Região Metropolitana de Ribeirão Preto tem déficit de quase mil policiais civis
Pouca quantidade de profissionais sobrecarrega polícia e cria barreiras no combate ao crime
A Região Metropolitana de Ribeirão Preto possui um déficit de quase mil policiais civil. Segundo informações do Sindicato dos Delegados, com base em dados fornecidos pelo Governo Estadual, quase 38% dos cargos da estão vagos desde dezembro de 2018.
O número tem crescido todos os meses em razão das aposentadorias e exonerações que aconteceram de 1° de janeiro de 2019 até hoje. De acordo com o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (SINDPESP) este é um dos maiores deficits de policiais civis de todo o Estado.
Para se adequar à legislação, oferecer um atendimento à população com qualidade e um tratamento digno aos policiais, o governo precisa contratar pelo menos 869 policiais, pois apenas 1.444 dos 2.313 cargos existentes na região estão ocupados. A falta de 869 de policiais civis é a somatória do deficit que atinge as carreiras de delegado, escrivão, investigador, agente policial, agente de telecomunicações, papiloscopista e auxiliar de papiloscopista.
A defasagem do efetivo policial civil é um problema que atinge todo o estado, mas no Deinter 3 a situação é grave, pois o índice é um dos maiores. Segundo o último levantamento do Defasômetro, mais de 14 mil cargos estão vagos na Polícia Civil, um total de 33,96% de todos os cargos existentes. Em Ribeirão, de forma exata, o índice é de 37,57%.
Ribeirão Preto
A quantidade apresentada é baixa segundo o Sindicato dos Policiais Civis da região de Ribeirão Preto (Sinpol). O correto seria haver pelo menos, 200 escrivães e 250 investigadores na seccional ribeirão-pretana, o que não acontece.
Dados do Sinpol apontam que trabalham na cidade, cerca de 160 policiais civis. Os profissionais são espalhados entre a Delegacia da Mulher, a Delegacia do Idoso, a Delegacia do Menor Infrator, a Delegacia de Investigações Gerais sobre Entorpecentes, a Delegacia de Investigações Gerais e as CPJs Norte, Sul e Oeste, entre outros prédios.
Eumari Lúcio da Mata, responsável pelo Sinpol, falou que todo estado precisa de recursos humanos. “Temos mais viaturas do que pessoas para usarem elas. Hoje a Polícia Civil tem trocado muitas baterias, pois elas estragam quando não são usadas”.
Para ele, a quantidade de policiais é pouca para atender toda região da seccional de Ribeirão Preto. “Eu acredito que as delegacias não poderiam ser fechadas. O patrão do policial é o povo e todos merecem um bom atendimento, independente da gravidade do crime”.
Ele diz que com um índice tão baixo, quem sofre são os profissionais que precisam se desdobrar para não deixar a população desassistida e acabam sendo expostos a péssimas condições de trabalho, com jornadas ininterruptas e acúmulo de funções.
Deinter 3
A Presidente do SINDPESP conta que existe uma falta de vontade política desses governos que, ao longo de mais de 20 anos, não investiram de forma adequada na segurança pública da população e na Polícia Civil do Estado de São Paulo.
“A principal vítima é a sociedade. Essa falta de investimento faz com que a instituição não possa trabalhar de acordo com sua potencialidade. Muitas vezes nos deparamos limitados e até mesmo impedidos de podermos exercer as nossas atribuições”, avalia Raquel Kobashi Gallinati.
O Deinter 3 é composto pelas delegacias seccionais de Araraquara, Barretos, Bebedouro, Franca, Ribeirão Preto, São Carlos, São Joaquim da Barra e Sertãozinho, com população estimada pelo IBGE, em 2012, de 3.382.526 habitantes e extensão territorial de 39.038,62 km².
Além da defasagem de profissionais da Polícia Civil, o SINDPESP abordará problemas como a falta de coletes balísticos e munições e, também, o trabalho que está sendo realizado para conseguir o reajuste salarial prometido pelo governador e a Reforma da Previdência para a Polícia Civil.
Outro lado
Questionada, a assessoria de imprensa da Secretária de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que a atual gestão investe na valorização e ampliação do efetivo policial. Estão em andamento concursos para a contratação de mais de 2.750 policiais civis, entre delegados, investigadores, escrivães e agentes policiais. Já foi autorizada também a abertura de um novo certame para a contratação de 2.939 policiais civis, a partir do próximo ano.
Em relação ao déficit, o dado apontado pelo sindicato leva em consideração postos de trabalho já extintos e não contabiliza a requalificação de mais de 2 mil carcereiros que passaram a ser agentes policiais, em razão da lei sancionada pelo governador em março.
Foto: Acervo Revide