Estrela em curso
Com “Northern Star”, a ribeirãopretana Malu Musa apresenta sua composição ao público enquanto divide a formação musical entre Boston e Valência
Entre a gravação e o lançamento de “Northern Star”, Malu Musa preferiu esperar. A canção estava pronta desde 2024, mas a cantora e compositora ribeirãopretana ainda buscava o momento de apresentá-la ao público. Nesse intervalo, concluiu o Ensino Médio nos Estados Unidos, ingressou na Berklee College of Music, em Boston, e ampliou sua formação. Em 17 de setembro, a música chegou às plataformas digitais, abrindo uma nova etapa de uma trajetória.
“Todo mundo me falou: ‘Lança a música, lança a música’, mas eu achei que não era o momento ainda”, conta. A decisão de aguardar atravessou o ingresso na instituição em que desejava estudar. Agora, no terceiro semestre, Malu concilia a rotina acadêmica com a divulgação da faixa e os planos para os próximos trabalhos.
“Northern Star” foi gravada em um estúdio no Rio de Janeiro. Na época, ainda aluna da North Broward Preparatory School, em Boca Raton, na Flórida, ela veio ao Brasil para registrar a composição com uma banda, depois de orientar à distância os músicos sobre o arranjo. A gravação também integrou o material enviado em seu processo de seleção para a Berklee.
Malu a descreveu como “um pop que lembra Taylor Swift misturada com Billie Eilish”. A referência ajuda a situar o universo musical da artista, que já estudava diferentes instrumentos e começava a transformar o interesse pela música em um projeto profissional.
MUDANÇA DE PLANOS
Essa relação começou ainda na infância, na escola Viva Música, em Ribeirão Preto. Vieram as aulas de piano, bateria, violão, canto e baixo, além das apresentações em família e nos festivais da escola. Apesar dessa proximidade, a faculdade de Direito chegou a fazer parte dos planos. Foi durante o Ensino Médio nos Estados Unidos, em contato diário com disciplinas de música e colegas que também pretendiam seguir carreira artística, que a possibilidade de viver de suas composições ganhou espaço.
O plano inicial era passar apenas um ano fora, aprimorar o inglês e conhecer outra cultura. Depois, ela voltaria para concluir os estudos no Colégio Albert Einstein, em Ribeirão. A experiência, porém, mudou o roteiro: ainda durante o intercâmbio, conversou com os pais sobre permanecer nos Estados Unidos e tentar uma faculdade de Música.
Na escola americana, a música passou a ocupar mais da metade de sua grade. Malu participou do coral, integrou a banda de rock e a Pep Band, que se apresentava nos jogos de futebol americano da instituição. Também escolheu aulas de composição e teoria musical. O que antes dividia espaço com a ideia de outra carreira ganhou uma rotina de estudo, ensaios e convivência com jovens que tinham objetivos semelhantes.
Nem por isso a confiança veio de imediato. Malu lembra que se intimidou ao conhecer colegas que se preparavam havia anos para seguir na música. As aulas e as avaliações dos professores ajudaram a mudar essa percepção. “Achei que podia dar certo”, disse na ocasião, ao lembrar o incentivo recebido, principalmente, da professora de canto.
MUITO ESTUDO E… MÚSICA
Em julho de 2024, um programa de férias de cinco semanas na Berklee aproximou o desejo da experiência universitária. Malu morou e teve aulas no campus, conheceu estudantes de diferentes países e voltou decidida a tentar uma vaga. “Foi a melhor experiência!”, lembra.
A espera pela aprovação também teve seus adiamentos. Depois da inscrição e da audição, a resposta prevista para janeiro veio acompanhada de um pedido de mais dois meses de espera. A notícia chegou quando seus pais estavam no aeroporto, a caminho dos Estados Unidos para visitá-la. Ela abriu o e-mail e telefonou para compartilhar o resultado. Naquele relato de 2025, lembrou o tempo dedicado a estudar e ensaiar, além dos programas com amigos dos quais havia aberto mão.
A aprovação na Berklee consolidou a mudança de caminho. Hoje, a formação passa por outro país: Malu está em Valência, na Espanha, onde cursa um semestre no campus da mesma instituição. “Pretendo continuar lançando mais músicas, fazendo mais projetos”, afirma. A temporada espanhola tem duração definida: depois desse semestre, ela pretende retornar a Boston para continuar a graduação.
Disponível em serviços como Spotify, Apple Music, YouTube, Deezer e Tidal, “Northern Star” começou a encontrar ouvintes além dos lugares por onde a cantora passou. Segundo Malu, os dados de audiência aos quais tem acesso indicam reproduções em mais de 40 países. “Estou bastante surpresa com o resultado”, diz.
O lançamento também apresenta uma parte de um trabalho ainda não anunciado por completo. Malu prevê novidades para novembro, mas prefere preservar os detalhes. “Essa música é parte de uma história maior, de um projeto maior, que eu ainda não divulguei. Não vejo a hora da outra parte do projeto sair, para todo mundo ver.”