Museu da Imagem e do Som resguarda patrimônio audiovisual de Ribeirão Preto

Museu da Imagem e do Som resguarda patrimônio audiovisual de Ribeirão Preto

Fundado em 13 de abril de 1978, o MIS reúne mais de 15 mil itens e preserva a memória do rádio, do cinema, da fotografia e da produção audiovisual da cidade

Com 47 anos de história, o Museu da Imagem e do Som de Ribeirão Preto (MIS) é um dos principais espaços dedicados à preservação da memória cultural e audiovisual do município. Oficialmente denominado MIS “José da Silva Bueno”, o museu abriga acervos que documentam a trajetória do rádio, do cinema, da fotografia e da produção sonora local, ajudando a contar a história da cidade a partir de suas imagens e sons.

 

Um dos focos do museu é a preservação da história do rádio e dos radialistas ribeirão-pretanos, protagonistas de um período que vai de 1924 ao início dos anos 1990. Ribeirão Preto, inclusive, foi a terceira cidade do interior paulista a contar com uma emissora própria — a Rádio Clube de Comunicação (PRA-7) —, uma das pioneiras da radiodifusão no Brasil.

 

Após permanecer fechado por 14 anos, entre 2005 e 2019, o MIS foi reinaugurado em 2020 no antigo prédio da Casa de Câmara e Cadeia, no Centro, onde funciona até hoje.

 

Patrimônio, história e cultura

 

O acervo do MIS reúne cerca de 15 mil itens, entre objetos bidimensionais e tridimensionais, registros sonoros, materiais fonográficos, vídeos, filmes e fotografias. Para o chefe de seção do MIS e do Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), Fabrício Vianna, alguns materiais têm especial relevância histórica.

 

“Ressaltam-se, do acervo do museu, primeiramente, os documentos históricos do filme de ficção de Carlos Mergulhão ‘O Último Cangaceiro’, lançado em 1971. Desde os documentos da produção, os registros oficiais, os certificados de liberação de censura, fotografias dos bastidores, até as películas originais de um gênero cinematográfico relevante, com importante representação ideológica e de inestimável valor histórico, da década de 1970”, destaca.

 

A secretária municipal de Cultura e Turismo, Maria Eugênia Biffi, reforça o papel do MIS na construção da identidade cultural da cidade. “Ele é uma enciclopédia aberta para pesquisadores e estudantes. Um equipamento público que mostra que Ribeirão Preto sempre foi protagonista na comunicação e na cultura nacional”, afirma.

 

Essa leitura é compartilhada pela arquiteta e urbanista Ana Cirigliano, docente do Centro Universitário Barão de Mauá, que destaca o papel educativo dos museus na contemporaneidade. “Hoje, os museus não são mais apenas espaços de guarda de objetos, mas também espaços educativos e de debate, essenciais à formação e ao exercício da cidadania. O MIS contribui para a cidade nesse sentido e ainda ocupa um prédio de valor histórico, associando patrimônio arquitetônico e patrimônio museal.”

 

Exposição da fotógrafa Carolina Koff no MIS Ribeirão Preto  | Foto: Acervo/Museu da Imagem e do Som de Ribeirão Preto

 

Exposições e atividades
 

Além da preservação do acervo, o MIS também desenvolve uma programação regular de atividades culturais. “Produzimos exposições, oficinas, exibições de filmes, entre outras ações voltadas ao engajamento e à participação ativa da comunidade”, explica Vianna.


As exposições têm duração média de três a quatro meses, com três a quatro mostras por ano. Atualmente, está em cartaz a exposição “Plano de Voo”, da fotógrafa Carolina Koff, que utiliza sobreposições fotográficas para narrar a história de sua bisavó, Olga Mello Silva.

 

“É um projeto construído a partir de um caderno da própria Olga, intitulado ‘Pontos de aviação’, do Aeroclube de Batatais, onde ela tirou o brevê em 1943, aos 25 anos. Na metade do caderno, as anotações se transformam em receitas e pontos de costura. Ela nunca chegou a voar”, conta Vianna.

 

O MIS também abriga o projeto História no Museu, coordenado por Ana Cirigliano, em parceria com o Centro Universitário Barão de Mauá e a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. “A ideia é oferecer vagas de estágio aos estudantes de História no MIS, permitindo que vivenciem experiências práticas que vão além do currículo. Ao mesmo tempo, isso amplia a capacidade operacional do museu e viabiliza novos projetos”, explica.

 

Olhar para o futuro

 

Para Maria Eugênia Biffi, o objetivo é fortalecer o MIS como um espaço vivo, integrado à dinâmica cultural da cidade. “Nosso compromisso é transformar o MIS em um polo dinâmico de exposições, debates, exibição de filmes, formação e difusão, fortalecendo a ideia de museu vivo, interativo e atrativo”, afirma.

 

Ela acrescenta que o museu deve ser incorporado de forma definitiva aos roteiros turísticos e educacionais de Ribeirão Preto. “Valorizar o patrimônio audiovisual é fundamental para o fortalecimento da nossa memória, identidade e pluralidade cultural. Reconhecer a grandeza do audiovisual é um ato político e social. É mostrar que Ribeirão Preto não é apenas uma capital do agronegócio, mas também uma metrópole da cultura, da arte e da economia criativa”, conclui.

 

 


Foto: Acervo/Museu da Imagem e do Som de Ribeirão Preto

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