Mães pesquisadoras 'pagam mais caro' por carreira
Para contribuir com o debate sobre desigualdade de gênero no ambiente científico, fomos ouvir mulheres de Ribeirão Preto que equilibram maternidade e pesquisa científica ‘sem deixar cair nenhum prato’
Desde janeiro deste ano, mantém-se alta nas redes sociais a temperatura do debate público sobre a desigualdade de gênero no ambiente científico. O gatilho mais recente foi a negativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) a uma proposta apresentada por pesquisadora e professora da Universidade Federal do ABC, sob a justificativa de ausência de estágios no exterior, decorrente das gestações que “atrapalharam” sua carreira. A repercussão do caso levou o coletivo de pesquisadoras-mães Parent in Science, com atuação nacional e reconhecimento internacional, a cobrar uma resposta do órgão e repudiar o “caráter misógino e assediador” do parecer. O CNPq lamentou oficialmente o ocorrido e ainda anunciou que mães pesquisadoras passarão a contar com extensão de dois anos no prazo de avaliação da sua produtividade científica.
Foi um passo no esforço de equilibrar a balança ocupada por pais e mães pesquisadores, desnivelada desde sempre em desfavor da mulher. Um exemplo disso é que apenas em 2013 foi aprovada, pelo Conselho Técnico Administrativo da Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa no Estado de São Paulo) – uma das principais entidades fomentadoras de pesquisas científicas no Brasil – a licença-maternidade para estudantes. Ainda assim, ficou limitada a quatro meses para bolsistas de dedicação integral. O regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) autoriza até seis meses, que é o tempo mínimo recomendado por autoridades de saúde para recém-nascidos serem amamentados de forma exclusiva.
Esta, aliás, é uma crítica recorrente nos depoimentos de mães pesquisadoras de Ribeirão Preto ouvidas para esta reportagem. Com o objetivo de contribuir para o debate sobre o tema, narramos como cada uma consegue equilibrar pesquisa e maternidade e pedimos que todas respondessem, individualmente, à seguinte pergunta:
Qual a maior dificuldade de ser uma mãe pesquisadora?
Confira a primeira matéria desta série neste link.
Foto: Luan Porto