer que atendeu a orientação do Plano Diretor da cidade, que já estabeleceu esses vetores de crescimento desde a sua aprovação, em 1995. Entretanto, ainda existem muitos vazios urbanos a serem ocupados no interior do Anel Viário, que são áreas com toda infraestrutura e equipamentos urbanos.

Como se deu a urbanização da região?

O setor privado iniciou esse processo de urbanização a partir da oferta de loteamentos, condomínios horizontais e equipamentos públicos (comerciais), que atraíram a população pela qualidade do espaço urbano, o que não ocorreu com a mesma intensidade nas Zonas Oeste e Leste da cidade. Contudo, a Zona Norte também teve um crescimento expressivo, com empreendimentos populares ao longo do Anel Viário (no contorno norte), no eixo da Avenida Dom Pedro.

Por que a Zona Sul tornou-se a área mais nobre do município, com o preço mais alto do metro quadrado e o maior número de lançamentos imobiliários da cidade?

Principalmente pelo perfil de empreendimentos imobiliários projetados e executados pelo setor privado naquela região. Avenidas largas, infraestrutura subterrânea (energia elétrica), ciclovias e grandes recuos nos lotes e paisagismo custam caro para o cliente final, o que define o preço mais elevado do metro quadrado.

Contudo, comparativamente com grandes centros urbanos, o valor do metro quadrado praticado na Zona Sul ainda está abaixo da média. Em São José do Rio Preto, atualmente, existem empreendimentos semelhantes com os imóveis ofertados na Zona Sul de Ribeirão Preto e com valores mais elevados. O mesmo ocorre com imóveis em Campinas, em São Paulo e na região metropolitana de São Paulo.

No ano passado, Ribeirão Preto foi classificada como a 28ª cidade mais inteligente e conectada do Brasil, segundo o Ranking Connected Smart Cities. O que isso significa?

Significa que ainda temos muito o que avançar em investimento para tornar a cidade mais conectada e que ofereça serviços com o conceito “smart cities” para os usuários/moradores. Ainda temos que avançar na inclusão desses temas na legislação urbanística, que contribui para o desenho urbano futuro e também para evoluirmos na inclusão e sustentabilidade. Atualmente, São José dos Campos é a referência nesse tema.

De acordo com o IBGE, Ribeirão Preto já tem 720 mil habitantes e a previsão é que chegue a um milhão de moradores em até 10 anos. A cidade está preparada, tem estrutura para isso?

Em algumas regiões da cidade, a infraestrutura já está no limite da saturação. Por outro lado, existem áreas com grandes vazios urbanos, que já possuem toda infraestrutura necessária e equipamentos urbanos ociosos que poderão ser explorados até o limite adequado. A cidade precisa ser ocupada em todo o seu território e a produção de habitação deve contemplar todas as faixas de renda, inclusive as camadas da população que buscam o apoio do Estado para a moradia, que é um direito constitucional. Incentivar a ocupação adequada e ordenada, assim como a revitalização de áreas degradadas – que já têm infraestrutura ociosa –, é o grande desafio nessa próxima década. 

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