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Muitos moradores têm de ir até os Correios para receber encomendas ou pedir “endereço emprestado”

Para receber encomendas, moradores de Ribeirão Preto pedem endereço emprestado

Falta de segurança faz com que sejam adotadas medidas alternativas para entregas em algumas regiões da cidade

A auxiliar de serviços gerais Maria Luiza dos Santos mora em uma comunidade na Vila Albertina, na Zona Norte de Ribeirão Preto. Ela não tem endereço formal, por isso não pode receber correspondências ou encomendas, e isso dificulta situações que podem parecer corriqueiras, como matricular a filha na escola ou realizar compras pela internet. Para contornar esse problema, ela tem de “pedir emprestado” o endereço de algum parente, quando tem necessidade.

“É bem complicado. Muita gente na comunidade em que vivo faz a mesma coisa. Quando tem uma encomenda, tem de pedir para entregar na casa de parentes, nem conta eu posso receber”, lamenta a auxiliar de serviços gerais, que, em razão disso, não tinha um comprovante de endereço para matricular a filha na escola e precisou usar o endereço do próprio colégio.

A situação vivida pro Maria Luiza, de não conseguir receber correspondências na própria casa é compartilhada por milhões de pessoas no Brasil. Os motivos são a dificuldade de acesso, falta de regularização das regiões, favelas, comunidades carentes ou violência.

Em diversos locais, os Correios, que detêm 70% do mercado de entrega de encomendas no Brasil, segundo levantamento da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), não vão por falta de segurança.

Essas regiões são chamadas de “áreas de restrição de entrega”, o que obriga muitas pessoas a ter de ir buscar a própria encomenda em Centros de Distribuição dos Correios, como é o caso da dona de casa Letícia da Silva Faria, que mora na Zona Norte, e precisou buscar uma correspondência recebida pelo filho.

“Vim até correndo, porque tive que deixar uma vizinha olhando ele e, por isso, não posso demorar. Mas é meio ruim ter de vir aqui se poderia receber em casa”, destaca Letícia.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Ribeirão Preto (Sintect), as regiões mais violentas ficam na Zona Norte, ou em bairros como Parque Ribeirão, Jardim Progresso, Jardim Jandaia e Jardim Aeroporto.

A diretora do sindicato, Fernanda Romano, diz que a violência contra carteiros e entregadores aumentou nas festas de fim de ano, em razão da grande movimentação, provocada pelas compras feitas pela internet.

“Muitos entregadores evitam sair para rua com pertences pessoais para não perderem em um assalto. Os ladrões geralmente procuram as viaturas e levam as encomendas, porém, têm sido registrados casos de agressões”, relata.

Os Correios informam que nessas regiões são adotados procedimentos diferenciados para a entrega das encomendas. A entrega diferenciada pode ser feita de três formas: com prazo dilatado; com escolta armada; ou por entrega interna, quando o objeto deve ser retirado na unidade dos Correios.

Neste último caso, é deixado um aviso ao destinatário, com informações para retirada do objeto postal no horário e endereço especificado. As medidas adotadas para cada região levam em consideração o histórico de delitos cometidos.

“Os Correios ressaltam, contudo, que o problema de violência foge da governabilidade da empresa. Crimes contra a empresa colocam em risco a segurança dos empregados e dos clientes, além de prejudicar os negócios da estatal. Há, inclusive, um acordo de cooperação com a Polícia Federal para mapear quadrilhas, seu modo de atuação e, por consequência, realizar ações e apreensões de criminosos que praticam crimes contra os Correios”, explica nota da estatal.

Foto: Amanda Bueno

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