Especial mulheres: Mariana Salomão

Especial mulheres: Mariana Salomão

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Quem assiste a Mariana Denuzzo Salomão desfilar sua segurança pelos corredores do Direito não faz ideia de quantos recomeços cabem em uma carreira de 20 anos. Advogada sócia do Brasil Salomão e Matthes, um dos mais conceituados escritórios jurídicos do país, e há oito meses viúva de Marcelo Salomão, filho do fundador e um dos maiores responsáveis por sua expansão e internacionalização, ela chegou a se questionar se seria conhecida mais como “mulher do Marcelo” do que por seu trabalho. A perda se encarregou de inverter esse incômodo. “Ser a mulher do Marcelo, hoje, é mais que orgulho. É um legado. O sentimento passou a ser de gratidão”, declara.


Gratidão que estende à sua trajetória de 42 anos, que a conduziu até aqui por força e mérito próprios. Paulistana, nascida em 1983, formou-se em Direito em 2006, pela Unip de Campinas, e saiu da faculdade já empregada no Russo Maruyama Advogados. Destemida, três meses depois mudou-se para o escritório Demarest & Almeida, especializado em Direito Corporativo. Em 2009, com a cisão da banca, aceitou coordenar uma equipe de dez pessoas em Ribeirão Preto. Deu conta do desafio aos 26 anos, com apenas três de profissão, mas passou a não ter vida fora do trabalho. Por isso, quando um colega lhe falou sobre o Brasil Salomão e Matthes, decidiu enviar o currículo.


Aprovada na entrevista, aceitou outro recomeço — que implicava mudança de área, do contencioso para o consultivo, e remuneração menor. O maior ganho daquele período foi o contato frequente com o fundador, Dr. Brasil Salomão. “O jeito dele tratar o cliente foi para mim uma verdadeira escola, um exemplo, uma inspiração”, afirma, saudosa (ele faleceu dias após Marcelo).

 


SUA TRAJETÓRIA DE 42 ANOS DE VIDA A TROUXERAM ATÉ ONDE ESTÁ HOJE POR FORÇA E MÉRITO PRÓPRIOS



Dois anos depois, em conversa com Marcelo Salomão, que até então mal conhecia, soube de uma vaga de coordenação na filial de São Paulo e pediu a oportunidade. O entusiasmo lhe garantiu a chance. A convivência se intensificou, nasceu a admiração, depois o namoro à distância. Logo, por conta do vai-e-volta, pediu uma vaga que permitisse retornar a Ribeirão Preto. Veio em agosto de 2015, para mais um recomeço.


Em 2017, Mariana e Marcelo casaram-se — ela assumindo, feliz, um “pacote completo”, que incluía João Pedro, então com 13 anos, e Joaquim, com 9. Ainda encontrou tempo para o Mestrado na PUC-SP, conciliando as demandas do escritório. “Tive que me desdobrar, mas havia um voto de confiança em mim e uma posição a reconquistar. Acabou dando tudo certo”, declara.


Em 2019, veio a gravidez de Maria Júlia – planejadíssima. A filha foi recebida com os fogos do Ano-Novo, em 1o de janeiro de 2020. Mariana não imaginava que viveria a licença-maternidade em plena pandemia de covid-19. O lado positivo foi o tempo em família. “Aquilo que o Marcelo dizia não ter feito com os meninos, por estar em outra fase de trabalho, pôde fazer com a Maju. Levava e buscava na escola, tomava café e almoçava junto”, lembra.


Quando Marcelo adoeceu, a família ficou bastante abalada. “Eu dizia que ele era o sol e que nós orbitávamos em torno dele”, comenta. Mariana, administra um dos recomeços mais difíceis de sua trajetória, em silêncio. Ao afirmar “tenho que estar bem para a Maju ficar bem”, revela não apenas a força feminina e materna, mas uma força humana moldada pela convivência amorosa com Marcelo e o pai dele, Dr. Brasil. Nos dias atuais, “estar bem” envolve múltiplas camadas – das racionais às emocionais – e, sobretudo, manter-se íntegra para enfrentar os recomeços que a vida naturalmente impõe.

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