Espetáculo “As Aves da Noite” tem apresentações gratuitas em Ribeirão Preto
Montagem dirigida por Hugo Coelho leva ao palco texto de Hilda Hilst sobre os horrores do nazismo e reflexões sobre humanidade e barbárie
O espetáculo “As Aves da Noite”, drama teatral escrito por Hilda Hilst há 57 anos, será apresentado gratuitamente em Ribeirão Preto nos dias 1º e 2 de novembro, no Teatro Municipal. As sessões acontecem sábado, às 20h, e domingo, às 18h, e a apresentação do dia 2 contará com intérprete de Libras e um bate-papo com o público.
Os ingressos podem ser retirados gratuitamente nas bilheterias do teatro uma hora antes do início de cada apresentação. Quem preferir garantir a entrada com antecedência pode fazê-lo pelo site da Mega Bilheteria.
Enredo e elenco
Ambientada em um campo de concentração nazista em Auschwitz, a peça tem direção de Hugo Coelho e elenco formado por Marco Antônio Pâmio, Marat Descartes, Regina Maria Remencius, Rafael Losso, Walter Breda, Fernando Vítor, Marcos Suchara, Wesley Guindani e Heloisa Rocha.
A trama parte da história real do padre franciscano Maximilian Kolbe, que se ofereceu para morrer no lugar de um prisioneiro judeu condenado ao “porão da fome”, como forma de represália à fuga de um detento. “Esta é uma versão contemporânea do texto de Hilda. Não é uma reconstituição de Auschwitz, partimos de Auschwitz. O espetáculo é um grito contra a barbárie, contra o fascismo que usa a violência como instrumento de ação política”, explica o diretor.
Conflitos humanos em meio à tragédia
No “porão da fome”, personagens como o Padre, o Carcereiro, o Poeta, o Estudante e o Joalheiro são condenados à morte e recebem visitas do Oficial da SS, da Mulher que limpa os fornos e de Hans, ajudante dos soldados nazistas. Na montagem, os personagens aparecem confinados em gaiolas, simbolizando a prisão e a perda da liberdade.
“A primeira coisa que governos totalitários fazem ao prender alguém é destituí-lo de sua dignidade e submetê-lo ao sofrimento extremado — e isso os nazistas fizeram com requintes inimagináveis de crueldade”, afirma Coelho.
Os diálogos exploram os limites da existência e da resistência humana. O Poeta recita versos como se já estivesse morto, o Estudante sonha com outros tempos e o Joalheiro relembra o brilho das pedras preciosas. Enquanto isso, a Mulher é humilhada em sua condição, o Carcereiro ironiza a dor dos demais e os soldados nazistas os tratam com desprezo e violência.
A arte como tradução da realidade
A montagem busca destacar a densidade e a humanidade do texto de Hilda Hilst, explorando as possibilidades do drama e da tragédia. “O discurso racional não dá conta da realidade. A arte traduz esse discurso como uma segunda realidade, que passa pela razão, mas também pelo sensorial e pela emoção”, reflete o diretor.
Segundo Coelho, a proposta é colocar o público diante da brutalidade do poder e do autoritarismo. “As Aves da Noite nos faz encarar toda a barbárie do poder, do domínio e das torturas nos porões das ditaduras. Auschwitz é uma ferida aberta na humanidade. A obra revela o lado mais perverso e violento do ser humano. Não podemos permitir que a barbárie continue a ser normalizada. Por isso, essa obra, de extrema qualidade literária, é tão importante no momento em que vivemos”, conclui.
Serviço
As Aves da Noite
Quando: Sábado, 1º de novembro, às 20h, e domingo, 2 de novembro, às 18h
Onde: Teatro Municipal de Ribeirão Preto – Praça Alto do São Bento, s/nº – Campos Elísios
Quanto: Gratuito
Classificação: 16 anos
Foto: Heloísa Bortz