Torcedores contam como é defender times de outros estados morando em Ribeirão Preto
Flamengo, Cruzeiro, Botafogo-RJ e Atlético-MG também têm representantes fiéis na cidade; eles relatam como mantêm a paixão pelo clube mesmo longe do estádio
Em Ribeirão Preto, nem todos vestem as cores de um clube paulista. Herança familiar, infância em outro estado ou identificação com a história do time explicam por que muitos moradores seguem torcendo por equipes de fora.
É o caso de Gabriel Bovo, João Guilherme Honário, Maxwell Tomaz e Henrique Daniel Gomes, que representam Flamengo, Cruzeiro, Botafogo-RJ e Atlético-MG na cidade.
Um flamenguista em Ribeirão
Nascido em Ribeirão Preto, o universitário Gabriel Bovo, de 20 anos, carrega a paixão pelo Flamengo desde a infância. Parte dessa ligação vem da influência do tio, que o incentivou a acompanhar jogos e conhecer a história do clube. “Minha relação com o Flamengo começou ainda pequeno. Assistia aos jogos com meu tio e meu pai. Foi ali que nasceu essa identificação”, conta.
Mesmo morando longe do Rio de Janeiro, ele acompanha o time pelas redes sociais e transmissões online. Segundo Gabriel, torcer para um clube de fora nunca foi um problema na cidade. “O futebol sempre foi uma forma de puxar conversa. Já fiz amizades por causa disso. Claro que sempre surgem brincadeiras como ‘torcedor modinha’, mas faz parte da rivalidade saudável”, afirma.
De pai para filho, um coração azul
Nascido em Piumhi (MG) e morador de Ribeirão desde os três anos, João Guilherme Honário, hoje com 20, cresceu em meio à rivalidade mineira dentro de casa: pai cruzeirense e mãe atleticana.
A escolha veio cedo, em 2011, após uma vitória marcante do Cruzeiro sobre o rival. “Eu era criança e vi meu pai comemorando muito. Entrei na brincadeira e, quando percebi, já estava torcendo junto”, relembra.
Ele acompanhou os títulos importantes da década passada e também viveu o rebaixamento à Série B em 2019. Ainda assim, mantém a fidelidade. “O Cruzeiro é parte da minha identidade. Sou mineiro morando em São Paulo e carrego muito da influência do meu pai”, diz.
Mesmo distante de Minas Gerais, João não perde jogos. Quando não consegue assistir, acompanha pela narração ou por aplicativos. Ele admite que, em Ribeirão, é mais difícil encontrar bares transmitindo partidas do clube, mas entende que a preferência regional pesa na escolha das transmissões.
Um botafoguense, mas não o de Ribeirão
Em uma cidade que abriga o Botafogo Futebol Clube, é comum que a associação seja automática. Mas Maxwell Tomaz, de 38 anos, torce mesmo é para o Botafogo de Futebol e Regatas, do Rio de Janeiro.
Nascido em Igarapava (SP) e morador de Ribeirão desde os primeiros meses de vida, ele conta que a ligação com o clube começou ainda na infância, influenciada pela família e pela história do time. “O Botafogo sempre foi o ‘Glorioso’, um clube de tradição e grandes ídolos. Sempre me identifiquei com essa história e com a essência de superação”, afirma.
Ele destaca momentos marcantes, como a conquista da Série B em 2021, que simbolizou um recomeço para o clube, e a campanha de destaque no Brasileirão de 2023, que reacendeu a esperança da torcida. “Ser botafoguense é estar junto em todas as fases. Não desistir nos momentos difíceis”, resume.
Rivalidades além do eixo
Natural de Uberlândia (MG), o professor de história Henrique Daniel Gomes se mudou definitivamente para Ribeirão Preto em 2022, após ser aprovado em concurso público municipal. A paixão pelo Atlético-MG, porém, começou ainda nos anos 1990. “Tenho uma memória afetiva do Mineirão lotado. A torcida cantando e fazendo o estádio tremer. Aquilo me marcou”, relembra.
Ele viveu fases difíceis, rebaixamentos e frustrações, mas também comemorações importantes, como a conquista da Libertadores de 2013 e outros títulos relevantes na década seguinte.
Para Henrique, torcer para um clube mineiro fora de Minas nunca foi motivo de estranhamento. Segundo ele, cidades como Uberlândia já convivem historicamente com forte influência do eixo Rio-São Paulo. “A resistência, para mim, não está em torcer para um time de outro estado, mas em apoiar clubes fora do eixo dominante. O futebol brasileiro é muito concentrado economicamente”, opina.
Hoje, ele acompanha o Galo principalmente por resultados e veículos especializados, mantendo a ligação mesmo à distância.
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