Dublador Guilherme Briggs é uma das atrações do primeiro dia do InterComic
Dublador conversou com a reportagem do Portal Revide

Dublador Guilherme Briggs é uma das atrações do primeiro dia do InterComic

Evento, que é voltado ao público nerd, geek, maker e pop, trará diversas oficinas e atrações para o município

Neste final de semana, Ribeirão Preto é sede da segunda edição do InterComic, um evento voltado para o público geek e nerd.

Neste sábado, 9, além do concurso de cosplay, feira, oficinas, games e bandas, o evento recebeu o ator, diretor de dublagem e dublador, Guilherme Briggs. A entrevista você confere no final da matéria.

No domingo, 10, a programação continua. Dessa vez, o convidado especial será o dublador Yuri Chesman, conhecido do público pelas vozes de Saitama, em One Punch Man, e Goten, em Dragon Ball GT.

"O nosso objetivo é promover um final de semana com muita diversão para a família toda. Por exemplo, os adultos poderão se divertir em uma progressão tática com Front Air Soft, jogos de tabuleiro e com as bandas de rock", afirma Ivy Mishima, coordenadora do evento.

A intenção de Ivy é proporcionar o clima das grandes feiras nacionais e internacionais do segmento. Nessa segunda edição, a Intercomic recebeu caravanas de cidades da região e até de São Paulo. 

"Nós abrangemos todos os clãs. Aqui dentro temos o gamer, o cosplayer, o pessoal que gosta de maker, o anime, além do pessoal que gosta de rock e pop. Conseguimos abranger todo mundo", completa a coordenadora. 

Guilherme Briggs

Há 28 anos no mercado, Guilherme Briggs já dublou personagens em franquias famossas como Han Solo, em Star Wars, Capitão Spock, nos novos filmes de Star Trek, além de ser o dublador oficial do Super Homem, em filmes e animações.

Também é famoso entre as crianças, com atuações em animações consagradas, como Madagascar, interpretando o Rei Julian, e fazendo a voz do Mickey.

Além do sucesso na dublagem, Briggs acumula seguidores nas redes sociais. Em sua página no Instagram, ele possui 415 mil seguidores. Sem medo de se divertir, o dublador brinca com personagens, faz paródias e até teatro de bonecos na internet.

Confira o bate-papo do dublador com o Portal Revide:

Como você começou na dublagem?

Meu pai era meu grande incentivador, ele era uma pessoa maravilhosa, um cara muito criativo, genial. Eu sempre fiquei envolvido nessa coisa criativa. Nós gravávamos muito rádio novela juntos. Ele escrevia os roteiros e a gente fazia na brincadeira. Ele até tocava violão, colocava uma vitrolinha com trilha sonora.

Dai eu comecei a ficar acostumado com interpretação de personagens. E quando eu decidi ser dublador, meu pai me deu o maior apoio.

Então, para você, o melhor cenário para uma criança crescer é em um ambiente repleto de arte e cultura?

Sim. Meu pai foi muito carinhoso, muito receptivo e sempre me incentivou. É uma coisa familiar. Hoje eu sou uma pessoa totalmente conectada com arte. Adoro desenhar, interpretar, consumir arte de todos os tipos. 

Não só arte pop e nerd, mas arte clássica eu gosto muito. Coisas antigas, história, desenho animado. Tudo isso eu consumo e gosto de fazer.

Hoje meu pai não está mais entre a gente. Mas deve estar me vendo por ai e muito feliz.

Em todas as suas redes sociais, você não tem vergonha de se assumir como um nerd. Como é para você dublar personagens consagrados como o Han Solo e o Spock?

É maravilhoso. Dá uma nostalgia muito forte. Vem todo aquela avalanche de emoções e memórias, tudo ao mesmo tempo.

E agora estou criando, de certa forma, parte desse universo. É uma sensação que só dublando, para você sentir. 

Você tem até que controlar um pouco para não ficar muito nervoso e muito emocionado.

Quer dizer que esse tipo de personagem ainda te deixa um pouco nervoso?

Deixa sim. É muito emocionante. Atualmente, eu estou mais tranquilo. Eu sei que se eu não ficar relaxado e tranquilo, o trabalho não se desenvolve. 

Se eu vou dublar uma coisa que é muito legal eu tento esquecer e falar "é só um trabalho". Eu não posso pensar: "nossa é Star Wars!", se não eu ficaria muito nervoso.

Atualmente, não só você, mas vários dubladores tem perfis conhecidos nas redes sociais. Lá nos anos 90, você conseguia imaginar o que a dublagem iria se tornar hoje?

Nunca imaginei que isso iria acontecer. Lembro que isso começou na época do Orkut. A gente começou a postar fotos de colegas. Eu sou até sou um dos responsáveis por começar com isso, tirei um monte de fotos de dublador e fiquei colocando no Orkut.

Se eu pudesse voltar no tempo, em 1991, eu jamais iria cogitar que a gente iria ser conhecido assim. 

Tinha um dublador, chamado Darcy Pedrosa que fazia o Jack Nicholson, ele falava: "dublador é uma estrela que desponta para o anonimato". Se você tem vaidade, esquece. 

Eu não almeja ser famoso nem nada do tipo. Nem eu e nem o Darcy esperamos que isso iria acontecer.

Quais são os personagens favoritos?

Os que fãs gostam muito e que eu gosto é o Buzz Lightyer, Superman, Optimus Prime, Rei Julian do Madagascar, Dagget dos Castores Pirados que é meu xodó, o Grinch do Jim Carrey, que eu adoro. O Mickey também é muito fofo de fazer.

 


Fotos: Divulgação / Paulo Apolinário

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