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À base de plantas

Dieta vegetariana ganha espaço na alimentação de moradores ribeirãopretanos

Seja pelo desenvolvimento sustentável do meio ambiente, para salvar os animais do sofrimento nos abatedouros ou até mesmo pelo bem-estar e a própria saúde, a dieta vegetariana vem ganhando espaço na vida de alguns moradores de Ribeirão Preto. Esse estilo de alimentação ainda é um assunto relativamente novo e gera uma série de questionamentos. Afirmações do tipo “você vai ficar doente” também são frequentemente ouvidas por essas pessoas que decidiram não consumir carne animal. Segundo uma pesquisa feita em 2018 pela Sociedade Vegetariana Brasileira, 30 milhões de pessoas se declaram vegetarianas. Nas regiões metropolitanas como São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, a taxa é de 16%, o que representa um crescimento de 75% em relação a 2012, quando apenas 8% da população se autodeclarava adepta a essa dieta.  

Vegetariana há dez anos, a jornalista Karyla Romero conta o que a fez mudar a rotina alimentar. “Parei de consumir carne pelos animais. Desde criança, tinha uma sensibilidade com o sofrimento. Como cresci em uma chácara, sempre tive uma conexão com a natureza e com os animais, mas essa conexão ficou ainda mais forte. Sinto que é verdadeiro quando digo que amo os animais”, explica. 

Quem segue por esse caminho consome – de uma maneira mais variada, em maior quantidade e com maior frequência – os alimentos de origem vegetal e in natura. Alimentos como carnes embutidas, salgadas e ultraprocessadas, que têm uma associação direta com doenças como diabetes, doenças do coração, pressão alta e alguns tipos de câncer, principalmente os ligados à função intestinal, saem do cardápio. “Eu tinha um quadro alérgico muito forte, mas foi praticamente extinto. Também percebi que minha imunidade aumentou. Acredito que isso seja por causa da alimentação”, completa Karyla.

Existe uma infinidade de opções saudáveis e fáceis para atingir a meta de nutrientes diários. Ao contrário do que pensam, a proteína, responsável pela função estrutural do organismo, não é encontrada apenas em produtos de origem animal. Ela também pode ser absorvida por meio das leguminosas, como o feijão, soja, lentilha e grão de bico; sementes, como a de abóbora e a de linhaça; e até mesmo de nozes, castanhas, cogumelos e tofu. “Existe esse mito de que apenas carnes, ovos e leite de vaca fornecem proteína. Não há riscos de falta ou de deficiência em uma dieta bem planejada. Então, é bem tranquilo alcançar a necessidade, inclusive para pessoas que praticam atividade física. A combinação arroz com feijão é sempre uma boa opção para o prato vegetariano”, explica Natali Magalhães, nutricionista especialista em alimentação vegetariana e vegana.

Diferente de Karyla, há algumas pessoas que não pararam, mas decidiram reduzir o consumo de carne animal, como é o caso da professora de ensino fundamental Amanda Colozio. Apesar de não consumir carne vermelha, ela ainda se alimenta de carnes brancas, como frango e peixe. “Nunca fui uma grande consumidora de carne, nunca gostei muito. Quando fui fazer um intercâmbio em Portugal, durante a minha graduação, fiquei muito tempo sem consumir carne vermelha porque era muito caro. Foi a primeira vez que tive uma diminuição no consumo. Para se ter uma ideia, consumi a carne vermelha somente duas vezes no período de seis meses”, revela. 

Quando retornou para o Brasil, Amanda voltou a comer carne vermelha, mas logo, enquanto fazia um mestrado em uma universidade de São Carlos, conheceu a orientadora, que era vegetariana. “Ela quebrou muitos tabus que eu tinha sobre o assunto, e ver como ela era saudável ajudou muito, porque eu achava que quem não comia carne tinha déficit de nutrientes, que eram pessoas que não tinham boa saúde”, continua Amanda.

Durante a transição de uma rotina com carne para uma sem, a pessoa vai passar por um período repleto de desafios, em que é importante aprender sobre a nutrição básica para conseguir planejar a alimentação com novas opções. “É importante saber que cada pessoa tem o próprio tempo, e que ele deve ser respeitado, assim como também os limites. Para que essa transição seja mais tranquila, meu conselho como vegetariana, e como uma profissional que atende esse público, é que a pessoa compreenda as razões que a fizeram escolher esse caminho. Isso traz uma motivação muito forte. É preciso ler, se informar e experimentar”, finaliza Natali. 

Karyla Romero, Natali Magalhães e Amanda Colozio

Para conhecer: 

A Feira Veg, do movimento Veg Ribeirão, é considerada uma das maiores feiras veganas do país. São cerca de 60 expositores, incluindo: gastronomia, artesanato, cosméticos e moda vegana, todos livres de ingredientes de origem animal e não testados em animais. A próxima edição acontece no dia 9 de outubro, das 12h às 20h, na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), que fica na Av. Portugal, 3035. A entrada é gratuita. Quem quiser pode estacionar no local, pelo valor de R$ 10,00 (período livre). No dia, serão apresentadas palestras, rodas de conversa, mostras de filmes, documentários, oficinas, workshops, aulas de yoga, ginástica natural, música ao vivo e apresentações artísticas.

Além disso, a organização oferece ações de apoio a projetos sociais da cidade, como a feira de adoção de cães e gatos das ONGs Focinhos SA e Só Gatinhos, a arrecadação de alimentos  do Projeto Marmitas do Bem, que distribui marmitas para pessoas em situação de rua, a arrecadação de tampinhas de plástico para o Projeto CastrAção, a arrecadação de óleo usado para a Associação Brasileira Ambiental, Cultural e Desportiva, e a conscientização sobre veganismo pelo projeto Libertação Animal RP. Para saber mais sobre esse movimento, acompanhe as postagens no Instagram: @vegribeirao.

Colaboração: Suzanna Nazar

Foto: Pixabay / Acervo pessoal

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