Startup de alunos da USP transforma educação financeira em prática com apoio de inteligência artificial
Plataforma criada em Ribeirão Preto reúne ensino e ferramentas de controle financeiro e já alcança escolas e milhares de usuários
Em um cenário de fácil acesso ao crédito, mas com baixo nível de educação financeira, uma startup criada por alunos da Universidade de São Paulo (USP) aposta na tecnologia para aproximar teoria e prática no dia a dia dos usuários.
Fundada em julho de 2025 por estudantes de Ciências Econômicas da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP), a SIA Educação desenvolveu uma plataforma que integra conteúdos educativos com ferramentas de gestão financeira, com foco especialmente em jovens e estudantes.
A proposta parte de uma lacuna comum: embora o acesso a serviços financeiros seja cada vez mais rápido e digital, o conhecimento sobre como utilizá-los ainda é limitado. A partir desse diagnóstico, a startup estruturou um ambiente que busca tornar o aprendizado mais acessível, contínuo e alinhado à realidade dos usuários.
A plataforma utiliza elementos inspirados em jogos, como níveis, desafios e recompensas, para estimular o engajamento. Além disso, funciona como um ecossistema dividido em dois eixos: um voltado ao aprendizado teórico, com trilhas de conhecimento e questionários, e outro focado na prática, com ferramentas de controle de gastos, planejamento e organização financeira.
Entre os diferenciais está a integração com uma assistente baseada em inteligência artificial, disponível via WhatsApp, que permite registrar despesas por mensagens de texto ou áudio, automatizando o acompanhamento financeiro.
A solução também possibilita ao usuário acompanhar sua evolução ao longo do tempo, reunindo dados de aprendizado e comportamento financeiro em um único ambiente digital.
Além do uso individual, a SIA Educação atua em parceria com instituições de ensino. Nesse modelo, a startup oferece conteúdos estruturados, planos de aula e ferramentas de monitoramento para professores, conectando o que é ensinado em sala com a aplicação prática.
Os materiais seguem diretrizes do programa Aprender Valor, do Banco Central, alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que prevê a inclusão da educação financeira no ensino básico.
Em menos de um ano, a iniciativa já apresenta resultados. Nas redes sociais, o projeto ultrapassou 9 milhões de visualizações. Um dos destaques foi a realização de um projeto piloto em uma Etec de Orlândia, com a participação de 85 alunos do ensino médio. Durante a atividade, cerca de 5 mil questões foram respondidas em 25 minutos, indicando alto nível de engajamento.
A experiência levou à incorporação da plataforma ao projeto pedagógico da unidade a partir de 2026. A startup também firmou parceria com uma unidade do Sesi em Minas Gerais, com potencial de expansão para até 30 mil alunos da rede estadual a partir de 2027.
A proposta dos fundadores segue um caminho já conhecido na educação: aproximar conteúdo e prática. A diferença está no ambiente digital, que busca disputar a atenção dos usuários com redes sociais, mas com foco em incentivar hábitos mais conscientes no uso do dinheiro.
Para conferir a plataforma acesse gratuitamente no aplicativo e na versão web.
*Com informações do Jornal USP de Ribeirão Preto
Foto: Arquivo Pessoal\divulgação Jornal USP Ribeirão