Cai o número de alunos com necessidades especiais matriculados em Ribeirão Preto
A maioria dos mais estudantes com necessidades especias na cidade está matriculada na rede estadual de ensino

Cai o número de alunos com necessidades especiais matriculados em Ribeirão Preto

Segundo Censo Escolar, o índice de matrículas caiu 30% nas escolas da cidade nos últimos oito anos

O total de matrículas de estudantes com necessidades especiais em Ribeirão Preto caiu 30% nos últimos oito anos, segundo dados do Censo Escolar divulgados nesta quinta-feira, 31, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

No ano passado, foram 1.803 estudantes matriculados na Educação Especial. Em 2010, eram 2.572. “Esse é um dado alarmante. Uma queda que ocorre ano a ano. A evasão escolar dos alunos com necessidades especiais é um problema real, infelizmente, e não há perspectiva de melhora. É um índice muito superior à evasão escolar total”, diz Sheyla Dutra, coordenadora do projeto FADA (Família Down e Amigos de Ribeirão Preto).

Ao todo, 138.420 estudantes estavam matriculados em Ribeirão Preto no ano passado, contra 140.003 há oito anos, uma queda de 1,1%, segundo os números do Censo.

De acordo com Sheyla, entre as causas para a redução nas matrículas de estudantes com deficiência está a falta de preparo das escolas. “É geral, rede pública e particular. As escolas não têm estrutura física e nem didática. Não há adequação para deficientes físicos, não há rampas, não há material adequado”, diz.

O preconceito, segundo a coordenadora do projeto Fada, também é uma barreira. “As famílias não se sentem acolhidas e acaba sendo ‘mais fácil’ deixar esses estudantes em casa. Falta adaptação nas escolas.”

Para ela, o fim das classes exclusivas –em Ribeirão, segundo o Censo, foram apenas 181 estudantes nessas salas em 2018, queda de 58% em oito anos– apesar de uma conquista, impactou na evasão. “A integração dos alunos com deficiência nas classes comuns não funciona em muitas escolas, o que também desestimula as famílias”, avalia.

A maioria dos estudantes com necessidades especias na cidade está matriculada na rede estadual de ensino, 697 alunos em 2018, número 55% menor em relação aos 1.561 em 2010. Segundo o retorno da Secretaria Estadual da Educação, a Diretoria Regional de Ensino de Ribeirão Preto realizou trabalho específico para reavaliação e inclusão dos alunos em salas de aula regulares, seguindo o que determina a Lei de inclusão 13.146/15. "A SEE é pioneira na implantação da Educação Especial e, anualmente, amplia as ferramentas de inclusão de alunos com deficiência, altas habilidades ou superdotação e com Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD). A rede conta com a figura do cuidador em sala de aula desde 2013. Os profissionais especializados auxiliam os estudantes em todas as necessidades dentro do ambiente escolar."

Migração

O Censo mostra que houve uma migração dos alunos para escolas municipais e privadas.

Na rede municipal, o crescimento foi de 52%, de 402 alunos há dez anos, para 613 no ano passado. “As escolas municipais, com foco na inclusão, implantou ao longo desses anos mecanismos para atender melhor os estudantes com deficiência. Existe uma estrutura e também convênios com entidades para um atendimento multidisciplinar”, explica Helder de Carvalho, assessor educacional da Secretaria Municipal de Educação.

Nas escolas particulares de Ribeirão Preto estudam a minoria dos alunos com deficiência, 311. Há oito anos, eram 172 matriculados, alta de 80%.

EJA

Outro dado do Censo que acende o alerta para a qualidade da educação no município é o total de matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), que caiu 10% em nos últimos oitos anos, de 7.368 em 2010, para 6.662 no ano passado.

Na rede municipal, em que a queda foi de 1.607 alunos, para 1.540, o desinteresse dos estudantes é apontado como um dos fatores, segundo Helder de Carvalho. “Temos dificuldade em preencher as vagas, principalmente nos bairros mais periféricos. Trouxemos inovações como aulas com professores on-line. Os alunos ainda precisam ir até as escolas, mas têm a possibilidade de aprender com professores que transmitem os conteúdos pela internet”, diz.

Na rede estadual, onde a queda foi a mais expressiva, de 72%, de 5.055 matriculados em 2010, para 1.377 no ano passado. A Diretoria Regional de Ensino de Ribeirão Preto informou que, para quem estava fora da rede estadual em 2018 e quer continuar ou retomar os estudos neste ano, as matrículas estão abertas, inclusive para Educação de Jovens e Adultos (EJA).

*Notícia atualizada às 08h10 desta sexta-feira, 1°, para atualização. Inclusão das informações da Secretaria Estadual da Educação


Foto: Pixabay

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