Uma história de carinho e humanidade

Uma história de carinho e humanidade

A história de como Sônia Ponciano começou a atender crianças com deficiências múltiplas e severas em sua casa e hoje é provedora do Cantinho do Céu Hospital de Retaguarda, que funciona em sede própria

"Meu nome completo é Benedita Sônia da Silva Ponciano, nascida e criada em Ribeirão Preto. Eu ainda era solteira e trabalhava como costureira quando comecei minha história de cuidados, em 1975, mas o Cantinho do Céu nasceu oficialmente, como entidade em 1983, quando conheci minha primeira paciente, a Elaine. Ela tinha apenas 5 anos de idade. Havia perdido a mãe recentemente e estava sendo criada pela tia, já que o pai trabalhava o dia todo. Quando a vi pela primeira vez, fui movida por um profundo sentimento de carinho e humanidade. Percebi o quanto ela precisava de atenção e de pessoas ao seu redor, pois vivia muito sozinha. Esse sentimento despertou em mim a vontade de ajudar e apoiar da melhor forma possível.


Profundamente comovida com a situação da Elaine e de outras crianças em condições semelhantes, decidi abrir a porta da minha casa. O objetivo inicial era oferecer cuidados essenciais e indispensáveis às PCDs (Pessoas com Deficiências Múltiplas e Severas), garantindo sua sobrevivência e bem-estar enquanto seus pais ou familiares estavam trabalhando. O que me motivou a encarar esse propósito foi um enorme sentimento de carinho, humanidade e a força que Deus me concedeu para seguir ajudando o próximo. Assim, o Cantinho do Céu nasceu do amor, da compaixão e do desejo sincero de acolher quem mais precisava.
As crianças seguintes chegaram até mim por diversos caminhos. Muitas vezes, os assistentes sociais dos hospitais entravam em contato solicitando vagas. Em outras situações, instituições também procuravam ajuda para acolher crianças que precisavam de um lar temporário. Algumas delas já haviam sido abandonadas pelas mães e, nesses casos, a necessidade de acolhimento era ainda mais urgente. Assim, cada criança chegava por um meio diferente, mas todas com a mesma necessidade de cuidado, proteção e amor.

 


A maior dificuldade sempre foi a dependência de eventos e ações – bingos e rifas beneficentes, por exemplo – para arrecadar recursos que custeassem os gastos e manter a instituição. Essa necessidade constante de mobilização tornava o processo desafiador, mas, mesmo assim, seguimos firmes para garantir que o trabalho continuasse. O Cantinho do Céu ainda é mantido financeiramente por meio de doações, já que somos uma instituição filantrópica. Além da colaboração do público, recebemos recursos liberados via emendas parlamentares e contamos com alguns recursos provenientes de convênios, que ajudam a complementar as necessidades da instituição.

 


Já os melhores momentos no Cantinho do Céu foram muitos. Sempre vivi dias especiais na instituição. As crianças me enxergavam como uma mãe e isso tornava tudo ainda mais significativo. Elas estavam sempre sorrindo, alegres e felizes e essa convivência diária era minha maior recompensa. Cada momento era único, mas as festas de aniversário eram especialmente marcantes: muita alegria, união e carinho. São lembranças que guardo com muito amor no coração.

 


Hoje, o Cantinho do Céu Hospital de Retaguarda está em imóvel próprio. Contamos, atualmente, com 56 pacientes institucionalizados e atendemos mais 19 no regime centro-dia. Para oferecer todo o cuidado e suporte necessários, a instituição conta com uma equipe de 165 funcionários garantindo atenção, acompanhamento e qualidade no atendimento de cada criança. Atualmente, desempenho a responsabilidade geral pela instituição, cuidando de todo o seu funcionamento. Realizo a coordenação e orientação da equipe e acompanho de perto o trabalho realizado. Além disso, zelo diretamente pelos pacientes, garantindo que recebam toda a atenção, cuidado e acolhimento necessários.


Meu único desejo, hoje, é continuar me dedicando ao trabalho, com amor e cuidado. Hoje, meu principal plano é a ampliação do espaço, para poder atender cada vez mais pedidos de vagas e acolher mais crianças que precisam de cuidado, atenção e carinho.

 


Eu me considero totalmente realizada. A presença das crianças é tudo para mim, faz parte da minha vida e do meu ser. No Cantinho do Céu, todos nós formamos uma verdadeira família, e essa convivência me traz um sentimento profundo de realização e propósito.”

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