Ribeirão Preto perde mais de 60% de água na rede de distribuição
Para Departamento de Águas e Energia Elétrica, há uso indevido de áreas com recursos naturais na cidade

Ribeirão Preto perde mais de 60% de água na rede de distribuição

Vazamentos visíveis e não visíveis, ligações clandestinas e fraudes são principais causadores do desperdício

Ribeirão Preto perde cerca de 60% de água na rede de distribuição e abastecimento da cidade. Entre as principais causas do desperdício, estão vazamentos visíveis e não visíveis, ligações clandestinas e fraudes. As informações são do Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp). 

Já o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), que, entre as atividades, fiscaliza e administra as outorgas de perfurações de poços na cidade, afirma que há uso indevido de áreas com recursos naturais na cidade. "Sabe-se que há exploração intensiva de água subterrânea no município de Ribeirão Preto, com maior densidade de poços na porção central da cidade", afirma, por meio de nota.

Apesar de estimar o problema, não há como determinar a quantidade de poços clandestinos em Ribeirão Preto. O DAEE realiza fiscalizações a partir denúncias de cidadãos, ONG's, Polícia Ambiental, Ministério Público, prefeitura, além das trocas de informações com o próprio Daerp.

Questionados pelo Portal Revide sobre as perdas de água no serviço de abastecimento do município, a Prefeitura de Ribeirão Preto e o Daerp negaram que os números representem desperdício. "Esse número diz respeito às perdas que ocorrem na rede de distribuição, em função de vazamentos visíveis e não visíveis, ligações clandestinas e fraudes. A idade dos hidrômetros hoje utilizados também leva a perdas significativas no sistema, uma vez que não oferecem a precisão necessária à medição do consumo", afirma, também em nota.

O Daerp afirmou que várias medidas já estão sendo tomadas para a redução das perdas de água. "Investiremos cerca de R$ 83,3 milhões em obras, com o objetivo de reduzir as perdas totais hoje estimadas em 61% para 45% já no ano que vem, para 35% em 2020 e para 30% em 2021", explica, por e-mail.

Para diminuir as taxas, estão previstas a substituição de oito poços profundos e implantação de dois novos poços, entre outras melhorias. "O objetivo, com a setorização e implantação de novos reservatórios, é inverter a ordem de distribuição. Hoje, o volume produzido vai, em sua maior parte, para a rede de distribuição. O ideal é que a água produzida seja encaminhada ao reservatório e, de lá, para a rede. Assim conseguiremos controlar a pressão, um dos principais fatores de vazamentos hoje", conclui a nota enviada à reportagem. 


Sob supervisão de Marina Aranha.


Foto: Arquivo Pessoal

Compartilhar: