Dono de loja de discos em Ribeirão Preto diz que sucesso é ver alegria de clientes
Fã do Rei do Rock, Toni Elvis se desfez da própria coleção de Elvis Presley para clientes que procuravam raridades
Manhã de sábado de Carnaval, 10, e o pintor Wilson Croscapi está lapidando uma imensa coleção de discos de vinil para encontrar as marcantes marchinhas, ícones da cultura brasileira. Da loja, no Centro de Ribeirão Preto, ele sai com dois LP’s, com sucessos de Carnaval de salão.
O ritual se repete todas as semanas. “Venho aqui quase todo sábado pegar um disquinho. Agora, no Carnaval, eu gosto de pegar essas marchinhas mais antigas. Mas aprecio todos os estilos. Gosto de música boa. As atuais estão descartáveis”, comenta Wilson, que diz que de sábado e domingo dentro de casa “vinil é sucesso. Está no sangue, na alma. Eu vou no antigo, mesmo”.
Os achados do pintor, que também sai da loja com um vinil de sucessos dos anos 1960, da Jovem Guarda, são encontrados na loja de Antonio Fernandes Batista, o Toni Elvis, que se diz feliz por ser um caipira que saiu da roça e deu certo em Ribeirão Preto, por meio da música.
Fã do Rei do Rock, Elvis Presley, o comerciante conta que o que lhe traz satisfação é ver os clientes felizes ao encontrarem os discos que desejam. “Não estou rico, mas gosto de ver a alegria das pessoas. É uma loja muito alegre, trocamos ideia sobre música, é um barato isso”, comenta.
“Fico, às vezes, chateado por não achar o artigo do cara, mas depois eu procuro e acho, se eu não tiver, posso conseguir com o meu irmão, que é colecionador. Eu quero ver as pessoas saírem felizes da loja”, completa Toni, que estima ter entre 8 a 9 mil discos disponíveis, inclusive peças da própria coleção de Elvis Presley, que chegou a ter 95 LP’s, que ao longo do tempo foi se desfazendo sempre que um cliente o procurava.
Como é o caso de Hamilton da Silva, que foi a loja a procura de um antigo disco com sucessos de uma novela dos anos 1970. Toni Elvis não encontrou, mas prometeu encontrá-lo. “Tenho uma memória muito boa. Se não achar hoje, pode deixar que depois consigo”, brinca. Mesmo assim, Hamilton sai satisfeito.
“Estou levando discos de orquestras. São as que mais marcam. De composição marcante, que te fazem pensar e viajar por elas. E gosto do vinil. Do barulhinho, embora a qualidade do som seja muito melhor do que encontrado em qualquer MP3 e até no CD”, conclui.
Foto: Leonardo Santos