SP–Arte reafirma força no circuito artístico de São Paulo
Feira consolida protagonismo no circuito artístico e inspira roteiro que inclui arquitetura e teatro na capital
Realizada no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, a SP–Arte se consolida como um dos principais encontros do circuito artístico da América Latina. Criada em 2005, a feira reúne galerias de arte e estúdios de design que trabalham com artistas contemporâneos e históricos dos séculos 20 e 21, além de editoras, instituições e espaços independentes.
Ao longo dos pavilhões, o evento apresenta um panorama amplo da produção artística, reunindo nomes brasileiros e internacionais e diferentes linguagens em um mesmo espaço. A diversidade de propostas é um dos pontos mais marcantes, com obras que transitam entre o conceitual, o sensorial e o debate de questões sociais e políticas.
O design também ganha destaque, com áreas dedicadas a mobiliário e produção autoral, ampliando a experiência para além das artes visuais. A feira se estabelece, assim, não apenas como espaço de mercado, mas como ambiente de circulação de ideias, encontros e construção de repertório.
Parte da programação contou com iniciativas do Iguatemi São Paulo, que participa da feira promovendo encontros dentro do evento.
Arena Iguatemi
Entre os espaços da programação, a Arena Iguatemi reuniu uma série de conversas com artistas, criadores e convidados, ampliando o debate sobre a produção contemporânea. Com curadoria de Marcello Dantas, o espaço foi pensado como um ambiente de troca dentro da dinâmica da feira.
A programação teve início com a participação da atriz Mariana Ximenes ao lado da artista Panmela Castro, em um encontro que abordou arte, vivência e questões sociais.
Durante a conversa, Mariana refletiu sobre a relação entre narrativa e público. “Os personagens e as histórias se atravessam”, afirmou. A atriz também destacou como cada espectador se conecta de maneira única com as obras: “Cada um tem sua própria vivência e se enxerga na tela”.
A fala dialoga com a ideia de que a arte é atravessada por experiências individuais, criando diferentes formas de identificação. Nesse sentido, ela também ressaltou o papel provocador da produção artística: “A arte tem o papel de provocar e de tirar da zona de conforto”.
O bate-papo trouxe ainda reflexões sobre o uso da arte como ferramenta de transformação. Nesse contexto, Panmela destacou iniciativas voltadas à educação e aos direitos das mulheres: “Para dialogar com a juventude sobre direitos das mulheres, a gente desenvolveu uma metodologia que começa com o debate e depois se transforma em um mural. Esse mural continua replicando a mensagem. Hoje, com a internet, isso se amplia ainda mais, e os participantes se tornam multiplicadores dessas histórias e discussões”.
ABERTO e a experiência na Casa Bola

Durante o período da feira, outras iniciativas culturais também movimentam a cidade. Entre elas, a mostra ABERTO, que chega à sua quinta edição e ocupa o edifício onde está localizada a Casa Bola.
Criado em 2022 por Filipe Assis, o projeto propõe uma investigação das relações entre arte, arquitetura e design a partir da ocupação de construções de relevância arquitetônica. Em cada edição, artistas e designers são convidados a desenvolver obras inéditas em diálogo direto com o espaço.
Nesta edição, após uma passagem internacional, o projeto retorna a São Paulo e amplia sua atuação. A exposição ocupa diferentes áreas do edifício com obras distribuídas ao longo do percurso, funcionando como uma galeria que conduz o visitante por diferentes propostas e linguagens.
É ao longo desse trajeto que a experiência vai sendo construída. Ao subir pelos espaços, o visitante percorre a mostra até chegar, ao final, à Casa Bola, momento em que a arquitetura passa a assumir protagonismo.
Projetada pelo arquiteto Eduardo Longo, a residência é marcada por sua estrutura esférica e por uma proposta experimental que desafia padrões convencionais. Durante visita guiada conduzida por Filipe Assis, o contraste entre exterior e interior ajuda a compreender o projeto. “Por fora, a casa tem essa estética meio Jetsons, mas por dentro é quase Flintstones, porque foi construída manualmente. Apesar de ser super disruptiva, a planta é bastante clássica, com os ambientes bem definidos”.
A experiência ganha outro significado ao chegar aos níveis superiores, onde a casa se abre e revela a área da piscina. Voltada para a Avenida Brigadeiro Faria Lima, essa parte funciona como um terraço e evidencia o contraste entre a arquitetura e o entorno urbano.
Mais informações em https://www.aberto.art/pt-BR.
Fotos: Gabriela Maulim