Preservação do Aquífero Guarani é tema de reunião aberta ao público na Acirp
Lagoa do Saibro é uma das áreas de preservação da zona Leste visando a recarga do Aquífero Guarani

Preservação do Aquífero Guarani é tema de reunião aberta ao público na Acirp

Especialistas alertam para insustentabilidade do modelo de captação atual; Desperdício de água passa dos 43% na cidade

Ribeirão Preto enfrenta um risco significativo de crise hídrica devido ao rebaixamento contínuo do Aquífero Guarani, única fonte de abastecimento de água para os cerca de 710 mil habitantes da cidade, afirmam especialistas do Museu do Sistema Aquífero Guarani (MUSAG). Esse cenário não se limita apenas a Ribeirão, mas também a outros municípios vizinhos, como Sertãozinho e Matão, que dependem exclusivamente do aquífero para suprir as necessidades hídricas.

 

Discutir e apresentar soluções para a segurança hídrica e a conservação da biodiversidade na região é o foco da Aliança Guarani, que promove uma reunião aberta ao público nesta quarta-feira, 26, a partir das 9 horas, na sede distrital Oeste da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp). O encontro deve reunir organizações não governamentais, empresários de todos os setores e a sociedade civil, que buscam soluções sustentáveis e viáveis de conservação do aquífero. O encontro faz parte do Ciclo Integrado do Meio Ambiente de Ribeirão Preto.

 

Dados da ferramenta Aqueduct, do World Resources Institute (WRI), apontam que a região metropolitana de Ribeirão Preto está entre as seis mais vulneráveis em crise hídrica do Brasil. "Quando falamos em tragédias climáticas, é crucial destacar aquelas que seguem silenciosas, mas comprometem comunidades inteiras, como o esvaziamento do Aquífero Guarani", adverte Mônica Picavea, diretora de sustentabilidade do Instituto Artesano. Ela enfatiza a necessidade de conscientizar as atuais e futuras gerações e promover ações que protejam os recursos hídricos regionais.

 

O WRI sugere que a solução para os frequentes problemas de falta d'água pode estar na infraestrutura natural, como a conservação de áreas de mata nativa, restauração florestal e gestão sustentável das paisagens. “Ao aplicar soluções baseadas na natureza e investir em infraestrutura natural, as cidades brasileiras podem se preparar para garantir um abastecimento de água de qualidade para seus habitantes, protegendo-se contra secas e mudanças climáticas”, afirma Mônica.

 

O Aquífero Guarani é uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, abastecendo mais de 15 milhões de pessoas, com uma concentração significativa no estado de São Paulo. Embora o estado ocupe apenas 13% da área total do aquífero, ele é responsável por 70% da extração de água dessa reserva, segundo a Organização dos Estados Americanos (OEA). Este desequilíbrio entre a área ocupada e a quantidade de água extraída coloca pressão sobre os recursos hídricos subterrâneos.

 

Ribeirão Preto capta anualmente 156,1 bilhões de litros de água do aquífero, conforme dados do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). Já um estudo da Universidade de São Paulo (USP) de 2021 revelou que, ao longo de 70 anos, o nível do aquífero na região de Ribeirão rebaixou 120 metros. Essa queda aponta o uso insustentável do recurso, segundo a pesquisa.

 

Além da captação excessiva, a cidade registra perdas de água superiores às médias nacional e estadual, com 714 litros por dia desperdiçados por ligação. As perdas totais na distribuição somam 43%, divididas em perdas reais (26%), que incluem vazamentos e extravasamentos, e perdas aparentes (17%), resultantes de submedição, fraudes e ligações clandestinas, conforme relatado pelo Serviço de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Saerp). Para se ter uma ideia, a média brasileira é de 40%, enquanto no Estado de São Paulo, 34% da água é desperdiçada.

 

Serviço
Evento:  Aliança Guarani
Data: quarta-feira, 26 de junho
Hora: 9h 
Local: ACIRP - Avenida Dom Pedro I, 642 - Ipiranga

Compartilhar: